Diogo Nobre, de 37 anos, licenciado em Educação Física e personal trainer de um ginásio na cidade Serpa, lidera o novo executivo do Centro de Cultura Popular de Serpa, empossado há cerca de quatro meses e que está focado no reforço da formação e no breve regresso à segunda divisão nacional.
Texto e Foto | Firmino Paixão
“Todos nós conseguimos ver que esta nossa equipa, quando quer, tem outro andamento. O nosso andamento não é de terceira divisão, embora em várias fases dos jogos pareça que é esse o nosso estatuto”, garantiu o novo presidente do clube, Diogo Nobre. E reconheceu: “Não é fácil eu ser o presidente do clube e, simultaneamente, jogador da equipa. O ideal seria eu estar completamente descansado só numa função, como jogador ou como presidente. Acontecerá um dia, mas, agora, ainda me sinto capaz de fazer alguma coisa pela equipa. Mas, sim, acho que com alguns reforços que possam chegar na segunda fase do campeonato, ou na próxima época, teremos condições de regressar à segunda divisão, que é o nosso lugar”.
Quais as motivações que o trouxeram para a presidência do Centro de Cultura Popular de Serpa?Sucedeu um bocadinho pela necessidade de existir alguém que quisesse assumir o lugar. O conjunto de pessoas que se propôs constituir esta direção achou que eu seria o indivíduo que tinha o perfil indicado, embora existissem outras pessoas nas mesmas condições. Mas eu há alguns anos que vinha dizendo que, um dia, ainda iria ser presidente do clube. Afinal, aconteceu mais cedo do que perspetivava.
Foi surpreendido com a antecipação daquilo que, afinal, eram as suas intenções…Sim, por um lado eu achava que já tinha condições para assumir esse compromisso, embora com o desempenho é que isso se possa confirmar. Com o tempo até posso vir a descobrir que não as terei, mas, obviamente, não espero que aconteça.
Duas pessoas olham sempre para um mesmo problema de forma diferente. O seu mandato será de rutura ou de continuidade com o passado?Nós trouxemos outra visão. Trouxemos uma renovação do andebol, porque a modalidade está em constante evolução. Este clube esteve, durante muitos anos, só a cargo de duas pessoas que tentaram, e conseguiram, fazer muito pelo clube, mas isso não chegava para podermos evoluir. Nós tínhamos outras ideias, outros projetos que queríamos implementar, mas queríamos ter a palavra toda e não meia palavra. Queríamos ter a tomada de decisão toda do nosso lado, daí ter surgido a nossa candidatura.
O anterior executivo geria o clube há cerca de 40 anos. Um tempo que gera cansaço e promove automatismos que não originam criatividade?Claro, por isso se tentou este rejuvenescimento. Por exemplo, há muitos anos que não se ia às escolas e nós, desde que assumimos o clube, já fomos umas três vezes e estivemos em 13 turmas. Fizemos um torneio e umas atividades com os miúdos do primeiro ciclo. Estamos incluídos no projeto do “Andebol For Kids”. Vamos, em breve, assinar um protocolo para desenvolvermos um projeto que é uma espécie de “ano zero do andebol”, em que os miúdos não precisam de sair da escola, ou seja, não precisarão de se deslocar ao pavilhão. Teremos um monitor colocado na escola para fazer esse trabalho de desenvolvimento da modalidade com os meninos do primeiro ciclo e, para o ano, os que quiserem, ou sentirem que têm talento, então, sim, querendo, poderão vir praticar no centro e nós conseguimos renovar os escalões de formação, que é o que mais nos preocupa. Se não existir formação, não existirão seniores.
Nuno Silva iniciou a época como treinador, mas já foi substituído por Mário Ribeiro…O Nuno tinha muita dificuldade em conciliar o desempenho de treinador desta equipa com a sua situação profissional, até porque também treina a equipa sub/16. Queria chegar a todo o lado, mas não estava a conseguir. Achámos por bem fazer essa alteração, até porque o Mário também é uma pessoa muito válida e está a fazer um excelente trabalho, assim como o Nuno estava a fazer, embora a falta de disponibilidade ameaçasse notar-se a longo prazo. Não quisemos deixar isso avançar, decidimos mudar um pouco a estratégia e jogar na antecipação. Um planeamento que não acontecia no passado.
O foco estará também na formação, como se depreende dessa intervenção nas escolas?Claro. É um compromisso nosso. Repare que no último jogo, com o Vela de Tavira, tivemos na equipa quatro miúdos dos sub/18, todos eles capazes de jogar e de assumir a titularidade. A evolução do jogo só permitiu a entrada de um deles, mas o Salvador entrou muito bem. Mas, sim, o que queremos é que a formação nos garanta as melhores opções.
Tomou posse há cerca de quatro meses. Já teve de tomar alguma decisão difícil?A decisão de mudar o treinador foi uma decisão naturalmente difícil, até porque joguei com o Nuno Silva vários anos e somos amigos. Nunca é uma conversa fácil, mas tornou-se fácil porque o Nuno entendeu que seria melhor para o clube e ele é uma pessoa que colocou sempre o clube à frente de tudo. Foi humilde o suficiente para respeitar a nossa decisão, que é sempre difícil, mas que a compreensão dele tornou fácil. De resto, acho que ainda não tomei mais decisões difíceis, pelo contrário, já adquirimos uma nova carrinha, no início da época reabrimos o bar, que terá de ser uma fonte de rendimento do clube e estava fechado há muitos anos. Uns dias serão melhores do que outros, mas se criarmos essa rotina, as pessoas terão conhecimento da sua existência. Não podemos estar apenas dependentes dos apoios da autarquia.