Diário do Alentejo

Um “atleta” olímpico da programação de computadores

27 de agosto 2019 - 09:20

Texto  José Serrano

 

O seu interesse em informática surgiu através da curiosidade pela forma como os vídeo jogos funcionariam. Incentivado pelo pai, desde os oito anos de idade, a aprender programação informática, tem vindo desde aí a evoluir como programador, de forma autodidata e utilizando a Internet como recurso para a sua aprendizagem. Em setembro ingressará no 12.º ano, na Escola Secundária de Castro Verde, localidade onde vive “desde sempre”. Os seus planos, de futuro, passam por estudar engenharia aeroespacial.

 

Ricardo Antunes foi um dos quatro jovens que representaram Portugal nas Olimpíadas Internacionais de Informática, que se realizaram em Baku, no Azerbaijão, entre os dias 4 e 11 deste mês. A participação no evento adveio do segundo lugar conseguido por Ricardo Antunes nas Olimpíadas Nacionais de Informática, concurso de programação de caráter individual, destinado a alunos do ensino secundário.

 

Como correram estas olimpíadas para a comitiva portuguesa e, em particular, para si?
O segundo dia de prova correu-me muito melhor do que o primeiro, mas ainda assim não foi suficiente para ganhar uma medalha. Quanto ao resto da comitiva, apenas o Kevin Pucci ganhou uma medalha, tendo conseguido alcançar o nível de prata pela segunda vez consecutiva. As medalhas são atribuídas a metade dos concorrentes, sendo o corte do bronze em termos de ranking à volta de 50 por cento, o de prata à volta de 25 por cento e o de ouro à volta de 10 por cento.

 

Como classifica o nível de exigência pretendido nas provas em Baku relativamente às Olimpíadas Nacionais de Informática?
As Olimpíadas Nacionais de Informática são muito mais fáceis, comparativamente com as Olimpíadas Internacionais de Informática, especialmente, se tivermos em conta que não competimos com estudantes de países como a China ou os Estados Unidos da América (EUA).

 

Quem foram os grandes vencedores destas Olimpíadas Internacionais de Informática, que contaram com a presença de 329 estudantes em representação de 87 países?
Os EUA, a Rússia e a China ficaram, respetivamente, em primeiro, segundo e terceiro lugar. Estes são países em que há muito mais investimento na preparação dos participantes nas olimpíadas do que em Portugal. Além disso, também temos de ter em conta que são países com uma população muito grande, em comparação com a nossa.

 

Estas olimpíadas proporcionaram-lhe, de alguma forma, a aquisição de conhecimentos, de novas “ferramentas” para o seu pensamento informático?
Sim. Com esta minha participação tive a oportunidade de estar numa prova a sério, sob uma pressão capaz de levar as minhas capacidades até ao limite. Penso que esta experiência me irá ajudar imenso no próximo ano, quando voltar a participar nas Olimpíadas Nacionais de Informática.

 

Quais as características necessárias para se poder ser um “atleta” olímpico de informática?
Acredito que é indispensável ter força de vontade e ser capaz de dedicar muito tempo livre a praticar para estas provas. Além disso, há que gostar de matemática, que é a base da informática. Tudo o resto se adquire com o tempo, através do treino e da experiência. Infelizmente, só terei mais um ano para aprimorar as minhas capacidades, porque as Olimpíadas Nacionais de Informática estão limitadas ao ensino secundário. José Serrano

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