Diário do Alentejo

O futsal tem futuro

22 de fevereiro 2026 - 08:00
Associação Desportiva Cubense luta pela conquista da Liga de Honra Interdistrital de Futsal

A Associação Desportiva Cubense lidera a classificação da Liga de Honra Interdistrital de Futsal AFÉvora/AFBeja, após ter ganho ao Sport Clube Odemirense e ao Clube de Fu-tebol Estremoz.

 

Texto e Foto | Firmino Paixão

 

Os resultados dos próximos jogos, na noite de hoje, sexta-feira, em Odemira, e no dia 22, em Estremoz, serão decisivos para que o futsal cubense consiga o seu primeiro troféu. A modalidade entrou na vila de Cuba por iniciativa da Associação Cultural e Desportiva Luzerna, mais adiante como secção autónoma do Sporting Clube de Cuba e, nas últimas duas épocas, pela Associação Desportiva Cubense, fundada em 1 de julho de 2024. No último fim de semana a equipa sénior recebeu, no Pavilhão Municipal de Vidigueira, a formação do Estremoz, num jogo em que enfrentou algumas dificuldades, mas acabou por vencer por 8-4. José Montes, treinador da formação cubense, disse ao “Diário do Alentejo”: “Foi um resultado justo. Nós fomos um pouco melhores do que o nosso adversário. Não fomos muito melhores, mas quisemos mais. Admitimos que não foi um bom jogo da nossa parte, foi suficiente para conquistarmos os três pontos, mas ficámos com um sabor a pouco, em termos de exibição”. Foi visível que a equipa trabalha muito, é perfeita nas transições ofensivas, mas peca na finalização, admitiu. “É um problema que sentimos há vários anos, pelo menos desde que existe futsal em Cuba. Temos medo da baliza. Fazemos bem as transições, conseguimos criar oportunidades, mas rematamos pouco, pecámos por isso nos jogos que perdemos e em que poderíamos ter marcado mais golos”. Uma lacuna que poder ter deixado a equipa fora da qualificação para a fase final da Liga Interdistrital. “Claramente. Andámos a lutar até ao final pela qualificação mas, na realidade, pecámos um pouco por isso, naturalmente, que não terá sido só por isso que não o conseguimos, mas admitimos que teve alguma influência”. A associação disputou a Liga Interdistrital, competição que terminou no quinto posto, um lugar abaixo da qualificação para os quartos-de-final. “Houve uma altura em que estávamos bem posicionados, o que nos levou a acreditar que seria possível atingirmos os play-offs, lutámos por isso até ao final mas, na realidade, não o conseguimos”. Ainda assim, durante esta etapa competitiva a equipa conseguiu derrotar o Baronia e o Morense, dois adversários da metade de cima da tabela. “Foram dois jogos muito bem conseguidos. Estudámos essas equipas e conseguimos vencê-las. Noutros jogos, por limitações várias, ausências por motivos profissionais, lesões, castigos, não conseguimos contar com todos os jogadores, mas isso não pode ser desculpa para os maus resultados”, revelou o técnico, admitindo ainda: “Encaramos a Liga de Honra como uma competição em que teremos de manter a ambição com que disputámos a Liga Interdistrital. É uma competição que queremos ganhar, mas também nos serve de preparação para a Taça Distrito de Beja, competição que ainda teremos que disputar”.A Liga de Honra foi uma competição desenhada para as quatro equipas que não se apuraram para os oitavos da Liga Interdistrital – AD Cubense, Odemirense, Estremoz e Aldenovense –, prova de que a formação de Vila Nova de São Bento abdicou. “Foi pena”, considerou José Montes, acrescentando: “Quanto mais equipas estivessem em competição melhor seria, ficaram apenas três equipas, uma está sempre a descansar e isso quebra um pouco o ritmo competitivo. Teria sido melhor jogarmos todos os fins de semana até ao início da Taça Distrito de Beja. As paragens quebram as rotinas, os atletas relaxam sempre um pouco e isso é prejudicial”. A nota positiva é a evidência de que a modalidade está enraizada na vila de Cuba, admitiu, justificando: “É fruto do trabalho que tem vindo a ser feio por esta direção da AD Cuba. Desde que a modalidade saiu do Sporting de Cuba têm estado sempre a estimular o aparecimento de escalões de formação”. Atualmente a associação tem uma equipa de juniores, mas, adiantou José Montes: “Para o ano já estamos a pensar em fazer escalões mais baixos, infantis ou iniciados, porque o caminho é esse para que reforcemos as raízes que existem em Cuba e que consigamos desenvolver a modalidade no distrito de Beja. Quando joguei pelo Luzerna foi num campeonato de três equipas, por isso, espero que, no futuro, possam aparecer muitas mais, para que as competições sejam mais interessantes”. Quanto ao crescimento da modalidade no distrito de Beja, um tema que está recorrentemente a ser discutido, o treinador não tem dúvidas: “O futuro passará, inevitavelmente, por serem criados mais clubes e que aqueles que já existem possam também desenvolver os escalões de formação. Só desta forma se projetará a modalidade. Os nossos juniores jogam em Évora, sai muito caro ao clube, mas temos miúdos que querem praticar a modalidade e não os podemos limitar”.

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