Diário do Alentejo

Carlos Vão: Hoquista

20 de fevereiro 2020 - 11:30

“Por ora quero dar tudo o que me for possível pelo Clube de Patinagem de Beja. Se alguma vez surgir a oportunidade de representar um clube de maior dimensão… enfim, sou sportinguista, sentiria orgulho em jogar no Sporting. É o meu sonho desde pequenino. Mas jogarei em qualquer outro clube que me apresente uma proposta interessante, porque eu gosto é de jogar hóquei em patins, seja onde for, desde que tenha mais alta competição do que em Beja. Vamos ver. Seria excelente”.


Texto e foto Firmino Paixão


Será, porventura, o mais valioso diamante da imparável “joalharia”, sobre rodas, do Clube de Patinagem de Beja. Carlos Vão nasceu em Beja, há 16 anos, é praticante de hóquei em patins desde os oito, um pouco pelo saudável contágio dos amigos e dos estímulos do treinador João Castilho, não dissociando da sua anuência à modalidade o tributo que quis prestar à memória de um tio, Carlos Aleixo, antigo praticante, e à avó, junto de quem quis amenizar essa perda, prosseguindo a prática da modalidade.


Jogou futebol, desporto que, afirma, não o cativou. “Gostava de jogar futebol, o meu irmão também jogava, nessa altura, no Despertar. Eu era muito novo, mas como a maioria dos meus amigos era jogador de hóquei, e eu passava muito tempo na casa de João Castilho, liguei-me à modalidade de uma forma muito natural, e sinto que a mudança para o hóquei em patins foi a decisão mais acertada”.


Carlos Vão recorda os primeiros passos, ou melhor, as primeiras quedas no pavilhão. “Foi a fase do cais e levantas-te. Mas era miúdo e nada me magoava. Todos os dias procurava ser melhor, para atingir o nível dos meus amigos, que se iniciaram bem mais cedo do que eu”.


O jovem hoquista está consciente de que “a patinagem é um processo muito importante para ser um bom praticante”. E acrescenta: “Ninguém será um bom hoquista se não for melhor patinador”. Por isso, o seu processo de “lapidação” passou por técnicos como o já referido João Castilho, mas também por Pedro Lucas, André Alves, Filipe Paulino e, atualmente, Nelson Faísco.


Fazendo questão de não minorar o mérito de nenhum dos seus mestres, confessa: “O Filipe Paulino era a referência, jogava nos seniores, era o capitão de equipa e sempre o vi como um ídolo. Aprendi muito com ele e gosto muito de jogar com ele no banco, porque o Filipe sabe aquilo que eu penso do jogo e transmite-me sempre ideias para que eu possa melhorar. Foi muito importante para o meu crescimento no hóquei em patins”.


Os títulos vão-se avolumando na sua, ainda curta, carreira. Há poucas semanas conquistou mais um regional de sub/17. “Já lá vão três anos, consecutivos, a conquistar o título regional. Temos ganho, por aí, umas taças e, nesta semana, iniciaremos o campeonato nacional. Tentaremos fazer o melhor possível para que possamos passar à próxima fase”.


Um pensamento moderado, próprio de quem já não é propriamente um estreante nestas andanças. “Já disputo campeonatos nacionais há cinco ou seis anos, mas, à medida que vamos ficando mais velhos, parece que o nível das outras equipas, relativamente à nossa, fica mais equilibrado”.


Uma análise perfeitamente pragmática, ou não se estivesse a falar do capitão da equipa sub/17, algo a que atribui especial significado. “O capitão é o jogador que tem de comandar a equipa. Tenho de lhes dar o exemplo. Motivar a equipa dentro do campo, transmitir a palavra do treinador lá para dentro, dar-lhes a maior confiança possível, para que obtenhamos resultados. Espero que vejam, também em mim, um jogador em quem possam confiar e que não me vejam como uma estrela, mas sim como um amigo e mais um jogador da equipa”.


A afirmação revela uma humildade própria dos campeões, pelo que o seu sonho é mais do que legítimo: “Um dia gostaria de ser convocado para a seleção nacional, acho que sou dedicado, trabalhador e tenho muita motivação. Gostaria, de um dia, representar o meu país, por isso, vou continuar a aplicar-me como tenho feito até agora”.


E o resultado tem sido excelente, porque Carlos Vão é o responsável por três quartos dos golos que a equipa produz, algo que desvaloriza. “Sem os meus colegas de equipa nada disso seria possível, só marco golos porque eles me passam a bola, os meus golos são tão importantes como as assistências que eles fazem e como a coesão defensiva e o papel dos guarda-redes. O importante é ganharmos jogos, independentemente de quem marca os golos”.


Porém, o hóquei em patins é apenas um hobby, uma saudável atividade desportiva a par de outros compromissos que não se podem ignorar, os estudos, tarefa que exige muito mais do que levar os livros à escola. “Claro. Absolutamente de acordo. Frequento o 11.º ano, da área de ciências, na Escola D. Manuel I, e nos estudos o padrão é idêntico ao do hóquei. Estudar o máximo para obter os melhores resultados. Não tenho ainda qualquer curso superior em mente. A meta é atingir o 12.º ano com as melhores notas, que me permitam ter um leque diversificado de cursos por onde escolher. Gosto muito de desporto, mas como a família tem um monte, talvez algo relacionado com agronomia ou semelhante”.

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