Um número crescente de participações nas vertentes de corrida e caminhada e a estreia de dois novos vencedores foram as grandes novidades da sétima edição da Corrida Viana-a-par-de-Alvito. Um bom exemplo de partilha intermunicipal entre as autarquias de dois distritos.
Texto Firmino Paixão
A sétima edição da Corrida Viana-a-par-de-Alvito contou com cerca de 380 inscrições nas variantes de caminhada (8,9 quilómetros) e corrida (12,77 km) e cerca de 340 participações nas corridas para os escalões de formação. A prova é uma organização conjunta dos municípios vizinhos de Alvito e Viana do Alentejo, tem o apoio técnico das associações regionais de atletismo de Beja e de Évora e anualmente alterna os locais de partida e de chegada. Neste ano a prova de estrada teve partida junto ao castelo de Alvito e chegada junto às ameias do castelo de Viana do Alentejo. Uma corrida entre castelos, em que os vencedores são os verdadeiros conquistadores. A prova deste ano ocorreu no passado domingo, 11, dois dias antes da comemoração do 128.º aniversário sobre a restauração do concelho de Viana do Alentejo. Reza a história em que a corrida alicerça a sua nomenclatura que “o rei D. Dinis de Portugal (1279-1325) tomou posse e passou a Carta de Foral, em 1313, à povoação que hoje é Viana do Alentejo, onde consta com a denominação de Viana-a-par-de-Alvito”. Tudo tem uma razão de ser. Posto isto, vamos à corrida. O interesse maior seria conhecer os sucessores de Ana Lourenço (NDC Odemira) e de Carlos Papacinza (Vasco da Gama Sines), que, na edição anterior, tinham sido os vencedores mas que, neste ano, não se apresentaram à partida. O mérito coube então à eborense Carolina Escada, atleta da Fundação Salesianos, cujos excelentes resultados em edições anteriores já justificavam a vitória. No setor masculino, a luta em pleno asfalto aconteceu entre Bruno Paixão (3 Santos Populares) e Nuno Lopes (Comércio Indústria, de Setúbal), que alternaram no comando da prova, acabando a vitória por sorrir ao setubalense. Mas não foi por acaso. Estávamos em presença do mais recente campeão europeu dos 10000 metros, em pista ao ar livre (escalão m35) e do vencedor da meia-maratona, competições realizadas na Madeira, que disputou com a camisola da seleção nacional. “Há três anos fui terceira, há dois anos fui segunda e, neste ano, finalmente ganhei a prova. Dizem que à terceira é de vez e, na verdade, assim foi”, desabafou Carolina Escada. E confessou: “O objetivo era ganhar, mas, principalmente, fazer esta prova como preparação para o campeonato nacional de estrada, que decorrerá neste final de semana na Figueira da Foz, onde quero bater o meu recorde pessoal, por isso, vim fazer um teste mais a sério para ver como é que o corpo reagia, porque recentemente estive doente, mas correu tudo muito bem”. Sobre a corrida em si, a triatleta revelou: “Gosto imenso desta corrida com percursos alternados, neste ano a vinda de Alvito para Viana favoreceu-me bastante. Pessoalmente gosto imenso de subidas e este percurso a partir do sétimo quilómetro tem algumas subidas bastante acentuadas, que são o meu ponto forte. O importante para mim não são as vitórias, e já tenho algumas, mas, sim, correr com saúde e com alegria, porque assim é que terá de ser”, registou a alentejana, que também já se estreou no Ironwoman.Nuno Lopes, o vencedor masculino, já vinha avisado para a dureza da prova, no entanto, admitiu: “Correu muito bem. Tentei andar forte na parte inicial, houve um percalço por ter faltado alguém a sinalizar o percurso por volta dos seis quilómetros, antes da igreja. Perdi-me um bocadinho e, de repente, vi-me no segundo lugar, quando eu vinha a liderar a corrida. Perdi alguma vantagem mas, desde aí, comecei a forçar, não desanimei, porque a boa forma está cá e acabei por vencer”. O atleta confirmou a dureza da prova que correu pela primeira vez e, ressalvando o incidente a meio do percurso, considerou: “A prova é excelente, tem tudo para crescer e valorizar-se”.