Diário do Alentejo

Mural dedicado a Florival Baiôa inaugurado em Beja

16 de outubro 2026 - 11:00
Centenas de pessoas estiveram presentes na homenagem a uma “pessoa irrepetível”

Beja assistiu, no passado domingo, a um encontro invulgar, juntando no mesmo espaço pessoas de diversas gerações e profissões, de diferentes ideias políticas e estratos sociais, exaltando em comunhão a memória e a vida de um cidadão congregador que a todos tocou, pelo seu exemplo maior de cidadania.

 

Texto | José SerranoFoto | Ricardo Zambujo

 

Foram centenas os que se reuniram na tarde do passado domingo, em Beja, junto à casa da cultura, para assistir à inauguração do mural de azulejaria em homenagem a Florival Baiôa – “Professor, historiador, eterno apaixonado por Beja, seu património e suas gentes”, pode ler-se na base que sustenta a obra. A homenagem, da responsabilidade da Associação para a Defesa do Património Cultural da Região de Beja (ADPBeja) e da Câmara Municipal de Beja, contou com a presença de familiares, amigos, músicos e várias figuras institucionais da região, que enalteceram a vida, manifestando a saudade, de um cidadão que marcou de forma indelével a Beja contemporânea. Para Jorge Serafim, atual presidente da ADPBeja, associação, com data de início de fevereiro de 1979, da qual Florival Baiôa foi um dos fundadores – “em conjunto com o Leonel Borrela, o Joaquim Figueira Mestre, o Ni Almodôvar, o José Luis Soares, uma geração muito ligada à defesa, à salvaguarda e à promoção do património” –, classifica como “muito importante” o ato de homenagem e a obra de rua que agora se apresenta ao público. “O Baiôa foi uma pessoa marcante pela forma aberta de se entregar ao ‘outro’, um extraordinário professor, que marcou gerações e gerações de alunos, um cidadão congregador que lutou muito por esta cidade. Não foi por acaso que, num domingo à tarde, em Beja, 400 pessoas tenham comparecido a este encontro… foi emocionante assistirmos a este reconhecimento”, sublinha. Cabe agora, diz, a pais e avós, quando por ali, junto ao mural, passearem, “contarem aos filhos e aos netos quem foi este homem absolutamente excecional, esta pessoa irrepetível”, considerando que desse conhecimento pode germinar a semente da atratividade pela valorização da riqueza de uma cidade com mais de dois mil e quatrocentos anos. “O Florival Baiôa sempre chamou à atenção para a excelência do património humano, paisagístico e físico do concelho”, observa Jorge Serafim, frisando a necessidade de se perpetuar a sua dedicação a esta causa, “que nele foi exemplar até ao fim”, convocando as novas gerações para a atração da “história maravilhosa desta cidade”. Essa responsabilidade caberá, “obviamente, à ADPBeja”, mas, também, a cada um de nós, enquanto cidadãos. “Ao invés de perguntarmos o que é que a cidade pode fazer por nós, temos todos de começar a perguntar o que é que nós podemos fazer por ela e pelo concelho que representa – começarmos a ser menos reativos e mais ativos, tal como o Baiôa foi”, sugere. Ainda no que diz respeito a esse desígnio, de transformar Beja na urbe sonhada por Florival Baiôa, o presidente da ADPBeja considera indispensável, dando exemplos de várias ações possíveis, o empenho articulado dos poderes locais de forma a valorizar a urbe, promovendo “as várias expressões da nossa identidade”, dignificando-as. “Não podemos querer que as pessoas venham a Beja só nas datas dos grandes eventos. Porque no resto dos dias do ano o que é que temos para oferecer? As diversas entidades locais têm que se unir, de forma a poder-se criar um circuito de arte urbana, visitar as igrejas, intervencionar culturalmente o edifício do Banco de Portugal, constituir a casa museu Leonel Borrela (esses extraordinário aguarelista), reativar o museu militar (desativado, no castelo, há mais de 20 anos), o centro histórico e o comércio local. Temos de ser mais ousados, pois, com uma diversidade patrimonial tão rica e tão diversificada, estamos com uma cidade praticamente ‘fechada’”, observa o presidente da associação.Será, assim, nessa ousadia cultural e de cidadania que se poderá cumprir o sonho de um homem raro, aglutinador de vontades várias, que do seu jipe verde, com um subtil toque de buzina e um sorriso contagiante, cumprimentava todos os seus concidadãos, amigos, partilhando sempre em tertúlias várias a sua divisa de vida – “Continuo a acreditar que Beja é um sítio magnífico para se viver”.O mural de homenagem a Florival Baiôa foi desenhado por Susa Monteiro e os azulejos que o constituem pintados por Mariana Conduto, Jorge Simão e João Bernardino.

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