Diário do Alentejo

Jaime Garcês e David Amorim: Jiu-jitsu

27 de dezembro 2019 - 15:00

“As maiores virtudes, das quais eu falo a todas as pessoas que vêm procurar o jiu-jitsu na Academia Gracie Barra de Beja, são que aqui eles encontrarão um ambiente de família e encontrarão amigos. Aqui, no Ginásio BLive e nesta academia, eles terão mais e melhor saúde, aprenderão técnicas de defesa, formas para se autodefenderem e ganharão confiança em si próprios”.

 
Texto e foto Firmino Paixão

 
Uma revelação do novel campeão nacional, Jaime Garcês, de 46 anos, mestre em jiu-jitsu brasileiro na Academia Gracie Barra de Beja, associada ao Ginásio BLive, existente nesta cidade. Ele, na categoria de faixa preta, e o seu genro, amigo e aluno David Amorim, faixa roxa, sagraram-se, no princípio deste último mês do ano, campeões nacionais de jiu-jitsu brasileiro, em provas que decorreram no Pavilhão do Casal Vistoso, em Lisboa.

 

Jaime Garcês, de 46 anos, nasceu em São Luís, capital do Estado do Maranhão, a “Jamaica brasileira” como, amiudadamente, é conhecida, ou até por “Cidade dos Azulejos”. “Cheguei a Portugal a convite de um amigo que ia regressar para o Brasil. Ele disse-me que estava saindo de Portugal e, então, eu vendi tudo o que tinha, carro, moto, casa, tudo o que era meu, acreditei nesse meu sonho de viver do jiu-jitsu e hoje estou vivendo disso”, conta Jaime Garcês. E revela também: “Comecei o trabalho do zero. Não tinha nem um aluno e hoje tenho 72 atletas, entre crianças, jovens e adultos. Tenho 34 crianças, os demais estão divididos entre jovens e adultos”.

 

Segundo a doutrina da modalidade, quando os mestres atingem um nível elevado devem mesmo sair para outras paragens, espalhando esta vetusta arte marcial, uma espécie de “doutrina” que os “missionários” devem promover e fazer crescer.

 

Foi um pouco assim que o Ginásio BLive, de Francisco Seita e Marco Lobo, acolheu esta atividade – Academia Gracie Barra Beja – no seu completo e dinâmico espaço de health & fitness, sublinhou Jaime Garcês. “Além de serem os meus patrões são os maiores incentivadores do jiu-jitsu em Beja e do jiu-jitsu na minha vida também. Aqui tenho o apoio e o patrocínio do Ginásio BLive, tenho o apoio de nutricionista, de fisioterapeuta, osteopata. Então, o Ginásio BLive é a minha casa, porque me abriu as portas para, cada vez mais, eu crescer no jiu-jitsu, como profissional e como atleta”.

 

Abertas as portas e esta janela de oportunidade a Jaime Garcês, que já tinha um invejável currículo competitivo, foi-lhe permitido sonhar em oferecer um título nacional ao BLive: “Foi um sonho que concretizei. Sou competidor há muitos anos. Em 2019 participei em oito competições e consegui 11 pódios, mas o meu sonho era ser campeão nacional em Portugal. Tinha essa dívida para comigo, conquistar um título neste país onde moro e onde gosto muito de estar”.

 

O próximo sonho, diz o mestre, “será o Europeu de 2020, que acontecerá entre 20 e 26 de janeiro, em Lisboa”. “Estou focado em treinar todos os dias e os resultados sempre me surgiram de acordo com o meu planeamento de treino. Por isso, estou confiante. Fui campeão europeu em 2018, em Barcelona, numa prova só de masters Europa, só faixa preta, mas o que se vai disputar em Lisboa será de todas as classes e todas as faixas, e aí eu já fui vice-campeão em 2019”.

 

Mas Jaime Garcês não ofereceu apenas um título à academia bejense, foram dois, o seu e o do discípulo David Amorim. Outro nativo da cidade de São Luís do Maranhão, nascido há 33 anos, que ajuda o mestre na academia a ministrar o treino aos mais jovens alunos. Por isso, Jaime Garcês confessa: “Ele é mais do que um aluno meu, é um amigo, moramos juntos, passou dois anos a pedir-me para estar comigo aqui e eu senti isso, trouxe-o da minha cidade, no Brasil. Hoje, ele já tem títulos internacionais, como em Espanha e agora em Portugal. Ter sido aqui campeão nacional, para mim, foi uma das maiores alegrias, porque sinto que o nosso trabalho está a ser bem desenvolvido e está crescendo”.

 

Já David Amorim retorquiu: “Eu quis dar isto [título] para o meu mestre, achei que era importante e fiz um esforço maior para o conseguir e dar esta alegria, não só para ele, como para mim, para o Ginásio BLive e para toda a nossa família do jiu-jitsu”.

 

No seu horizonte, e à semelhança do mestre, fica também a esperança no título europeu em 2020 para acrescentar ao seu já interessante currículo. “Tenho alguns títulos no Brasil, fui campeão sul-americano, alguns pódios, também já fui campeão nacional por Espanha, e agora campeão nacional em Portugal e um pódio no Open Lisboa”. Mais adiante, não esconde, “com muita dedicação, quem sabe um dia conseguirei viver do jiu-jitsu como o meu mestre”.

 

Dois campeões, dois exemplos de dedicação a uma atividade que floresce em Beja, cidade que consideram acolhedora e onde personificam o lema do ginásio “Believe you can and you’re halfway there” (Acreditar que se consegue é meio caminho para atingir o objetivo).

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