Noah Hobbs, de 20 anos, ciclista da equipa americana EF Education, dominou a 42.ª Volta ao Alentejo Crédito Agrícola. Tornou-se o quadragésimo vencedor da prova e também o mais jovem a constar no rico historial da “Alentejana”, organizada pelas autarquias do Alentejo.
Texto e Foto | Firmino Paixão
Hobbs, corredor sub/23 da EF Education, venceu duas das cinco etapas do certame, andou de amarelo do primeiro ao último dia, vestiu o símbolo de liderança da geral individual após vencer a tirada entre Beja e Moura, a etapa inaugural desta edição da prova. Voltou a vencer a etapa entre a freguesia do Carvalhal (Grândola) e Arraiolos e conservou a camisola de líder até à meta final da praça do Giraldo, na cidade de Évora. Nas etapas que ele não ganhou, foi duas vezes segundo classificado e uma vez oitavo, regularidade que lhe garantiu também a conquista da “camisola azul”, símbolo que ainda acumulou com a “camisola da juventude”, que premeia o ciclista mais jovem com melhor posição na classificação geral.
As etapas que escaparam ao domínio do britânico foram a ligação entre Castro Verde e Grândola, ganha pelo italiano David Stella, da formação sub/23 da UAE Team Emirates, a tirada entre Monforte e Castelo de Vide, cujo vencedor foi o colombiano Jesus Peña, recentemente chegado à formação algarvia do AP Hotels & Resorts Tavira/SC Farense, e a ligação desde Estremoz para Évora, ganha pelo transalpino Luca Giaimi, do Team Emirates. Resumindo, duas etapas para a EF Education, duas para o Team Emirates, as duas formações de corredores sub/23, e uma vitória para o Tavira/SC Farense, a equipa de clubes mais antiga no pelotão internacional, liderada pelo antigo ciclista Vidal Fitas. Colectivamente o triunfo final coube à formação da Rádio Popular/Paredes Boavista, comandada pelo histórico professor José Santos. Quanto ao troféu de montanha, o ciclista da Efapel Cycling, Pedro Pinto, assumiu a liderança à quarta etapa e confirmou em absoluto a posse da camisola verde na serra de São Mamede, sagrando-se rei da montanha na “Alentejana 2025”.
Foram mais de 816 quilómetros de prova, percorridos por cinco etapas em linha, cujos percursos tocaram as quatro sub-regiões do Alentejo, visitando cerca de três dezenas de concelhos. O pelotão arrancou de Beja com 130 ciclistas defendendo as cores, e os interesses, de 19 equipas. Pelo caminho, e sob um sol de uma primavera harmoniosa, enfrentaram 15 metas volantes (três por etapa) e 13 contagens para o troféu de montanha, com especial destaque para a subida ao Cabeço do Mouro, nas imediações da cidade de Portalegre. Na chegada a Évora, com um final apoteótico na praça do Giraldo, ultrapassaram a meta 122 corredores, o que significa que apenas oito ficaram pelo caminho e por diferentes razões. Uma delas, eventualmente, terá a ver com as altíssimas médias a que a prova foi disputada, sempre acima dos 40 quilómetros/hora, com destaque para as etapas de Beja/Moura (45,488 km/hora) e Estremoz/Évora (47,375 km/hora).
A Volta ao Alentejo em Bicicleta é uma promoção da Cimac – Comunidade Intermunicipal do Alentejo Central, detentora da marca, com organização técnica da empresa Podium Events e apoio das autarquias das restantes comunidades intermunicipais.
“Pela paz no Médio Oriente” O arranque da Volta, na avenida do Brasil, em Beja, e o final da quarta etapa, em Castelo de Vide, foram marcadas pela presença de alguns activistas a favor da “causa palestiniana”, que empunhavam bandeiras e faixas com a inscrição “Pela paz no Médio Oriente”, presumivelmente, protestando pela presença em Portugal e, particularmente, na Volta ao Alentejo, de uma formação oriunda de Israel.
Com chave de ouro rumo à internacionalização Joaquim Gomes, o director de organização da prova, disse ao “Diário do Alentejo”: “O balanço é extremamente positivo, depois de algumas semanas de tensão, em que tinha a péssima expectativa de que o mau tempo se prolongasse pelas datas da Volta ao Alentejo, o que, na realidade, não aconteceu. Mas, com estes cinco dias magníficos que apanhámos até os próprios corredores se libertaram e, com enorme empenho e disponibilidade, proporcionaram um excelente espectáculo, aliás, todos os dias concluímos as etapas antes dos horários previstos pela organização. Depois, um final mais uma vez fantástico na praça do Giraldo, em Évora, proporcionando a todos os que estiveram envolvidos na organização da Volta ao Alentejo, desde a própria Podium, a Cimac, as forças de segurança, os patrocinadores e os jornalistas, a possibilidade de encerrarmos mais uma edição da prova com chave de ouro”.
