Diário do Alentejo

Jornadas da caça arrancam amanhã em Mértola

01 de março 2024 -
Com uma jornada por mês, prolongam-se até outubro, culminando na Feira da CaçaFoto| DR

Começam amanhã, sábado, as II Jornadas da Caça em Mértola. Devido ao sucesso do ano passado, mas também à importância ambiental e económica que o setor cinegético tem para o concelho, a edição de 2024 terá mais um momento, no mês de agosto, prolongando-se até àquele que é o ponto alto da fileira em Mértola, com a realização da Feira da Caça, em outubro.

 

Texto Marco Monteiro Cândido

Foto DR

“Queres ser falcoeiro/a?”; “Rola-Brava e Coelho--Bravo: E agora?”; “Mértola é Caça!”; “Zonas de Caça Associativas e Municipais: Que futuro?”; “Queres ser caçador/a?”; “Dia do Caçador”; Congresso Ibérico de Ciência Aplicada aos Recursos Cinegéticos; e, finalmente, a Feira da Caça. É este o alinhamento das II Jornadas da Caça, que começam amanhã, 2, em Mértola, e que irão decorrer até outubro, à razão de uma por mês, culminando na Feira da Caça.

Tendo decorrido, em 2023, pela primeira vez, as Jornadas da Caça têm, neste ano, um figurino um pouco mais alargado, já que a Câmara Municipal de Mértola (CMM) decidiu acrescentar a jornada de agosto (“Dia do Caçador”), mais uma do que no passado, num total de oito. Algo que se deve ao sucesso da edição de 2023, segundo o presidente da CMM, Mário Tomé, mas também à necessidade de dar “substância e corpo” e um enquadramento “administrativo-legal” à designação de Mértola, “Capital da Caça”, através de um conjunto de atividades, eventos e ações.

“O primeiro ano foi um sucesso tremendo. Não tivemos nenhuma jornada que não tivesse as inscrições completas, ou seja, que não tivessem ficado pessoas de fora. Portanto, são condimentos mais do que suficientes para que, no ano seguinte, fosse quase obrigatório fazer as segundas jornadas da caça. Foi nesse sentido que surgiram e é neste sentido que lhes damos continuidade”.

Na primeira sessão das jornadas deste ano, “Queres ser falcoeiro/a”, haverá uma explicação sobre as características das aves, seguida de uma demonstração de caçada de falcoaria, com perdizes, patos, faisões e pombos, naquilo que, para Mário Tomé, será um exemplo da dupla componente que se pretende cumprir. “São jornadas da caça que também cumprem duas premissas muito importantes: a componente prática – com a captação de novos caçadores, com aprendizagem –, mas também a componente pedagógica, de aprendizagem, dos cuidados a ter, da forma como o caçador deve abordar a sua atividade.

E que promovem essa duplicidade e esse papel duplo de aprendizagem e de educação do caçador”. Um trabalho, acrescenta, que ajuda a desmistificar a relação do caçador com o mundo rural e com o equilíbrio dos ecossistemas.

“Em Mértola, enquanto município, fazemos tudo para cada vez mais deixar essa premissa, essa preocupação, cumprindo a nossa ação e método, mas também a nossa postura perante o meio ambiente. Nós temos evidências e estas é que determinam aquilo que pode ou não ser feito. Veja-se que a reintrodução do lince-ibérico foi conseguida no concelho de Mértola, que é, precisamente, o concelho do País com maior atividade cinegética, que promove essa garantia da regeneração, da sustentabilidade e da preservação do meio ambiente e dos ecossistemas”.

O papel preponderante que o setor da caça tem para o concelho de Mértola está patente não só na identificação que a população manifesta com esta fileira, mas também pela captação de públicos externos ao território, algo que, para o presidente da autarquia, é de extrema importância, de forma direta, mas também indireta.

“Nós temos um número alargado de pessoas que desempenham a sua atividade profissional e que têm o seu vínculo a um conjunto de instituições do concelho e que depois veem na caça essa complementaridade, ou seja, conseguem ter um complemento à sua atividade profissional no setor da caça.

E há a componente do turismo, sobretudo, hotelaria e restauração, em que nos meses menos fortes, de época mais baixa, a caça dá essa complementaridade, porque atrai um conjunto significativo de pessoas para o território. A vertente económica é também determinante e dá esse complemento”.

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