Diário do Alentejo

Filipe Teixeira: do Despertar de Beja ao FC Porto

17 de maio 2019 - 08:00

Texto Firmino Paixão

 

Uma autoavaliação do jovem Filipe Teixeira, de 14 anos, nascido em Beja, atleta do Despertar Sporting Clube, emblema onde aos cinco anos iniciou o seu percurso de formação e que, na próxima época desportiva, representará o Futebol Clube do Porto. 

 

Frequenta o oitavo ano da Escola D. Manuel I, na sua cidade, e garante que, apesar dos novos compromissos desportivos, o percurso académico vai prosseguir: “Terei de me habilitar com um curso, porque a carreira no futebol não dura sempre e existe mais vida para além do percurso desportivo. Uma carreira no futebol pode ser bem-sucedida ou não. Correm-se sempre riscos. Já pensei nisso muitas vezes, mas tenho a convicção de que, comigo, tudo vai correr bem. Não tenho pensamentos negativos, sou otimista por natureza”.

 

O jeito para o futebol, assegurou, foi uma coisa que nasceu consigo. “O meu avô foi jogador [Francisco Corujo, antigo guarda-redes do Desportivo de Beja], o meu pai e o meu tio também”. 

 

“Filho de peixe sabe nadar”, diz o provérbio, neto de peixe ainda nadará melhor, dizemos nós, e Filipe acrescentou: “Sei que o meu avô sempre foi um bom guarda-redes. Não o vi jogar, mas tenho ouvido muitas referências e sei que teve uma carreira desportiva de muito bom nível”. 

 

O natural seria ver Filipe também entre os postes de uma baliza, mas o jovem médio-centro recordou: “O que eu queria realmente era jogar à baliza, mas o meu avô não me deixou, desaconselhou-me de o fazer, argumentando que era uma posição ingrata e que não seria tão bem-sucedido na baliza, como tenho sido enquanto jogador de campo. Nunca me deixou jogar a guarda-redes, algo que eu compreendi e acabei por aceitar com naturalidade”. 

 

Já o vínculo ao Despertar, seu clube de sempre, diz: “Creio que foi uma opção dos meus pais. Tem sido um percurso em que tenho encontrado muitos amigos e cimentado essas amizades. O Despertar foi sempre um clube onde me senti muito bem. Um clube onde fui feliz”. 

 

Não tivesse ele conquistado vários títulos regionais e taças em todos os escalões em que jogou, sob a tutela de vários treinadores, todos eles importantes na sua formação como atleta, no entanto, diz que “o apoio da família também tem sido fundamental em todos os aspetos e até na questão emocional”.

“Quando um jogo não me corre tão bem, a família dá-me um apoio incondicional, estimula-me e aconselha-me. Fazem um pouco o prolongamento da função do treinador, mas fora do campo”. 

Com um ano para cumprir ainda na categoria de sub/14 (iniciado), Filipe Teixeira vai vestir de azul e branco: “A primeira vez que o Porto contactou a minha mãe foi no Torneio Lopes da Silva do ano passado, onde estive com a seleção de Beja. Sei que desde esse momento acompanham a minha evolução e, a partir de uma certa altura, comecei a ir ao Centro de Treinos do Olival e ao Vitalis Park. Fiz também um jogo, em Vigo, integrado numa equipa do Porto e o interesse revelou-se. Mais tarde falaram com o presidente do Despertar e ficou acordada a minha transferência, naturalmente, com o aval da família”. 

A ambição é enorme: “Espero vingar com a camisola do Futebol Clube do Porto mas, acima de tudo, será sempre uma experiência que ficará na nossa memória para o resto da vida, independentemente da forma como as coisas possam correr. É um orgulho muito grande representar um clube com esta dimensão. Saber que a minha dedicação e o meu trabalho foram recompensados”. Este é um primeiro passo, reconhece: “É o início do meu sonho, depois tenho também a ambição de chegar à seleção nacional de sub/15, mas sei que, sem uma atitude muito forte, nunca conseguiremos ter sucesso naquilo que fazemos”. 

Feliz pelo caminho que já percorreu e pelas vivências que já teve, o jovem confia no futuro: “Sei que o ambiente que vou encontrar é bastante agradável, vou manter os estudos, é uma ferramenta de que não posso abdicar, porque temos de pensar no futuro. A família fica por cá, eu vou enfrentar este novo desafio com muito entusiasmo. O Miguel Lemos [outro bejense que rumará ao Porto] também irá, será uma entreajuda para que nos adaptemos bem. Também lá está o Pedro Vieira (na equipa sub/17), outro bejense que será importante na nossa adaptação”. 

A família, os amigos, a cidade, o clube, vão no seu coração. “Vai tudo comigo, especialmente a família e os amigos, mas também o Despertar, um emblema onde fui feliz e do qual guardo já imensas recordações”. Felicidades, Filipe. Que a saudade, esse sentimento bem português, não te corte as asas ao sonho.

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