Carlos Papacinza foi medalha de prata (escalão M35) nos Campeonatos Nacionais de Corta-Mato Longo disputados, no final de novembro, em Lagoa. Quinze dias depois foi o vencedor do absoluto do 30.º Crosse dos Cavaleiros de Vale de Santiago e do XXVIII Campeonato do Alentejo.
Texto e Foto | Firmino Paixão
“O título de campeão do Alentejo de corta-mato já me vinha fugindo há algum tempo”, reconheceu Carlos Papacinza, atleta alvitense que representa, atualmente, o Vasco da Gama Atlético Clube, de Sines, comentando: “Em edições anteriores tinha conseguido alguns segundos e terceiros lugares, mas sem conseguir alcançar títulos. Neste ano aconteceu. Mas fico sempre muito feliz por ser o melhor do Alentejo, porque, afinal, é isso que eu procuro todos os dias”. Seguramente o melhor fundista da atualidade na região alentejana coroou, recentemente, o sucesso da sua carreira com o título de vice-campeão nacional de corta-mato longo, e, enquanto militar da Guarda Nacional Republicana, já projeta uma eventual qualificação para o campeonato do mundo militar de corta-mato.
Ainda estão frescas as emoções do título de vice-campeão nacional?Os resultados dos campeonatos nacionais, independentemente de ser o primeiro, segundo ou terceiro, são sempre importantes. Têm sempre um sabor especial porque nós procuramos sempre alcançar o melhor resultado a nível nacional. O segundo ou o terceiro lugar são sempre posições ingratas, pois nós procuramos sempre o melhor e o melhor é ganhar.
Podia ter feito mais ou deu tudo o que tinha?Não, eu sabia que o Carlos Costa (CA Vizela), o atleta que venceu, estava num grande momento de forma, até porque tinha vindo de uma grande marca numa maratona e sabia que ele, ainda que um pouco desgastado, estava noutro patamar. Quis sempre acompanhá-lo, andei muito tempo atrás dele, tentei forçar o andamento mas, na última volta, ele saiu e eu acabei por conseguir o segundo lugar. Estou muito feliz por o ter conseguido.
Saiu recentemente do Beja Atlético Clube para o Núcleo de Odemira e, deste, para o Vasco da Gama de Sines. Será o prenúncio de um convite para um grande clube nacional?Não tenho recebido solicitações para representar grandes clubes nacionais. Se isso vier a acontecer será um caso para avaliar. Talvez possa investir mais um ano a este nível, porque já estou com 37 anos e começa a ser complicado andar a bater-me com atletas mais novos. Nesta idade começamos a deixar aquele leque de atletas que são a elite e vamos pensando mais noutro escalão. Eu ainda estou naquela fase em que ando ali meio por meio, mas já me vai sendo mais difícil, por isso, daqui para a frente tentarei procurar um lugar no meu escalão, quer ao nível regional ou nacional.
Mas tem consciência que ainda é o melhor fundista do atletismo regional?Quero acreditar que sim, mas não me posso esquecer que ainda existem atletas como, por exemplo, o Ricardo Paixão (Beja Atlético Clube), que é um excelente atleta, temos também o Miguel Valente, do mesmo clube, que também vai dando provas de grande qualidade, portanto, eu sou mais um e, como costumo dizer, acabo por dar o melhor em todas as minhas provas. Se calhar, de uma forma diferente do que eles fazem, porque tenho uma participação mais abrangente, gosto do corta-mato, gosto de estrada, corro em areia, já passei mais pelo trail, participo sempre em mais provas e tento bater-me com os da frente. Tenho obtido alguns bons resultados, tenho conseguido algum sucesso em tudo isso e tenho gostado de passar por esta experiência mas, cá está, vamos envelhecendo e temos de começar a selecionar mais as provas e enquadrarmo-nos um bocadinho melhor no escalão e deixar essa parte da elite, que já não vai sendo tão acessível.
Registamos essa modéstia de repartir o mérito por outros atletas, mas a verdade é que os resultados falam por si e o Carlos tem atrás de si um riquíssimo palmarés…Quando, diariamente, saio de casa para ir treinar, levo sempre um objetivo no pensamento. E o objetivo que vai comigo terá de se refletir nas provas. Embora trace objetivos a curto e a longo prazo, trabalho sempre focado em chegar a esta ou àquela prova e as coisas darem certo. Tem acontecido assim porque eu tenho trabalhado bem ao nível de treinos, tanto no treino de rolo, como no treino específico, e quando chego às provas tenho sentido os resultados daquilo que tenho construído ao longo do tempo. Se conseguir algo mais, melhor, porque estamos cá para evoluir e tudo isto acaba por nos inspirar para irmos buscar algo mais do que aquilo que estamos a pensar. Nós construímos um determinado objetivo que, uma vez alcançado, nos projeta logo para procurarmos mais qualquer coisa.
O atletismo não é apenas aquilo que se observa pela prestação de um atleta numa determinada prova. Existe muito trabalho a montante…Claro. Os resultados são o reflexo de tudo o que se constrói ao longo do ano. Temos uma época desportiva com vários meses e eu acabo por traçar vários objetivos durante esse período. A minha época está dividida em três fases, cada um delas tem um objetivo principal, e depois tenho objetivos secundários que não deixam de ser objetivos. Trabalhamos sempre com um determinando foco. Este método tem resultado e o reflexo do meu trabalho, por exemplo, foi colocado em prova no Campeonato do Alentejo de Corta-Mato e o resultado foi excelente.
Está feliz com tudo o que tem conseguido?Estou extremamente feliz, sobretudo, nesta época, porque tenho alcançado tudo aquilo que planeei desde o seu início. Olhando para o que já fiz nesta época, fui campeão distrital absoluto de corta-mato longo, em Serpa, no nacional militar fui terceiro da geral e campeão nacional M35, no nacional de corta-mato longo fui vice-campeão nacional M35, fui vencedor absoluto do corta-mato do Alentejo e venci o Crosse dos Cavaleiros, por isso, só posso estar feliz com esses resultados.
Caminhamos para o final do ano, uma época de disputar as corridas de São Silvestre?Não. Tenho um outro objetivo que será o Campeonato Militar de Corta-Mato Longo, no dia 15 de janeiro de 2026, prova que qualificará os quatro melhores atletas para o campeonato do mundo militar. Fui terceiro no último campeonato e estou a pensar deixar este período um pouco mais liberto para treinos, fixando-me um bocadinho mais naquele objetivo, para conseguir o apuramento.