O pelado do Campo das Eiras, na vila de Panoias, foi o palco para o reencontro do clube local, o Grupo Desportivo e Cultural de Panoias, e o Futebol Clube Pereirense, de Pereiras-Gare, no concelho de Odemira.
Texto Firmino Paixão
Uma partida relativa à décima nona jornada do Campeonato Distrital da 2.ª Divisão, da Associação de Futebol de Beja, numa tarde soalheira, fazendo esquecer as recentes adversidades climáticas, ainda assim, sem atrair grande moldura humana. No interior do rectângulo de jogo, com um piso muito bem tratado, duas equipas com objetivos diferentes, o clube local, sexto classificado na série C, campeão distrital deste escalão na época 2018/209, ainda com o foco na qualificação para a futura divisão de honra, e os visitantes, décimos da pauta de pontos, apostados em manter vivo o futebol enquanto ferramenta de valorização social na sua terra. O Panoias, que na primeira volta ganhara por uma bola a zero no terreno do adversário, em casa venceu por duas bolas. “Uma vitória muito justa, justíssima, eles não tiveram uma oportunidade de golo, praticamente não foram à nossa baliza”, considerou José Alberto Gonçalves, treinador do Panoias, admitindo: “Às vezes parece-nos fácil porque olhamos para a classificação e, depois, as coisas não correm tão bem. Nós facilitámos um bocado. A primeira parte não foi tão bem jogada. Por causa do vento não conseguíamos por a bola no chão. A segunda parte já foi melhor, já segurámos a bola, fizemos os dois a zero que nos deram tranquilidade”. O percurso da equipa, nestes dois terços de época, foi avaliado pelo técnico: “Queríamos estar lá em cima. O nosso objetivo era estarmos nos dois primeiros lugares, mas não conseguimos, por vários factores, lesões, jogadores a trabalhar, agora vamos olhar para a meta de conseguirmos ficar entre os quatro primeiros para passarmos para a futura divisão de honra”. O plantel, referiu José Alberto, tem qualidade, mas o recrutamento não é fácil, admitiu: “O Panoias teve que ir buscar jogadores ao Algarve, a maior parte do plantel vem lá de baixo, com jogadores de qualidade também aqui da região, de Panoias, das Ermidas, de Sines, mas não é fácil arranjarmos só jogadores da terra”. E deixou ainda a nota: “O que faz aqui falta é um piso sintético, mas as autarquias são quem terá de pensar e decidir sobre isso. Já nem deveria ser permitido jogar em pelados. Nas provas da Associação de Futebol do Algarve já não se joga em pelados, é tudo em relva natural ou sintética”. Quanto ao próximo jogo, no terreno do Luzianes-Gare, o treinador sintetizou: “É uma equipa boa, muito aguerrida, mas vamos lá para ganhar e prosseguirmos esta caminhada com mais três pontos. Estou confiante porque temos um calendário mais acessível, mas isso, às vezes, não conta”. Uma justificada ausência do treinador do Pereirense, Sérgio Tomás, obrigou o presidente do clube, André Santos, a delinear e comandar a estratégia da equipa. “Já o tenho feito noutras ocasiões”, assinalou. “Umas vezes com mais sorte, outras com menos, como foi o caso de hoje, apesar de termos feito um bom jogo, sobretudo, uma primeira parte muito boa, por isso, o resultado é um pouco em injusto”, acrescentou. O clube tem uma nova direção, procura um novo rumo, uma mudança de paradigma que André Santos não escondeu, porém, admitiu que liderar um clube em que a expressão do amadorismo é tão elevado é uma missão difícil. “É uma missão, porque acho que as aldeias da nossa região, especialmente, no nosso concelho, vivem do futebol ao fim de semana e nós, particularmente, não andamos ali para sermos campeões, estamos ali para darmos movimento à aldeia e será isso que as pessoas esperam de nós. Mas, claro, temos de ir melhorando as infraestruturas, para que consigamos mais do que participar e ficar nos últimos lugares. Queremos melhorar as condições e reforçar o grupo, isso é fundamental. Atualmente nem sequer existem condições para treinar, temos um pelado sem iluminação, juntamo-nos para os jogos”. Cá está a tal função social do desporto em territórios de baixa densidade. “Fundamentalmente, o que dá vida à nossa terra, ao fim de semana, é a caça e o futebol, porque mexem com a economia da nossa pequena aldeia que tem cerca de 100 habitantes. É essencial que o futebol possa movimentar as pessoas, agregá-las em torno de um objetivo e que, no final de cada jogo, possam conviver com as pessoas dos clubes que nos visitam”.As dificuldades, essas, só podem ser maiores do que os apoios, mas André Santos sublinhou: “Temos apoios do município e da junta de freguesia, mas temos também de criar as nossas próprias fontes de rendimento. Temos de ter noção que não podemos viver só à custa dos apoios da câmara e da junta”. O próximo jogo será com o Naverredondense, oportunidade para a equipa conquistar a segunda vitória na prova. “Iremos lutar por ela. Em todos os jogos lutamos pelo melhor resultado possível, seja com quem for. Queremos sempre dignificar o nome do nosso clube e da nossa terra”, concluiu.