O antigo ciclista referiu-se também à presença das equipas de sub/23 do Team Emirates e da EF Education como uma aposta ganha e justificou: “Cada vez mais as grandes equipas do pelotão internacional têm escalões de formação, nomeadamente, equipas de sub/23, em que acabam por militar os melhores sub/23 do mundo neste momento e encaram a Volta ao Alentejo como um excelente evento para o início de participação em provas por etapas destes corredores”. Adiantando: “Basta perceber que corredores deste escalão venceram a maior parte das etapas da ‘Alentejana’ e se formos ver a classificação geral muitos dos que ficaram no topo da geral da juventude terminaram a prova nos primeiros lugares da geral individual (Noah Hobbs é o melhor exemplo), e isto acaba por permitir, também, que, com estas vitórias, os responsáveis das grandes equipas fiquem sensíveis à notoriedade do evento, que conta com quarenta e dois anos de idade e que, do ponto de vista do promotor, e, em particular, do proprietário da marca Volta ao Alentejo, urge reunir condições para que a ‘Alentejana’ possa definitivamente dar um passo em direcção a uma internacionalização definitiva”. Quanto ao figurino da prova, cinco etapas em linha com bonificações nos sprints especiais, Joaquim Gomes, o vencedor da prova em 1988, comentou: “Temos de ter consciência que este imenso território de 30 000 metros quadrados é maioritariamente plano e, portanto, as bonificações acabam por enriquecer este ‘jogo da glória’ que representa as grandes provas por etapas. Se juntarmos, a esta panóplia, a etapa rainha, que terminou em Castelo de Vide com uma sucessão de montanhas que provocam grande desgaste no pelotão, mais uma vez as bonificações fazem sentido para que os grandes velocistas não fiquem completamente em desvantagem com os trepadores”.
Enfim, a “Alentejana 2025” foi, mais uma vez, um sucesso, reforçando essa parceria entre as diferentes entidades que a colocam na estrada: “Claro que sim! As dificuldades estão aí, mas se não existir um enorme espírito de colaboração, de coesão entre as entidades que neste momento têm a responsabilidade de colocar este histórico evento na estrada, nada feito, portanto, existe essa relação consolidada depois de muitos anos e julgo que o futuro da Volta ao Alentejo não se pode pôr em causa”.
42.ª volta ao alentejo crédito agrícola
OS LÍDERES DIA A DIA1.ª Etapa Beja-Moura 166,6 quilómetros Média 45,488Vencedor: Noah Hobbs (EF Education)“Camisola Amarela”: Noah Hobbs (EF Education)2.ª Etapa Castro Verde-Grândola 171,5 km Média 41,790Vencedor: Davide Stella (UAE Team Emirates)“Camisola Amarela”: Noah Hobbs (EF Education)3.ª Etapa Carvalhal-Arraiolos 180km Média 42,536Vencedor: Noah Hobbs (EF Education)“Camisola Amarela”: Noah Hobbs (EF Education)4.ª Etapa Monforte-Castelo de Vide 147,7km Média 42,193Vencedor: Jesus Peña (AP Hotels Tavira/Farense)“Camisola Amarela”: Noah Hobbs (EF Education)5.ª Etapa Estremoz-Évora 151,1 km Média 47, (375Vencedor: Luca Giaimi (UAE Team Emirates)“Camisola Amarela”: Noah Hobbs (EF Education)GERAL INDIVIDUAL FINAL (“Camisola Amarela”)1.º Noah Hobbs (EF Education), 18h40’51s2.º Nicolas Tivani (Aviludo/Louletano), a 12s3.º Jesus Peña (AP Hotels Tavira/Farense), a 13s4.º Pau Marti (IPT Academy), a 19s5.º Xabier Berasategui (Euskaltel/ Euskadi), a 22s…8.º Tiago Antunes (Efapel Cycling), a 28s
OUTROS LÍDERES“CAMISOLA AZUL” (pontos): Noah Hobbs (EF Education)“CAMISOLA VERDE” (montanha): Pedro Pinto (Efapel Cycling)“CAMISOLA BRANCA” (juventude): Noah Hobbs (EF Education)EQUIPAS: Rádio Popular/Paredes/Boavista