Diário do Alentejo

Messejanense venceu, com mérito e justiça, em Santa Vitória, por cinco bolas a uma

09 de janeiro 2026 - 08:00
“Galáticos? Não somos!”

O Campo de Jogos Jorge do Ó foi palco da partida entre o Santa Vitória e o Messejanense a contar para a 14.ª jornada (série B), do Campeonato Distrital da 2.ª Divisão, da Associação de Futebol de Beja.

 

Texto Firmino Paixão

 

Os dois técnicos concordaram com a justiça do resultado. “Venceram os melhores”, registou Francisco Viana, 63 anos, ex-jogador do Desportivo de Beja, hoje treinador do CCRD de Santa Vitória, assumindo que tem uma equipa jovem e em construção no ano zero de um projeto desportivo que se pretende dinamizar naquela freguesia do concelho de Beja. O algarvio Eduardo Rodrigues, 47 anos, treinou o Aljustrelense há 15 anos e voltou, nesta temporada, ao concelho de Aljustrel a convite do Messejanense, clube que, na última temporada, foi impedido administrativamente de se manter no primeiro escalão do futebol distrital por não ter concretizado, em tempo útil, o processo de certificação de “entidade formadora”. Sobre o jogo em si, Francisco Viana assumiu claramente: “Foi uma vitória justa, justíssima. Ganharam os melhores, o adversário tem uma equipa melhor do que a nossa. Nós temos uma equipa em construção. Temos 24 jogadores e 18 são jovens da nossa terra, algo que, se calhar, nenhum clube do distrito terá. Temos muitos jogadores ainda em construção, ainda estão muito verdinhos. Talvez na próxima época consigamos ter uma equipa mais forte. Ainda assim, tirando um ou outro jogo, não temos sido muito inferiores aos outros, onde estamos a pecar é em casa, aqui a equipa não rende, não sei porquê, nos jogos fora bate-se bem”. Recordando o regresso do clube às competições federadas, revelou: “É um projeto para que se construa qualquer coisa aqui em Santa Vitoria. Já tinha estado cá há alguns anos, agora estava afastado do futebol há algum tempo, mas fizeram-me voltar. Temos de fazer alguma coisa pela nossa terra. Espero que isto vá melhorando aos poucos, a equipa é muito novinha, estamos numa fase de construção de um clube a partir do zero”. Os objetivos são moderados, deixou perceber: “Claramente. Estamos no início. É uma época para lançamento do projeto. Um tempo para evoluir, para fixar aqui os atletas e criar novas dinâmicas”. Lutar pela implantação de um piso sintético no campo de jogos, será outro sonho, admitiu Francisco Viana. “Estamos a trabalhar nisso, é um projeto que temos em mente, vamos ver se conseguimos concretizá-lo, até porque quando o tempo melhorar queremos criar duas equipas de escalões de formação para crianças entre os cinco e os sete anos. Vamos formar atletas porque a nossa aldeia é uma fábrica de jogadores”. Francisco Viana pede mais compromisso aos jogadores da terra – “São uma família na aldeia, mas, dentro do campo, ainda não o mostraram –, insistiu, revelando que o objetivo proposto é uma classificação dentro dos primeiros seis lugares. “Se o conseguirmos será um campeonato excelente. Temos andado sempre lá dentro do objetivo e estou confiante que o conseguiremos, assim os miúdos queiram trabalhar”.Eduardo Rodrigues comentou a vitória da sua equipa, afirmando: “Ganhámos com mérito, como, aliás, tem acontecido nas outras jornadas”. Garantiu, depois: “A época não tem sido fácil para o Messejanense, face àquela situação atribulada de não se saber em que divisão iria o clube competir. Uma indefinição que teve custos, porque eu já tinha dada a palavra ao Messejanense para formar um plantel e, parece mentira, estamos numa segunda volta da primeira fase e ainda não temos o ‘onze’ titular, nem um plantel definido”. O técnico lamentou: “Viemos aqui com 13 jogadores. Não é por nada, não é por culpa da direção, não é por minha culpa. Mas as pessoas falam que o Messejanense é a equipa ‘galática’ da segunda distrital e que tem, obrigatoriamente, de ganhar todos os jogos. Não é verdade!”. Ora, não sendo culpa da direção nem do treinador, essa culpa morrerá solteira? Eduardo Rodrigues contornou a questão, dizendo: “Não quero entrar por aí, mas uma semana antes de começar a competição é que soubemos que seria na segunda divisão. Mas estou a dar tudo por este clube. São pessoas afáveis, são pessoas sérias, cumpridoras, mas não tem sido fácil. No final faremos as contas”. Com uma só derrota sofrida, as contas serão fáceis de fazer, admita-se. “Perdemos com o primeiro classificado, o Negrilhos. Foi num detalhe. O Negrilhos tem mostrado uma grande superioridade, tem uma equipa técnica que já tem algum tempo e bastante conhecimento desta divisão. E tem uma base feita desde há três anos, que vai melhorando, daí a sua consistência. O técnico [Carlos Estebaínha] é uma pessoa que eu conheço, foi meu jogador no Aljustrelense, é um grande homem, foi um grande jogador, será, com certeza, um grande treinador. Mas é assim, é mais fácil navegar numa base sólida do que num barco ainda a abanar, como foi o caso do Messejanense, por não ter havido, atempadamente, uma certeza de competir na segunda ou na primeira distrital”.

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