Diário do Alentejo

Andebol no Sporting Clube de Cuba está a fazer o seu percurso rumo à consolidação

06 de fevereiro 2024 - 08:00
Amigos para a vidaFoto| Firmino Paixão

O andebol no Sporting Clube de Cuba começa a ganhar sustentabilidade. O sonho de fazer crescer uma modalidade, até então inexistente no universo desportivo daquele território, já se vai tornando uma realidade.

 

Texto e Foto Firmino Paixão

 

Trata-se de uma secção do Sporting Clube de Cuba com autonomia própria, mas que dá vida às cores e ao emblema verde e branco do clube fundado há mais de 90 anos e que, outrora, já foi bem mais ecléctico do que nos tempos que correm. É sobre os ombros de João Maria Leão e João Costa, dois cubenses, que a modalidade se alicerça. Se ganhará raízes, ou não, só os tempos vindouros o dirão. Para já, o momento é de formar atletas, criar a base de uma pirâmide que o tempo e a vontade dos promotores, e de quem lhes dê asas para voar, permitirá alcançar novas e mais prometedoras metas.

João Maria Leão afirmou: “O andebol do Sporting de Cuba está em vias de consolidação. Continuamos com os escalões de minis, bâmbis, sub/14 e sub/16, introduzimos agora as raparigas nos escalões de minis e de bâmbis. Mas temos uma lacuna que são os treinadores, estamos a tentar encontrar uma solução, pelo menos, para os escalões mais baixos”. A ideia, disse também, é fazer crescer o projeto dentro da realidade que têm no concelho de Cuba, mas sempre focados em que a atividade ganhe força no presente e que tenha futuro. Por ora, garantiu João Maria: “Não temos possibilidade de criar mais escalões, não conseguiremos ter equipas de sub/17 ou sub/18 nem de seniores. Os jovens vão estudar para fora e não vale a pena estarmos a alimentar essa ideia. Não será fácil de concretizar, até pelos exemplos que temos de outros clubes com mais tempo na modalidade. A nossa margem de recrutamento também é diminuta e nunca conseguiremos ir além dos sub/16”. O recrutamento é feito nas escolas e pelo passar da palavra dos atuais atletas – “Os miúdos que já cá estão e que trazem outro amigo”.

Depois, em Cuba, como em todo o lado, existem outras modalidades, outras atividades que mobilizam a atenção dos jovens. Não esqueçamos que estamos no interior do País numa região que tem sofrido com o despovoamento. Porém, João Maria Leão assegurou: “Os miúdos que aqui estão já criaram entre si uma grande amizade. O nosso lema sempre foi a amizade, nunca privilegiamos os resultados antes da união e da amizade. Queremos que eles fortaleçam a amizade entre todos, com outros clubes, com outras realidades e com outras regiões. Esse foi sempre o lema. Queremos amigos para o desporto e para a vida”. A atividade dos dois técnicos reparte-se entre a iniciação e as equipas de sub/14 e sub/16, esta com uma atividade competitiva mais regular e avançada. “A equipa sub/16 é realmente a nossa referência. Não tendo seniores, é esta a equipa que, habitualmente, serve de exemplo aos atletas mais novos. Entre os sub/14 e os sub/16 existe uma fronteira de transição entre uma atividade mais de lazer e a competição que já existe nos sub/16, embora, em ambos os casos, estejamos a falar de equipas em formação”, lembraram. Mas, num, como noutro caso, não pensam em títulos. “As nossas conquistas apontam no sentido de que os miúdos desfrutem, que se divirtam praticando uma modalidade que é espetacular e que, simultaneamente, é benéfica para a saúde. Depois, também o facto de ser uma modalidade coletiva completamente nova no universo associativo da vila de Cuba, onde o andebol não existia”. Porém, como não há bela sem senão, “os apoios são sempre poucos e as necessidades muitas. Não temos transportes próprios e estamos sempre dependentes da ajuda do município de Cuba. Andamos todos aqui pro bono, sem remunerações para técnicos, porque as ajudas são poucas e o orçamento é muito curto”.

Com recursos limitados, mas com uma disponibilidade ilimitada, envolveram-se igualmente no projeto “Cresce e Aparece”, promovido e gerido pela Associação de Desenvolvimento Integrado Terras Dentro. “Recebemos aqui jovens cabo-verdianos que frequentam a Escola Profissional de Alvito. São jovens com 18 e 20 anos que, curiosamente, até praticaram a modalidade em Cabo Verde. Vêm aqui às terças-feiras e os nossos miúdos gostam de estar com eles. Trata-se de um momento de partilha, benéfico para as duas partes. Nunca virão a ser nossos atletas porque não temos equipa de seniores, vêm aqui por lazer, mas agradou-lhes muito esta parceria e temos em aberto a realização de um jogo, convidando até outros jovens de Cabo Verde”.

O tempo agora é de dedicação, tempo de trabalho no reforço dos alicerces de um projeto ainda jovem. Mas não é proibido sonhar. “O sonho é dar continuidade a esta nossa atividade”, garantiu João Maria Leão. “Mas iremos passo a passo. Como se diz no andebol, ‘o caminho faz-se caminhando’ e é essa a nossa ambição maior, não deixar morrer este projeto, apostando mais nas bases, nos minis e nos bâmbis, para, no futuro, termos uma equipa sub/16 com mais consistência e com mais qualidade”.

Mãos à obra! O andebol no distrito de Beja está, também ele, num processo de crescimento, não esqueceu João Maria Leão, que é membro dos órgãos sociais da Associação de Andebol do Algarve, um elo para a promoção da modalidade no território alentejano.

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