Diário do Alentejo

Os novos conquistadores

13 de março 2026 - 18:00
Renato Macedo (CD Pataiense) e Vítor Mota (Penacova First Bike) foram os vencedores absolutos em Ourique

Bruno Rosa (Casa do Benfica em Almodôvar) venceu a corrida de elites, em Ourique. Tiago Galhano (Team Danado) lidera o ranking, após as duas provas da Taça de Portugal. A Casa do Benfica em Almodôvar venceu, coletivamente, as duas primeiras provas, realizadas no Alentejo.

 

Texto e Foto | Firmino Paixão

 

Um pelotão com 189 ciclistas envergando jerseys de 21 equipas arrancou da praça Padre António Pereira, na vila de Ourique, para cumprir a segunda etapa da Taça de Portugal em Ciclismo em elites e masters amadores, uma organização da Federação Portuguesa de Ciclismo, delegada na Associação de Ciclismo do Algarve, com o apoio, inequívoco, do município de Ourique. O pelotão haveria de se dividir mais adiante, porquanto as elites e os masters 30 e 40 tinham um desafio de 109,9 quilómetros e os restantes escalões (master 50/60/70) apenas 55,3 quilómetros. A corrida rumou ao concorrido IC1, mas depressa entrou por uma estrada alternativa e em muitíssimo mau estado, em direção à pedreira dos Aivados. Quedas, furos e um considerável atraso no cumprimento dos horários previstos foram a consequência dessa decisão. O circuito estava traçado pelas localidades de Panoias, Santa Luzia e Garvão, com a meta final instalada na rampa da avenida 25 de Abril, frente ao edifício dos paços do concelho de Ourique. Numa terra de conquistadores, ou não tivesse a vitória sobre os mouros, na longínqua Batalha de Ourique, sido determinante para a independência de Portugal. A azáfama, os preparativos para a corrida iniciaram-se na Biblioteca Municipal Jorge Sampaio, um palco de letras, de leituras e de reflexões como a que nos fez fixar o olhar: “A leitura é uma coisa que se educa, que se ensina e que se aprende”, uma reflexão do falecido António Lobo Antunes, um arquiteto da palavra, cuja memória homenageamos.Com distâncias diferentes, os horários de chegada, obviamente, também foram diferidos. Na frente do pelotão dos mais veteranos, um grupo muito fracionando, chegou o corredor Vítor Mota, da equipa Penacova First Bike. Depois foi preciso esperar mais de uma hora para assistirmos ao sprint vitorioso de Bruno Macedo (CD Pataiense), um master 30 que, sobre o risco de meta, foi mais veloz do que o “benfiquista” Bruno Rosa (Casa do Benfica em Almodôvar). Ourique é uma terra onde o ciclismo teve uma forte implantação e mantém ainda alguma tradição. “O ciclismo é uma modalidade que está enraizada nesta população e que faz parte daquilo que é a história do desporto no nosso concelho”, sublinhou o presidente da câmara, Marcelo Guerreiro. E lembrou: “Ao longo dos anos, e em vários momentos, recebemos aqui várias provas desta modalidade. Hoje, em parceria com a Associação de Ciclismo do Algarve, foi com satisfação que recebemos esta prova da Taça de Portugal, porque foi mais um momento de dinâmica para o nosso concelho e também de estímulo para aquilo que é a oferta desportiva num território onde temos todas as condições para a prática desta modalidade”. O autarca fez notar que o eventual regresso de uma equipa de ciclismo, por exemplo, no Ourique Desportos Clube, “dependerá da dinâmica do clube e de quem o dirige, mas, da nossa parte, aquilo que for a sua vontade, a pretensão e a dinâmica, nós estaremos cá sempre para apoiar e para sustentar a prática desportiva no nosso concelho. A função do município é, essencialmente, proporcionar a oferta e a dinâmica desportiva e dar as condições ao movimento associativo para que isso possa acontecer”, adiantou. No dia em que se assinalava o Dia Internacional da Mulher, Marcelo Guerreiro afirmou: “É um dia importante face áquilo que são as exigências dos novos tempos, um tema que nunca deve ficar para trás, nem esquecido, que é a promoção da igualdade de género, a começar pelo desporto e pela oferta da prática desportiva, que ainda é mais reduzida para as mulheres, e isso deve fazer-nos reflectir, porque temos, todos, a responsabilidade de mudar essas consciências”. No momento de envergar a camisola de vencedor desta etapa da Taça de Portugal, Bruno Rosa (CB Almodôvar) assumiu: “A ambição é sempre para vencer, mas assumo que este tipo de percurso não me favorece, sou um atleta que me identifico mais com uma altimetria acentuada. Não havendo esse tipo de percurso, optei por sair para uma fuga e foi o que fiz até ao final da corrida”.Jorge Letras, um cubense de 69 anos, juntou-se aos filhos (João e Jorge), corredores do Grupo Parapedra, discutindo estas duas etapas da Taça de Portugal ao lado do campeão nacional de estrada e de contrarrelógio, Manuel Caetanita, e, numa como noutra, levou a melhor sobre o almodovarense. “Foi uma surpresa para mim” admitiu, justificando: “Estavam aqui adversários muito fortes, o caso do Caetanita, depois eu estive muito tempo sem competir, vim na brincadeira, com os moços, porque o bichinho está cá dentro. Ganhei ontem [Mértola], voltei a ganhar hoje, vamos lá a ver no futuro, mas também é preciso sorte”. Quanto à possível reativação do Centro de Ciclismo de Cuba, de que foi dirigente, deixou claro: “Já não há pessoas para isso, dá muito trabalho e são sempre os mesmos a fazê-lo, mas nunca se sabe o dia de amanhã”.

 

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