Diário do Alentejo

“Muita gente tende a focar-se apenas nos pontos positivos da Internet”

24 de setembro 2019 - 11:10

Texto José Serrano

 

Daniela Narciso Castanho nasceu a 29 de setembro de 2000, em Jungeiros, uma pequena aldeia alentejana do concelho de Aljustrel, no distrito de Beja, onde viveu e estudou até aos 17 anos. Com essa idade, mudou-se para Lisboa para frequentar o curso de Engenharia Informática e de Computadores no Instituto Superior Técnico.

 

Daniela Castanho apresenta amanhã, dia 14, no Centro d’Artes de Aljustrel, o primeiro livro de sua autoria, intitulado Uploaded. Uma obra que a escritora define como um thriller psicológico recheado de aventura e humor mordaz, inspirado em factos reais e na pergunta “Quão longe és capaz de ir para ajudar alguém?”.

 

Como apresenta este seu Uploaded?
Uploaded é nada mais que a transcrição de um vídeo – vídeo esse em que Elliot Callahan expõe, “Elefante vermelho”, o mais recente jogo de suicídio. O livro segue a jornada deste jovem enquanto ele tenta, numa luta contra o tempo, ajudar a salvar outra jogadora. Conseguirá vencer ou jogo ou será ele o vencido?

 

Para além da sua função lúdica, enquanto livro de ação e aventura, pretende esta sua obra alertar para os perigos da Internet?
Um dos objetivos desta minha obra é mostrar que, por vezes, uma simples ação de um desconhecido, ou até mesmo de um amigo, pode mudar o rumo da vida de alguém, e tudo isso à distância de um clique acessível a qualquer pessoa. Não quer dizer que essa mudança seja sempre negativa, mas a verdade é que com a evolução tecnológica muita gente tende a focar-se apenas nos pontos positivos da Internet e, de certa forma, ignorar os perigos que advêm dessa mesma evolução.

 

Considera que as novas gerações subestimam, excessivamente, os riscos autênticos de se poder ficar enredado nas malhas virtuais da “Net”?
As novas gerações nasceram com o privilégio de ter computadores e Internet avançados, o que faz com que utilizar essas tecnologias seja como uma segunda natureza. Dito isto, existe muito a mentalidade de “isto só acontece nos filmes” e, realmente, subestimam-se os riscos da Internet. Muitas vezes esquecem-se que a Internet é “para sempre” e acabam por achar que conseguem sair de qualquer buraco negro digital que os apanhe.

 

Que sentimentos gostaria que os leitores experienciassem ao longo da leitura deste seu livro?
Cada pessoa experiencia a leitura de forma diferente. Há apenas dois sentimentos que gostaria que fossem transversais a todos os leitores: a curiosidade e, visto que se trata de um thriller, que se arrepiem, de medo.

 

Ler um livro será sempre um bom contraponto à imoderação de envios digitais?
Na minha opinião, isso depende muito da pessoa. Alguém que goste de ler vai, provavelmente, focar-se mais na leitura que no mundo digital. Ler um livro é entrar numa aventura, num outro universo, numa outra vida, coisa que também acontece, por exemplo, nos videojogos. Por isso, ler pode ser um bom contraponto, na medida em que proporciona uma experiência parecida à dos meios digitais.

Comentários