Diário do Alentejo

Centro de produção metalúrgica descoberto em Safara

05 de julho 2019 - 10:30
Foto DRFoto DR

Arqueólogos descobriram um centro de produção metalúrgica datado do século I a.C.. Estas descobertas aconteceram depois de uma primeira campanha bem-sucedida de escavações no Castelo Velho de Safara, no concelho de Moura.

 

As escavações, que estão novamente a decorrer, são coordenadas pela equipa internacional da escola de campo de arqueologia South-West Archaeology Digs (SWAD), sob direção científica dos arqueólogos portugueses Mariana Nabais e Rui Monge Soares.

 

“Temos evidências de toda a cadeia de produção de metais: várias escórias de fundo de fornalha, pingos de fundição, tubeiras em cerâmica, alguns cadinhos de fundição e vários objetos em metal. Ainda não sabemos se se trataria de produção de ferro ou bronze, mas as análises químicas a realizar, após a campanha de escavação, logo nos darão essa informação”, relata o arqueólogo Rui Monge Soares.

 

A presença de escórias indicia a realização de operações de smelting (o processo de redução para produzir metal), que exigem temperaturas na ordem dos 1000ºC ou superiores. Os minérios fundidos seriam, muito provavelmente, provenientes das áreas mineiras envolventes do Castelo Velho de Safara, como as jazidas da serra da Preguiça e talvez também da zona mineira de Barrancos.


Até ao momento, já foram identificadas várias estruturas datadas da época Romano Republicana (século I a.C.). E Mariana Nabais, arqueóloga, revela: “Estamos a descobrir um povoado que pertence à memória de todos e que é um património altamente relevante, sobretudo, para a população do concelho de Moura”.


“Destacam-se vários troços de muralha à qual estão adossados diversos pequenos compartimentos provavelmente destinados ao armazenamento de recursos alimentares. Paralela à muralha, encontrou-se uma via de circulação junto da qual se terá desenvolvido a zona residencial do povoado. A cultura material confirma a presença romana, mas indicia também uma forte presença de populações da II Idade do Ferro (séculos IV a II a.C.), havendo igualmente vestígios cerâmicos datados do 3º milénio a.C., de cronologia Calcolítica”, conclui a arqueóloga.

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