O músico e mestre ensaiador José Diogo Bento estreia-se a solo com o single “Alentejano pelo mundo”, um tema “muito carregado de emoção, porque é uma homenagem ao Alentejo e aos alentejanos”.
Texto | Nélia Pedrosa
“Alentejano pelo mundo ” é o nome do primeiro single de José Diogo Bento que marca a sua esteia em nome individual, trabalho esse que será divulgado hoje, dia 4, “em todas as plataformas digitais”. Paralelemente, ficará também disponível, no YouTube, o videoclip – que tem como cenário Panoias (Ourique), a sua terra natal –, em que o músico e mestre ensaiador se faz acompanhar pelo pai e autor da letra deste primeiro single, José Manuel Bento, e ainda pelo amigo João Nobre e pelo também amigo e jovem aluno João Guerreiro. “O vídeo mostra ali as quatro gerações unidas, e quatro gerações [que] têm uma ligação ao concelho de Ourique, nomeadamente, à freguesia de Panoias. Somos quatro apaixonados [pelo cante alentejano]”, acentua.
O tema de estreia, musicado por José Diogo Bento e cujo pré-lançamento teve lugar no dia 30 de março em Ourique, “é uma música alentejana com um toque muito leve e também muito carregado de emoção, porque é uma homenagem ao Alentejo e a todos os alentejanos espalhados não só por todo o País, mas também pelo mundo inteiro. É dedicada àqueles que nunca esquecem as suas origens, as suas raízes”.
Após anos a integrar vários grupos de cante alentejano, José Diogo Bento entende que chegou o momento de dar início a “um novo capítulo”, apostando, assim, numa carreira musical a solo. “Começou a surgir a ideia de fazer algo para mim, algo único, com a minha maneira de pensar. Absorvi muitas ideias, muitas coisas dos projetos por onde tenho passado. E 2025 fez com que nascesse um José Diogo concentrado apenas em si.
Naturalmente, nunca abdicando de certas parcerias e projetos que tenho. Mas quero mostrar um José Diogo diferente, mostrar que quero fazer algo único, algo que faz parte da minha história, virado para a minha voz, mas sempre respeitando as raízes e, ao mesmo tempo, partilhando o gosto e a paixão que tenho pela nossa música. [Quero] cantar o cancioneiro alentejano, mas também trazer algo de novo”, justifica ao “Diário do Alentejo”.
Embora goste de “estar acompanhado e de cantar junto de várias pessoas”, porque acredita que “o cante alentejano tem essa particularidade, que é a partilha, a união”, o músico reforça que quer “sair um bocadinho da zona de conforto, conhecer outras sonoridades, ter outros desafios musicais”.
Basicamente, “crescer de uma outra maneira”, resume, acrescentando que “também faz falta inovar”, até porque, defende, “a inovação é essencial para que no futuro possam surgir novos cantadores, novos compositores”. No entender de José Diogo Bento, “o cancioneiro precisa de ser renovado, precisa de ter novos valores, novas canções, novos poemas, de um certo toque de modernidade”. E é nisso, essencialmente, que se irá “basear”, respeitando sempre, como já referido, “a raiz”.
Ligado ao cante alentejano “praticamente desde o berço”, o músico revela que está já a trabalhar num segundo single, que será divulgado ainda durante o presente ano, sendo que o objetivo é reunir um conjunto de músicas, “uma boa parte originais”, que possam, depois, resultar num álbum, diz, sublinhando que “haverá também parcerias com outros compositores locais”. “Isso está tudo a ser pensado”, reforça o mestre ensaiador, adiantando que pretende “levar a música do Alentejo, a cultura da nossa região, a minha emoção e respeito por esta tradição, o mais longe possível”.
A carreira a solo de José Diogo Bento irá desenvolver-se, como já mencionado pelo músico, em paralelo com outros projetos, nomeadamente, o Campaniça Trio, “de promoção e defesa do toque da viola campaniça”, que integra com David Pereira e Pedro Mestre; o Grupo Coral Infantil do Concelho de Ourique, de que é ensaiador; as aulas de cante alentejano no Agrupamento de Escolas de Ourique, fundamentais “para criar sementes para o futuro”; as aulas de viola campaniça que leciona no concelho de Odemira através do Centro de Valorização da Viola Campaniça e do Canto de Improviso; as colaborações com outros artistas, “porque é assim que se aprende”.