Diário do Alentejo

Crónica de Florival Baiôa: Isso é que era de valor…

30 de janeiro 2023 - 13:00
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Sempre se falou sobre pensamentos e sistemas políticos, os quais regulavam e geriam os povos sobre os quais dominavam sobre diversas formas. Sistemas monárquicos unipessoais que governavam a seu belo prazer, normalmente rodeados por um grupo de “nobre guerreiros” que se reuniam em corte. Este sistema foi progressivamente mudando conforme os vários movimentos sociais até que os monarcas passaram a ter poderes muito limitados, como agora acontece.

 

É verdade que a nova “classe burguesa”, do burgo/cidade, foi aproveitar múltiplos movimentos populares, ocupando os lugares de governação até aos nossos dias, muito embora as tipologias ou práticas governativas tenham mudado muito desde o século XIX, por pressão popular e abertura de algumas perspectivas de crescimento, nomeadamente através da obrigatoriedade escolar e abertura do ensino superior.

 

Até hoje há uma classe, ou melhor um grupo social, que domina a nossa sociedade e criou um regime já velho de antigo, chamado de democracia (poder do povo), que os gregos inventaram no século V a.C. Com enormes diferenças até aos nossos dias, mas numa tentativa de dar a todos os cidadãos os mesmo direitos e deveres.

 

A Europa e grande parte do mundo vive numa democracia, afinal, quer queiramos quer não, o mais moderno, inteligente e melhor sistema político. A democracia tem qualidades e defeitos, como qualquer sistema, mas creio que muita gente não reflectiu sobre todas as possibilidades que este sistema proporciona. Lá vai o tempo em que era suficiente ter liberdade de opinião, imprensa livre, assim como a sua profissão e religião que cada um entendesse, e muitas mais liberdades.

 

A democracia é, deve ser, um sistema político dinâmico e ser sucessivamente analisado e reflectido sobre os caminhos que leva e, nesse sentido, quando o movimento Beja Merece + se deslocou a Bruxelas ficou surpreendido e bem surpreendido quando nos foi transmitido que nós representávamos as linhas mestras da nova democracia. A movimentação de cidadãos livres, lutando pelos seus direitos, mesmo contra os poderes instituídos, dominados pela partidarização das politicas nacionais.

 

Sentimo-nos correntemente amarrados por uma teia de aranhas de vozes mansas que moldam as nossas vidas, nos obrigam a comer o que eles querem, ler o que escrevem, ir pelos caminhos que desenharam e por fim … pedem-nos que votemos, “os píncaros” da democracia, onde só os partidos têm lugar. Algo vai mal com esta democracia.

 

Hoje quase temos medo ou receio de falar, porque o primo ou a tia são funcionários de qualquer câmara, escriturária de uma empresa, porque pretendemos ser secretários de estado, etc, etc. Torna-se necessário alterar este mau estado de coisas, é preciso falar, discutir, expor a verdade, inteligência e razão ao serviço das pessoas. Na democracia, naquela democracia que deveria ser dos nossos dias é preciso que os políticos saibam ouvir, discutir e pôr em acção medidas que promovam o sorriso e bem-estar das pessoas, do seu povo.

 

Infelizmente os políticos, muitos deles, nas cidades e vilas do nosso país, acabam por fazer exactamente o contrário daquilo que deve ser feito. Alguns deles, se calhar uma grande maioria, já nem ouve os seus cidadãos, passam pelas ruas de cabeça no ar sem olhar ao redor, não respondem às cartas e @mails, pedem-se reuniões e descartam as pessoas. O contrário daquilo que é desejado pelo povo, numa altura que a consciência política é cada vez maior e a análise crítica mais acutilante e cuidada.

 

Acho que estes novos democratas de “aldeia” não sabem o que é democracia. Um político que não sabe ouvir e ler o que lhe chega sinceramente não é um democrata, é um novo rei medieval mal disfarçado.

 

O povo acomodou-se e os políticos aproveitaram, mas precisam de mudar e... nós também!

 

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia

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