Texto | Firmino Paixão
A quarta e penúltima etapa da 43.ª Volta ao Alentejo “Crédito Agrícola”, fará hoje a ligação entre Vila Viçosa e a serra de São Mamede (Alto das Antenas), em Portalegre, com uma extensão de 153,3 quilómetros. Será a denominada “etapa rainha”, um epíteto que no ciclismo se atribui às tiradas de alta montanha, normalmente, decisivas para o arrumo final das classificações. Mas, olhando para o que ficou para trás desde que o certame arrancou da cidade de Sines, temos de reconhecer nobreza a todas as etapas, porque em cada uma delas surgiu um novo líder, o que vem creditar esta edição da “Alentejana” de muita competitividade.
A partida da quarta tirada acontecerá na praça da República da não menos nobre Vila Viçosa, às 10:45 horas, rumando o pelotão para Elvas, Campo Maior (meta volante), Arronches (meta volante), Portalegre, Alto do souto da Relva ("Prémio de Montanha de 2.ª Categoria"), Monte Paleiros, Alto das Reveladas ("Prémio de Montanha de 2.ª Categoria") e Antenas de São Mamede ("Prémio de Montanha de 1.ª Categoria"), onde a chega se prevê que aconteça às 14:30 horas. Um desafio aos trepadores ou a atletas mais completos.
Sem qualquer tipo de especulação, apostaríamos na subida ao pódio de um novo (o quarto) líder, previsivelmente, da formação que lidera a classificação coletiva, a Anicolor/Campicarn, comandada por Ruben Pereira.
O dia de ontem foi preenchido pelo contra-relógio individual em redor da vila do Crato, com os ciclistas a pedalarem num percurso maioritariamente plano e sem grandes exigências técnicas. Os tempos foram caindo á medida que iam para a estrada os mais cotados nesta especialidade e o vencedor da etapa foi o russo Artem Nych (Anicolor/Campicarn) com o tempo de 27’ 54s, menos 40 segundos que o francês Ugo Fabries (UAE Team Emirates) e menos 43 que o belga Jens Verbrugghe (NSN Development Team), vencedor da tirada inaugural deste certame.
Artem Nych, vencedor das duas últimas Voltas a Portugal (2024 e 2025) venceu a etapa mas, ficou a escassos dois segundos de conquistar a “Camisola Amarela Crédito Agrícola”, que foi para o seu companheiro de equipa, o velocista Rafael Reis (na foto), seguramente o melhor contra-relogista português. Pode ser que a Serra de São Mamede seja talismã para Artem Nych, o russo que se refugiou em Portugal para fugir da invasão da Ucrânia. Mas atenção, Tiago Antunes, da Efapel Cycling está na terceira posição a, apenas nove segundo do líder e José Azevedo, director desportivo da formação vila-condense, pode estar a guardar trunfos para jogar uma última cartada.