Diário do Alentejo

Vicente Paulo: Versátil

14 de novembro 2019 - 14:25

“Quase a fazer quatro anos fui para o karaté, aos nove interessei-me pelo atletismo. Fui a Faro, com um familiar, assistir ao Grande Prémio dos Reis. Gostei do que vi. Estava lá o Bruno Paixão, atleta do Beja Atlético Clube, que acabou por vencer a prova e eu, na semana seguinte, com a concordância dos meus pais, comecei a treinar esta modalidade. Gostei, tenho-me sentido feliz e por aqui me mantenho, a par da música”.

 

 

Texto e foto Firmino Paixão

 

 

O karaté, primeiro, o atletismo, como segunda opção, mas, entretanto, surgiu a música a fechar o triângulo. Três amores vividos por um jovem de 12 anos, Vicente Paulo, nascido em fevereiro de 2007, na cidade de Beja. Nativo de Aquário, “transporta consigo as características de Urano, algo que, de uma forma permanentemente, o transporta no mundo das novas ideias. É inteligente, independente e gosta de experiências várias”.

 


A cor vermelha do cinturão, que recentemente pendurou, suspendendo, temporariamente, a arte marcial, significa motivação, atividade, paixão e impulso, sentimentos que se sobrepõem aos desígnios da astrologia, com os seus campos de consciência, da energia e da força. Está ali tudo, essa versatilidade, essa independência para fazer o que gosta e onde se sente bem. É assim este miúdo sorridente, esguio e veloz nas corridas que faz, sempre na frente do pelotão. Começou muito cedo a sua atividade física: “Não me recordo bem, mas dizem-me os meus pais que eu comecei a praticar karaté quando tinha três anos e meio, na Associação Goju Ryu de Beja. Habituei-me a gostar desta modalidade, tinha a graduação de cinto vermelho. Há pouco tempo suspendi essa modalidade, porque, entretanto, comprometi-me com outras atividades”.

 


Vicente frequenta o 7.º ano na Escola D. Manuel I, em Beja, com sucessivo bom aproveitamento, mas ainda não decidiu qual será o seu futuro profissional. “Há, pelo menos, duas áreasem que tenho pensado com maior frequência, o desporto e a tecnologia, mas nada está ainda decidido. Por certo, uma destas será”, diz.

 


Voltando à sua faceta de desportista, há três anos enveredou pelo atletismo, incentivado pela capacidade que vira no portalegrense Bruno Paixão. Confessa mesmo: “Sinto um grande orgulho por estar no mesmo clube que ele. Já o tenho visto na televisão, a correr em provas importantes, que disputa em Portugal e noutros países. É um atleta com muito valor, muito reconhecido”. Porém, nunca acusou Bruno pela culpa de lhe ter moldado este caminho: “Nunca houve oportunidade de falar disso com ele, embora já tenhamos estado, ao mesmo tempo, a disputar provas, aliás, ele é um dos meus ídolos no atletismo, o outro é o jamaicano Usain Bolt”.

 


Só na última época o jovem atleta do Beja Atlético Clube conquistou os títulos distritais de estrada, corta-mato, campeão distrital de iniciados, campeão distrital nos 150 e 600 metros infantis e 800 metros iniciados, com recorde regional. Tamanho sucesso valeu-lhe, como a outros campeões do mesmo clube, a atribuição de um Certificado de Reconhecimento e Mérito Desportivo. “Senti-me muito orgulhoso por ter recebido aquele diploma das mãos do presidente João Cruz. Foi uma forma de reconhecer a nossa dedicação, mas também um gesto que valoriza o atleta. É por isso que me sinto muito bem no Beja Atlético Clube. Sou muito acarinhado pelos colegas e pelos dirigentes, somos uma verdadeira família. O clube tem muitos atletas na formação e cada vez chegam mais, conquistamos muitas vitórias. O atletismo é uma atividade muito saudável, mas também devemos ter bons hábitos na alimentação”, aconselhou.

 


As suas maiores qualidades são a dedicação e o gosto pelo treino, prefere as provas de pista e de estrada, mas já tem vitórias em corta-mato. Considera-se um provável fundista. As metas que estão no seu horizonte passam por “tentar bater o recorde regional dos 600 metros e continuar a ganhar o máximo de provas a nível distrital e regional”. Mais adiante, quando subir de escalão, se verá se irá qualificar-se para provas nacionais. Como em tudo na vida, umas vezes ganha- se, outras perde-se, embora ele esteja mais habituado a vencer. “Tenho essa consciência, também já fiz provas em que fiquei em terceiro, quarto ou quinto e percebi que as coisas são mesmo assim”.

 


O atletismo é o amor maior na atividade deste jovem, mas não é tudo: “Há algum tempo entrei para o Rufar & Bombar, uma oficina de percussão nos Bombeiros Voluntários de Beja. Há três anos entrei para o Conservatório Regional do Baixo Alentejo para aprender a tocar trombone, o instrumento que escolhi. Mais tarde, o professor José Filipe, que é simultaneamente maestro na banda da Sociedade Filarmónica Capricho Bejense, convidou-me para tocar na banda. Aceitei de imediato, gostei e por lá ando, até ao momento”.

 


Nessa qualidade de músico da banda musical de uma coletividade centenária esteve, recentemente, em Portel, no evento Sons ao Sul, organizado pelo Inatel, onde tocou com a Banda Municipal Alterense, de Alter do Chão, e com a Banda Filarmónica Municipal Portelense. Vá lá saber-se, agora, se é mais difícil tocar trombone ou correr uma prova de 100 metros planos… “Depende do tipo de atuação que nos for pedida. Para mim, mais difícil realmente são os desfiles, as procissões, mas se for um concerto é muito mais fácil do que correr os 100 metros”, diz o jovem karateca, atleta e músico. Vicente Paulo também, nesta área, tem os seus objetivos: “Tocar num concerto para a televisão”. Cá está. A tal motivação, a tal paixão que vai pondo em todas as suas atividades, mas ao mesmo tempo reconhece: “Os meus pais apoiam-me muito, incentivam-me, dão-me força e estão comigo em todo o lado”.

Comentários
Recomendamos