Diário do Alentejo

Leandro Luís: Taça de Portugal

27 de fevereiro 2020 - 10:20

“Luto sempre pelos títulos, algumas vezes tenho sido feliz, outras nem por isso, mas dedico-me muito e trabalho sempre para obter os melhores resultados. A pesca desportiva é uma atividade onde, para além do domínio das técnicas, também temos de acrescentar uma pontinha de sorte. Há sempre um peixe que deixamos escapar e que, às vezes, seria determinante nas contas finais. Mas o meu percurso na pesca tem sido compensador e bastante gratificante”.

 

Texto e foto Firmino Paixão


Leandro Luís é o atual detentor da Taça de Portugal em Pesca Desportiva ao Achigã de Margem, troféu conquistado, no final do ano passado, na barragem do Alqueva. Pescador filiado no Clube de Pesca Desportiva Amigos do Guadiana, de Mértola, já em 2016 tinha conquistado semelhante título, nessa altura em competição na barragem do Facho, em Vila Nova de São Bento (Serpa).


Habituado a grandes conquistas, promete que esta temporada será de intensa atividade e de constante luta pelos pódios nacionais.


Leandro Luís, filho de pais emigrantes, nasceu na Suíça há 22 anos e muito jovem ainda regressou às origens da família, a Martin Longo, povoação do concelho de Alcoutim.


“Vim para Portugal com três anos e iniciei-me na pesca desportiva sem raízes nenhumas. Comecei a ir à ribeira, levava uma cana muito rudimentar e tentava pescar. Apanhava uns ‘bordalitos’. Mas um dia fui com o meu irmão pescar achigãs, apenas por mera curiosidade. Levei uma cana com um bocado de fio pendurado com uma amostra, que eu nem sabia lançar, e quase caí para dentro de água, mas apanhei dois peixes, o primeiro era pequenino, teria para aí uns 600 gramas, e, a partir daí, comecei a ter paixão pela pesca”.


Cá está, esta é a tal pontinha de sorte que, invariavelmente, protege quem, pela primeira vez, tenta pescar. Leandro Luís cresceu e com ele também evoluiu a necessidade de maior aprendizagem. “Queria saber mais, comecei a pesquisar, a ver revistas e ler artigos onde pudesse aprender mais qualquer coisa, porque na pesca, para se conseguirem bons resultados, acima de tudo tem de se gostar da modalidade, desfrutar do convívio e fazer amizades. As conquistas virão por acréscimo”.


A variante de pesca ao achigã desde a margem, é, no momento, a que mais o atrai: “A pesca ao achigã é a minha preferida. É uma pesca fantástica, porque exige que utilizemos várias técnicas, consoante as épocas do ano. Com frio pescamos de uma maneira, com calor recorremos a outras técnicas, enfim, é uma pesca que nos entusiasma muito e que não se torna monótona”.


Depois da escolaridade obrigatória, frequentou a Escola Profissional Alsud, em Mértola, onde se habilitou com um curso de Gestão Cinegética, atividade que, por ora, ainda não desenvolve, mas que lhe terá dado pistas para acicatar as suas preocupações ambientais.


“Nós vamos à pesca e devolvemos tudo o que capturamos para o seu habitat. Preservamos as espécies, temos sempre presente essas preocupações. Infelizmente, existem depois outras pessoas que pretendem destruir tudo aquilo que nós preservamos. Nós soltamos o peixe todo mas, se calhar, no dia a seguir vão lá outros e matam tudo. Mas já foi pior, acho que as pessoas vão tendo alguma consciência de que é necessário preservar as espécies. Hoje em dia quem se inicia na pesca já aprende a libertar de imediato o que pesca e essa mentalidade tem sido influenciada pelos pescadores desportivos”.


A estudar em Mértola, foi com alguma naturalidade que se cruzou com outros pescadores do clube local. “Conheci o Válter Silvestre, pescador que também tem conquistado alguns títulos nacionais, conversávamos bastante sobre pesca desportiva, trocávamos ideias e eu manifestei o desejo de entrar para o clube. O Válter falou com o presidente. Tudo começou por aí, comecei a ir às provas já representando o clube. No início ia um pouco ansioso, não sabia bem ainda o que era aquilo, não conhecia o ambiente de competição, mas o tempo foi passando e fui aprendendo, ambientei-me e, de facto, as coisas têm corrido bem”.


Duplo vencedor da Taça de Portugal com a última conquista ainda bem fresquinha, Leandro Luís já olha para o futuro: “Quero fazer outras provas que estão fora do quadro competitivo da federação, como a FLW Portugal-Fishing League World Wide. São provas internacionais onde já competi no ano passado. Foi quase perfeito, não ganhei por um peixe, mas tentarei de novo, aliás, neste ano vai ser duro, porque vou estar empenhado em várias frentes, vou ter todos os fins de semana ocupados. Nem terei tempo para a namorada, ela não me vai ver tantas vezes como desejaria”.


Claro. Há sempre um antes, e um depois do sucesso, e as conquistas, por vezes, mudam alguma coisa na vida das pessoas. Por isso, o jovem pescador assumiu: “Quando se ganha sentimo-nos muito mais confiantes e com mais disponibilidade para continuarmos. Ganhamos algum prestígio, alguma notoriedade. Podem surgir alguns apoios que, nesta atividade, são determinantes, porque um pescador sonha sempre com um apoio efetivo de uma marca, de um patrocinador que o ajude nas suas conquistas”.

Comentários