A secção de pool português da Sociedade Recreativa e Desportiva Entradense (Entradas, Castro Verde) promove e valoriza a modalidade, mas é, também, uma ferramenta que contribui para um maior ecletismo da coletividade. Com dois anos de atividade conquistou um título distrital.
Texto Firmino Paixão
O pool português é uma variante, mais profissionalizada, do tradicional snooker. No Baixo Alentejo tem polos ativos em Odemira, São Teotónio, Odivelas e na vila de Entradas, divididos em duas zonas, “Beja Litoral” e “Beja Interior”. Fomos “roçar o giz pela sola do taco” à Sociedade Recreativa e Desportiva Entradense, onde José Maria Gil, vice-presidente da coletividade e percursor da atividade naquela vila do concelho de Castro Verde, confessou: “A secção surgiu porque eu já disputava alguns torneios privados que decorriam no sul do Alentejo e no Algarve, onde a modalidade já está a ser desenvolvida há alguns anos. Através de amigos meus, que também gostam de competir, decidimos criar aqui uma nova área de competição”. Ou seja, José Gil foi o “culpado” de tudo isto ter acontecido, naquele dia de outono de 2023: “Sim, de certa maneira. Fui eu e outro amigo, Diogo Santos, que, neste ano, não está a competir no Entradense, porque, por questões profissionais, teve de se deslocar para o Algarve e está a representar o Montes de Alvor, mas, na época passada, sagrou-se campeão distrital em representação do nosso clube”. Fica já o registo desse primeiro título conquistado pela coletividade, que tem uma equipa numerosa e com interessantes particularidades. “Temos 15 atletas, todos de Entradas, mas somos 13 homens e duas mulheres, temos de salientar isso. E apelo a que mais senhoras se juntem a nós, será sempre positivo para a modalidade, porque, atualmente, estas senhoras estão a competir connosco, porque não há mulheres suficientes para fazermos só uma série feminina. Atualmente, em Portugal, só existe competição feminina em pool português nos distritos do Coimbra, Lisboa e Porto”. A organização de seis provas open por época só por si dinamiza uma modalidade eminentemente de salão e que cabe por inteiro no interior de uma sociedade recreativa. “A modalidade tem acrescentado muito movimento à nossa sociedade, especialmente, nos dias em que se realizam os opens, mas mesmo nos períodos em que não existe competição oficial, e nós organizamos alguns torneios particulares, também sentimos o interesse e a presença das pessoas, além de virem jogadores da região Sul do País para participarem nesses torneios. Têm decorrido sempre com muito êxito, as pessoas têm sido bem recebidas e estão sempre a questionar quando é que realizaremos outras provas”. Por outro lado, fez notar José Gil: “Seguindo o exemplo de outros clubes, começámos a fazer transmissões em direto nas nossas redes sociais e isso dá-nos uma visibilidade enorme, expressa pelos milhares de visualizações que registamos enquanto decorrem os opens. É muito positivo para a modalidade e, enquanto jogadores, também nos torna conhecidos, porque, por vezes, sou abordado por desconhecidos revelando que acompanham os nossos jogos de snooker, que é como as pessoas chamam ao pool português”. Entre as competições oficiais, o clube organiza torneios particulares, alterando a rotina dos treinos sempre com os mesmos jogadores. É que treinar em ambiente de competição é mais desafiante e garante outro tipo de experiência. Os objetivos para os próximos tempos também estão definidos: acrescentar ao palmarés mais títulos distritais e presenças no campeonato nacional. José Gil explicou: “Na área de ‘Beja Interior’ nós, Entradense, com o Odivelas, temos um total de 25 atletas e os três primeiros classificados ao fim dos seis opens terão acesso garantido ao campeonato nacional. Depois, o primeiro classificado na área ‘Beja Interior’ irá disputar o título distrital com o primeiro classificado da área ‘Beja Litoral’, e o campeão poderá levar um quarto atleta ao nacional, sabendo nós que lá encontraremos atletas com uma formação diferente da nossa e que já competem há muito mais tempo. Mas temos constatado a nossa evolução, estamos muito mais experientes e capazes de ‘bater o pé’ a qualquer atleta”. Nada acontece por acaso, nem sem apoios que garantam a existência de um projeto com tamanha ambição, admitiu José Gil. “A Sociedade Entradense deu-nos esta abertura e o próprio município de Castro Verde também nos tem ajudado financeiramente, apoiando os processos de inscrição de atletas. Também fizemos uma candidatura ao orçamento participativo para aquisição de duas novas mesas, semelhantes às que se utilizam nos campeonatos nacionais. Conseguimos vencer e, em breve, teremos esses equipamentos na nossa sede”, concluiu.