Diário do Alentejo

Rodrigo Viola: Talento

08 de novembro 2019 - 15:30

“Comecei a jogar futebol com cinco anos. Quem verdadeiramente me influenciou e levou para o Despertar foi o treinador Carlos Guerreiro, ‘Cajó’. Um filho dele era meu companheiro de escola, ele viu-me jogar e achou que eu tinha um certo jeito. Um dia levou-me para o Despertar, eu gostei e fiquei até hoje. Sinceramente que estou muito reconhecido por isso. Embora nunca tenha sido meu treinador, o ‘Cajó’ sempre me motivou e ajudou no meu percurso desportivo”.

 


Texto e foto Firmino Paixão

 


No mês de setembro o selecionar nacional José Lima surpreendeu-o com a convocatória para um estágio da seleção sub/14. No início de outubro voltou a convocá-lo. O terceiro momento de observação acontecerá no final deste mês. O jovem bejense está confiante numa nova oportunidade e também no passo seguinte, que será a convocatória final para a seleção das quinas que, brevemente, disputará um torneio internacional. Rodrigo Viola nasceu em Beja, em 2006, e aos 13 anos vem revelando- se um talentoso jogador. Mostrou-se, ainda como infantil, no último Torneio Lopes da Silva, prova onde espera voltar neste ano, já como iniciado. É mais um diamante a lapidar no laboratório do Despertar Sporting Clube, emblema onde se estreou aos cinco anos. “É um clube que tem uma formação com muita qualidade, naturalmente, não retirando mérito aos outros clubes mas, de facto, o Despertar tem tido equipas em provas nacionais com maior frequência, nomeadamente, no escalão de iniciados e, como se tem visto, têm-se destacado alguns jogadores que já saíram para emblemas de maior dimensão”, referiu o jovem.

 


Aluno do oitavo ano da Escola Mário Beirão, tem projetos académicos bem sólidos: “Sempre quis progredir no futebol e tirar um curso superior, porque o futebol é uma coisa que pode dar, ou não, então terei de me habilitar com um curso que me permita ter uma outra profissão. Estou a pensar numa licenciatura em Desporto. Esse tem sido sempre o meu pensamento”.

 


Rodrigo ainda hoje recorda o dia em que o pai o levou ao complexo desportivo, para a sua apresentação no Despertar. “Fui com alguma timidez, sempre era a primeira vez, não conhecia as pessoas, mas depressa me passou e comecei a jogar à bola, porque isso foi sempre o que eu gostei de fazer. Comecei a conhecer os outros colegas e hoje estou certo de que no futebol foi onde fiz os melhores amigos”.

 


O seu primeiro treinador foi Hugo Páscoa, mas elegeu todos os restantes como bons suportes na sua formação como jogador e como pessoa. E lembra o primeiro golo que marcou: “Festejei dando um beijinho no emblema do Despertar. Senti uma alegria enorme, foi um momento que jamais esquecerei”.

 


Perfeitamente identificado com a mística do clube, Rodrigo Viola salienta: “Foi o clube onde me revelei como jogador. Tive uma formação excelente, guardarei sempre este clube num cantinho do meu coração. Tenho aqui passado os melhores tempos da minha vida. Levarei o Despertar comigo seja qual for o meu destino futuro”.

 


O jogador sabe que este clube tem feito história no escalão de iniciados: “Tem disputado sempre o campeonato nacional, é uma equipa que dá visibilidade aos jogadores, mas o próprio clube, pela qualidade da sua formação, também dá muita projeção aos seus atletas. A prova disso foi a saída de vários atletas, no final da época passada, para clubes nacionais. Esse é também um objetivo que tenho, mas só para o próximo ano”.

 


O talento e a confiança do miúdo são incomensuráveis e revelam- se na afirmação de Rodrigo de que que o sonho está a concretizar- se. “Sempre tive confiança que um dia chegaria a este patamar. Estou feliz porque a concretização do meu sonho parece que está a ganhar forma. Estou muito confiante de que as coisas vão continuar a correr-me como eu sempre sonhei”.

 


Já assediado por outros emblemas nacionais, Benfica, Braga, Porto, Sporting e Tondela, o jovem está decidido a terminar a época em Beja. “Tenho recebido abordagens de todos eles, mas quero ficar aqui até ao final da época para disputar o campeonato nacional com a minha equipa do Despertar. Acho que a saída, nesta altura, poderá ser prematura e vir a prejudicar- me no futuro. Para o ano, com um pouco mais de maturidade, logo se verá”.

 


Para já, o foco está em voltar à Cidade do Futebol para representar a Equipa das Quinas. “Será um orgulho, um momento especial, mas é uma grande responsabilidade que pesará sobre nós. Mas se não acontecer não virá mal nenhum ao mundo. Naturalmente que ficarei triste, porque o futebol é o que mais gosto de fazer, mas sei que terei a escola por trás e o curso que projeto. O futebol nunca me desviou dos compromissos escolares, tenho sido um bom aluno”.

 


Rodrigo sempre assumiu o compromisso de trabalhar muito para poder progredir no futebol, no entanto, confessa: “Desde há dois anos a esta parte que estou mais empenhado, mais mentalizado de que só com uma forte dedicação é que poderei evoluir bem, e consciencializei-me que se o fizer mais tarde serei recompensado por essa atitude, nomeadamente, através da chamada aos estágios da seleção nacional e do interesse manifestado por vários clubes. Hoje, sim, sinto-me recompensado”.

 


Quanto às opções para o futuro, essas ficarão para mais tarde. “Quem me oferecer melhores condições. Não olharei à minha preferência clubista, mas sim à proposta que eu sentir que me deixará mais confortável”.

 


Avalia-se como um jogador com qualidade, não um grande talento, mas promete trabalho e dedicação. “Sei que sou um bom jogador, mas só trabalhando muito serei capaz de me superar”.

 


Sublinhando o apoio incondicional da família, Rodrigo Viola rende-se a ídolos como Ronaldinho Gaúcho, que considera “uma lenda”, ao drible e à técnica de Neymar, à versatilidade de Messi, mas, principalmente, “à qualidade, motivação, humildade e capacidade de superação de Cristiano Ronaldo”. O jovem sabe que não é todos os dias que aparece um Cristiano, e surpreende- -nos: “Pois não, mas pode aparecer um Rodrigo Viola ou outro miúdo qualquer”. Nem mais…

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