Diário do Alentejo

Hospital Central do Alentejo sem sair do papel há duas décadas

10 de setembro 2019 - 15:40

Projeto adiado há pelo menos duas décadas e que continua sem sair do papel, o Hospital Central do Alentejo, em Évora, deu este verão um passo em frente com o lançamento do concurso para o avanço das obras. “É uma reivindicação, pelo menos, com 30 anos, mas foi nos últimos 20 que tomou maior forma”, porque “foi feito o projeto e identificada a localização”, diz à agência Lusa o presidente da Câmara de Évora, Carlos Pinto de Sá.

 

Texto Sérgio Major (Lusa)

 

Após vários avanços e recuos, ao longo dos anos, o concurso público internacional para a execução da obra foi finalmente lançado no passado dia 14 de agosto, "concretizando-se com sucesso mais uma etapa decisiva”, realça o presidente da Administração Regional de Saúde (ARS) do Alentejo, José Robalo. Segundo a ARS, o novo hospital envolve um montante total superior a 180 milhões de euros, uma vez que aos 150 milhões de investimentos previstos, incluindo 40 milhões de fundos europeus, acresce 23% do imposto sobre o valor acrescentado (IVA).

 

Lembrando que o atual edifício do Hospital do Espírito Santo de Évora (HESE) “já não tem condições aceitáveis para dar resposta às necessidades da população”, José Robalo sublinha que o novo “vai ter características centrais”. Ou seja, explica, o futuro Hospital Central do Alentejo “vai apoiar as outras unidades da região e evitar que um número significativo de utentes se tenha de deslocar para Lisboa". Para a presidente do HESE, Filomena Mendes, “profissionais de saúde altamente qualificados” poderão vir a aceitar trabalhar no Alentejo, ao contrário do que acontece agora, em que é “muito difícil recrutar e, acima de tudo, fixar”. “Não podemos pensar no desenvolvimento da região e de Évora, em particular, e na captação e fixação de população se não tivermos um hospital central adequado às necessidades e não estou a falar só dos residentes, mas também das empresas”, salienta.


O atual HESE está dividido por três edifícios: um com mais de 500 anos, alugado à Misericórdia; o do Hospital Espírito Santo de Évora (que é contíguo) e o do Patrocínio, que está separado por uma das ruas com mais circulação automóvel da cidade. “As necessidades de resposta aos utentes são um imperativo e tem vindo a ser adiado há anos. Isso tem sido muito penalizador, porque o facto de estarmos à espera do novo hospital foi também impedindo que se fizessem obras fundamentais no atual”, frisa.

 

Também o presidente da Câmara de Évora qualifica o novo Hospital Central do Alentejo como “um projeto estruturante” e “absolutamente essencial”, com impacto a nível “nacional, regional e local”. “É um hospital que abrange toda a região, com mais de 500 mil habitantes, e permite dar qualidade de vida e uma resposta na área da saúde à população e, para Évora, é também um fator de desenvolvimento”, diz.

 

Um dos anúncios sobre o novo hospital foi feito em 07 de maio de 2004, quando o então ministro da Saúde, Luís Filipe Pereira, afirmou que o concurso público seria lançado em 2005 e que a unidade ficaria concluída quatro anos depois. Seguiram-se duas cerimónias relacionadas com o concurso para a execução da componente de arquitetura e de projetos técnicos das várias especialidades, realizadas em 2008 e 2010 e presididas pela então ministra da tutela, Ana Jorge.

 

Em 2011, em 05 de agosto, o processo dá um passo atrás, com Paulo Macedo, na altura o titular da pasta da Saúde, a anunciar que o projeto de construção da nova unidade ia ser reavaliado pelo Governo, devido à “realidade do país”, que então estava sob assistência financeira. Embora continue no papel, o projeto retomou a marcha este verão, com o concurso público internacional para a adjudicação das obras.

 

O Hospital Central do Alentejo, a construir na periferia de Évora, vai ter um edifício que ocupará uma área de 1,9 hectares e que terá uma lotação de 351 camas em quartos individuais. Esta capacidade pode ser aumentada, em caso de necessidade, até 487 camas. A futura unidade hospitalar vai dar resposta às necessidades de toda a população do Alentejo, com uma área de influência de primeira linha que abrange cerca de 200 mil pessoas e, numa segunda linha, mais de 500 mil pessoas. A infraestrutura contará com 11 blocos operatórios, três dos quais para atividade convencional, seis para atividade de ambulatório e dois para atividade de urgência, cinco postos de pré-operatório e 43 postos de recobro.

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