Diário do Alentejo

Francisco Ganço: A caminho do Belenenses

02 de julho 2019 - 09:15

Texto e foto Firmino Paixão


Esta definição de humildade, da lavra de um jovem futebolista de 15 anos é, pelo menos, a garantia de que, além da competência desportiva, reúne outras qualidades que caucionam uma prometedora caminhada, rumo àquilo que é o seu sonho.


Francisco Ganço é natural de Alvito, terra onde, muito jovem, iniciou a sua carreira desportiva. O valor e a capacidade que demonstrou já o levaram, primeiro para o Sporting Clube de Viana do Alentejo, depois para o Juventude de Évora e projetou agora para o Clube de Futebol Os Belenenses, depois de duas presenças no Torneio Interassociações Lopes da Silva e de um estágio de observação na seleção nacional de sub/15.


Francisco lembra: “Comecei a jogar futebol aos quatro anos. Joguei sempre em escalões superiores à minha idade. Lembro-me perfeitamente do dia em que comecei a jogar. Fui lá pela mão do meu pai. Comemorava quatro anos nesse dia e a inscrição nas escolinhas de formação do Grupo Desportivo e Cultural de Alvito foi uma das prendas de aniversário que os meus pais me deram. O meu pai nunca jogou futebol, o meu avô também não, foi mesmo uma paixão minha”.


Mostrando conhecer os problemas demográficos que pendem sobre a região, Francisco assinala: “Estamos num meio pequeno, não existem muitos jovens, e eu comecei de imediato a jogar. Recordo-me de ter feito o meu primeiro jogo contra uma equipa da Casa do Benfica de Évora”.


Bom aluno, concluiu o nono ano no Agrupamento de Escolas de Alvito, em cujo quadro de excelência já constou várias vezes. “Tenho mais ou menos tudo projetado na minha mente. Sei que o futebol pode não me garantir o futuro, por isso, quero completar o secundário e, tendo oportunidade, ingressar numa universidade para tirar uma licenciatura na área de desporto”.


Depois de cinco anos com a camisola do Alvito, mudou-se para Viana do Alentejo, onde ficou durante três temporadas até ser “descoberto” pelo Juventude de Évora, camisola que vestiu nas últimas duas épocas, ostentando a braçadeira de capitão de equipa.


O melhor momento deste percurso, que é ainda naturalmente curto, “foi, sem dúvida, termos conseguido a manutenção no nacional na época passado e ter sido convocado para o estágio de observação da seleção nacional”, diz.


“O Grupo Desportivo de Alvito, o meu primeiro clube, será sempre uma referência para mim, apesar de ter gostado de jogar no Sporting de Viana, e o Juventude Évora, onde estive duas épocas que me marcaram muito, sobretudo na primeira, em que começámos praticamente do zero e conseguimos o objetivo que era a manutenção no nacional”, lembra ainda.

 

“Humildade é a base de um forte espírito de entreajuda com os colegas de equipa. Passa por não esquecermos quem nos ajudou a crescer para atingirmos as nossas metas e, especialmente, ter sempre na nossa memória o sítio de onde viemos, saber onde estamos e por onde queremos ir. A humildade é uma das características essenciais num jogador. Quem quiser chegar a uma determinada meta, terá de ser humilde, é uma qualidade fundamental para se ter sucesso. Sabermos reconhecer os nossos erros e trabalharmos sempre, mais e melhor, para os corrigir”.

Médio defensivo ou médio centro, diz, que gosto de jogar “nas posições seis ou oito”. “Mas é difícil avaliar-me como futebolista, acho que sou um jogador mais de construção nas transições ofensivas”, salienta.


Uma jovem promessa? Ques-tionámos. “Não, o meu pensamento, neste momento, é trabalhar bastante para evoluir cada vez mais. Sou muito novo, tenho a consciência de que me espera um percurso de trabalho e de sacrifício e depois também é preciso alguma sorte”.


Esteve em dois anos consecutivos no Torneio Lopes da Silva, representando a seleção da Associação de Futebol de Évora, e terá sido aí que a estrelinha da sorte de Francisco terá brilhado: “Os Belenenses já estavam a acompanhar a minha carreira há alguns anos. O Torneio Lopes da Silva é uma grande montra, é o momento competitivo em que mais gente nos está a observar, temos muitos olhares sobre nós, mas nunca saberei se foi aí que me referenciaram. Sei que fui fazer um jogo de preparação com a equipa de Os Belenenses, gostaram da minha prestação e foi assim. Na próxima época, já de azul e branco, jogarei na equipa sub/16, que disputará o campeonato distrital da Associação de Futebol de Lisboa”.


Francisco elege o momento de assinatura do contrato com a equipa do Restelo como algo memorável. Passará a viver em Lisboa, mas continuará os estudos, e reconhece: “O clube acolheu-me muito bem quando lá fui pela primeira vez, gostei imenso, fiquei sensibilizado, é um clube simpático”.


No horizonte está uma possível profissionalização, mas o jovem sabe que primeiro tem de se focar “muito nesta etapa”. “Depois se verá se conseguirei dar um passo maior, desta vez foi um passo curto, mas já para um patamar importante. No futuro logo se verá se surgirão outras oportunidades, mas sei que terei uma porta aberta para novos caminhos e maiores desafios”.


No futuro, Francisco espera que o futebol lhe traga vitórias, lhe proporcione felicidade: “Trabalhamos para que elas sempre aconteçam. O futebol também proporciona novos conhecimentos, novas amizades e abre novos horizontes. Sei que me esperam muitos sacríficos, terei de abdicar de muitas coisas, mas é este o caminho por onde eu quero ir, é atrás deste sonho que eu corro”.


No entanto, garante que não se deslumbrará. “Serei sempre a mesma pessoa que era antes de dar este passo. Amigo dos meus amigos, amando a minha família. Quero chegar mais longe, mas serei sempre esta pessoa que sou hoje. Sei que o futebol tem um futuro incerto. Uma lesão, ou outro fator inesperado, pode acabar com o meu sonho. Lutarei para as coisas darem certas e manterei também o meu foco nos estudos”, conclui o jovem alvitense, não sem que antes tenha sublinhado o importante apoio que tem recebido da família.

 

 

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