Diário do Alentejo

O orgulho de uma região

08 de agosto 2025 - 18:00
O Lusitano de Évora estreia-se neste sábado na Liga 3, no terreno da União Desportiva de SantarémFoto | Firmino Paixão

“Fazer forte fraca gente”, é o lema do eborense Lusitano Ginásio Clube, emblema que na tarde de amanhã fará a sua estreia na Liga 3, depois de, na época transata, ter conquistado o Campeonato de Portugal.

 

Texto e Foto | Firmino Paixão

 

Recordar o clube alentejano que durante 14 épocas consecutivas (1952/1966) esteve na primeira divisão nacional é lembrar uma equipa, entre outras, como Vital, Teotónio, Mitó, Cordeiro, Falé e Paixão; Coutinho, Serranito, Coró, Caraça e José Pedro. Mas será também lembrar o título da segunda divisão nacional conquistado em 1951/1952 ou o Campeonato de Portugal ganho no Jamor, no final da época 2024/2025, a terceira temporada depois do regresso ao campeonato nacional, após 13 anos de eclipse pelos regionais. Fundado, exatamente, no dia de São Martinho do ano de 1911, foi sempre o maior embaixador da grande região alentejana, como muito bem sublinhou o atual presidente do clube, Pedro Caldeira. O dirigente admitiu que o clube está a viver um novo tempo, um ciclo ascendente, sublinhando a ambição, sempre presente, de que “o Lusitano de amanhã seja sempre melhor do que o de hoje”.

 

O clube está a iniciar um novo ciclo que se pretende que seja condicente com o glorioso historial?No ano passado fizemos uma época que correu muito bem, atingimos os objetivos a que nos tínhamos proposto, que era a subida de divisão, e, ainda, com a grande felicidade de nos termos sagrado campeões nacionais, vencendo o Campeonato de Portugal. Esta época está a iniciar um novo percurso, desde logo com a mudança de treinador. Estamos muito satisfeitos com o técnico que conseguimos trazer para o Lusitano, não só pelo currículo, porque tinha acabado de cumprir uma época na segunda liga, mas porque, nestes primeiros tempos de trabalho, já nos permitiu aquilatar da sua competência e grau de profissionalismo que o mister Ricardo Pessoa vai imprimir no clube. Pensamos que, com ele, o Lusitano irá subir mais um patamar.

 

Um compromisso que, certamente, será mais exigente e que a equipa tem vindo a preparar na nova academia?Nós, nesta época e à semelhança do que foi feito na época passada, ainda faremos os nossos jogos no Campo Estrela, mas, sim, durante a semana, a equipa prepara-se na academia. Tudo indica que esta será de facto a última época em que a equipa jogará no Campo Estrela, portanto, acreditamos e desejamos que esta época de despedida seja marcante para o Lusitano.

 

O que pediu ao mister Ricardo Pessoa? O que pedi ao mister é aquilo que tenho pedido a todos os treinadores desde que sou presidente do Lusitano: é que sempre que a camisola entre em campo, qualquer que ele seja, o faça com ambição e predisposição de vencer. Será o nosso primeiro ano a competir na Liga 3. Recordamo-nos do nosso primeiro ano no Campeonato de Portugal, de sentirmos as dificuldades acrescidas desse compromisso, no sentido de contratação de jogadores para formação do plantel, porque existe sempre algum receio dos atletas em se comprometerem com um clube recentemente promovido. Por isso, será muito importante que o Lusitano, nesta época, consolide o seu lugar na Liga 3, que faça uma época tranquila e longe da zona de descida. Queremos fazer uma época com ambiciosa, olhando sempre para os primeiros quatro lugares da tabela, que são aqueles que nos permitirão o acesso à fase de subida. Desde logo porque um lugar entre os quatro primeiros assegura a manutenção. Como digo, se entrarmos em campo a querer ganhar todos os jogos, estaremos mais perto de o conseguir. O objetivo mínimo que temos é esse, andarmos longe da ameaça de uma possível descida de divisão e com a ambição de tentarmos andar lá por cima, para disputarmos a fase de subida.

 

Estará sempre no horizonte a subida de outros degraus, horando aquilo que foi o passado glorioso do Lusitano nas décadas de 50/60?Sem dúvida. A história deste clube fala por si. Todas as pessoas que trabalham e que vivem perto do Lusitano terão de manter essa ambição. Sabemos que o passado não ganha jogos, o passado está no museu, faz parte da história do clube. O que nós pretendemos é, com a ambição do presente, honrarmos aquilo que foi o passado do Lusitano e honrarmos os grandes nomes que tornaram possível este clube ter construído um passado tão glorioso.

 

O plantel sofreu alterações relativamente à época passada, desde logo porque a exigência será maior?Sim, a nossa intenção foi manter a base da equipa do ano passado. Era importante manter essa base, por tudo aquilo que já estava adquirido. Seria mais fácil começar com uma base já construída do que recrutar um novo plantel que necessitasse de criar rotinas e entrosamentos. Começámos a trabalhar nisso logo no final da época passada, vários jogadores renovaram o seu vínculo antes de jogarem a fase final. A nossa crença na subida era grande, tínhamos, realmente, muita confiança em que seria possível conseguir a subida de divisão. Saíram alguns jogadores, o que é normal, mas quisemos manter a base, sabendo que nos tínhamos de reforçar com outros atletas, porque temos pela frente um desafio com um grau de dificuldade muito maior do que é o Campeonato de Portugal. Queremos ter uma equipa competente, uma equipa que proporcione ao treinador todas as condições para que ele possa fazer o seu trabalho e que possa ter um plantel à altura de realizar uma época que dignifique o clube com muita ambição.

 

A cidade revê-se e apoia este projeto, naturalmente…A cidade e o concelho de Évora sempre tiveram no Lusitano o seu grande representante, desde aqueles tempos na primeira divisão nacional. Os últimos anos do clube, com a disputa da fase de subida logo no primeiro ano do Campeonato de Portugal, no segundo ano ficámos a um ponto de lá chegar, e, na época passada, a cidade ainda se envolveu mais com o clube, com muito entusiasmo e muita proximidade. Viveram-se dias históricos, momentos em que a cidade se orgulhou de ter um clube a jogar numa fase de subida, de ter um clube a disputar uma final nacional no Jamor. Quase cinco mil pessoas presentes no estádio nacional mostraram exatamente isso e não foi só nesse jogo, foi ao longo da época, com assistências muito boas. A bancada do Campo Estrela enche todos os domingos, contrariamente aos tempos em que o clube andou pelo campeonato distrital. Nos seis anos que esta direção leva à frente do clube conseguiu recuperar a confiança dos lusitanistas e da cidade.

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