Diário do Alentejo

Justos e sinceros…

20 de março 2026 - 18:00
Associação de Jovens de Brinches e o Cabeça Gorda cumprem calendário a pensar na Taça de Honra

O piso térreo do Campo de Futebol de Brinches, palco de jogos para a Associação de Jovens de Brinches, acolheu mais uma partida do Campeonato Distrital da 2.ª Divisão da AFBeja, desta feita entre o clube local e o histórico Clube Recreativo e Desportivo de Cabeça Gorda.

 

Texto e Fotos | Firmino Paixão

 

O jogo da primeira volta, no relvado sintético do Campo José Agostinho de Matos, terminou com um empate a quatro golos. Uma partida cheia desse tal condimento do futebol, que é a apoteose do golo. No reencontro entre as duas formações, em Brinches, no concelho de Serpa, em ambiente claramente muito amistoso, se havia contas para acertar elas ficaram saldadas, com o triunfo claro do “Ferróbico” por quatro bolas a uma, num piso térreo, muito difícil e, naturalmente, pouco convidativo para a prática desportiva. O Cabeça Gorda marcou primeiro, o Brinches empatou, mas os forasteiros ganharam nova vantagem e avolumaram o marcador. São duas equipas da mesma zona da tabela classificativa da série D do Campeonato Distrital da 2.ª Divisão, da Associação de Futebol de Beja (AFBeja). O Cabeça Gorda, na décima posição, com 14 pontos, o Brinches, um degrau abaixo, com 10. Atrás de ambos, apenas o “lanterna vermelha” da série, o São Domingos Futebol Clube. No que resta do campeonato, o Cabeça Gorda receberá o Louredense, o Brinches viajará para a Mina de São Domingos, mas ambos já com o pensamento na competição que se seguirá, a Taça de Honra da 2.ª Divisão.Na hora de avaliar a justiça do resultado, os técnicos foram unânimes. Ricardo Estrela, técnico do Brinches foi perentório: “O resultado foi justo. O Cabeça Gorda tem, neste momento, uma equipa mais forte do que quando jogámos lá na primeira volta. Nós hoje não estivemos muito bem, como não estivemos nas duas jornadas anteriores. Temos de ser justos e sinceros, não conseguimos ser melhores do que o adversário, que teve outros argumentos que nós não possuímos. Já fizemos o nosso campeonato, que até não foi mau. Quando vim para cá não tínhamos qualquer ponto, agora temos 10, já não somos os últimos. Estamos numa fase de recuperação, as coisas são mesmo assim”. A época não tem sido fácil, admitiu o antigo treinador do vizinho Piense. “Abracei este projeto porque já joguei aqui no campeonato do Inatel. Assumi o clube, mais por dever e por compromisso. Não podia dizer que não, numa altura em que não estava ligado a qualquer outro clube. Se, no passado, tinha feito algum sentido jogar cá, agora, mais uma vez, estou aqui a defender este clube, agora como treinador”. A uma equipa que vem dos campeonatos do Inatel, para o futebol federado, exige-se mais compromisso, outra atitude, admitiu. “Tenho sentido essas dificuldades, os jogadores são praticamente os mesmos, são jovens que trabalham na agricultura e que, na época das campanhas, não podem ser muito assíduos, mas, ultimamente, temos passado por uma boa fase, com muita regularidade nos treinos, no entanto, é sempre complicado mudar uma equipa habituada a competir àquele nível e torná-la competitiva para disputar campeonatos federados. Não vale a pena andarmos aqui com rodeios, porque a diferença entre o campeonato do Inatel e a segunda distrital é bastante grande, nomeadamente, ao nível do compromisso”. Porém, fez notar: “Estamos num contexto em que não podemos ter a melhor equipa do mundo, mas isto é como é, como pode ser, quando perdemos temos de sair de cabeça erguida”. O técnico, muito acarinhado pelas gentes ligadas ao clube, assume que o próximo desafio será uma boa participação na Taça de Honra e, quanto ao futuro, foi claro: “Logo se verá…” O olhar de Nelson Martins, treinador do “Ferróbico”, sobre o triunfo que acabava de conquistar, foi bem claro: “Acho que foi um triunfo justo, estivemos muito bem no jogo e merecemos a vitória”. A qualidade do jogo não terá sido a melhor, nem o palco o permitia, por isso, adiantou: “Na verdade, estamos habituados a treinar e a jogar num campo com piso sintético e aqui encontrámos um piso pelado. É totalmente diferente, não ajuda nada, é um jogo mais físico, onde é mais difícil controlar a bola e onde a questão física se sobrepõe à qualidade técnica”. Sobre a época em curso, fez saber: “Tem sido um bocado complicada. Temos feito alguns jogos bons, outros menos conseguidos, mas temos vindo a melhorar e as coisas, neste final de campeonato, têm corrido melhor”. O próximo jogo será frente ao Louredense, uma equipa da metade de cima da tabela, razão para Nelson Martins comentar: “Será um dos jogos mais difíceis que iremos disputar, mas os nossos jogos são todos para vencer, só que, às vezes, não conseguimos, porque os adversários são melhores”. No entanto, confessou: “Ficámos um bocado aquém daquilo que poderíamos ter conseguido. Tínhamos equipa para estarmos um bocadinho mais acima, mais perto daquilo que o clube já conseguiu outrora e a que, mesmo em tempos mais recentes, nos habituou, mas a ambição, agora, passa por sermos competitivos na Taça de Honra. Queremos recolocar o clube lá mais em cima, onde o ‘Ferróbico’ merece estar”.

Comentários