Oito seleções regionais de basquetebol (escalões de sub/12, sub/14, sub/16 e sub/17, masculinos e femininos) estagiaram no último sábado nas cidades de Beja e Elvas, todas focadas na sua evolução e valorização.
Texto Firmino Paixão
Um momento de formação, o sexto da época, que trouxe aos pavilhões bejenses seis seleções regionais de basquetebol – no municipal as masculinas e no de Santa Maria as femininas –, com o foco na projeção dos basquetebolistas da grande região alentejana, sobretudo, confidenciou o diretor técnico regional da modalidade, Luís Caeiro. “Para irmos ao encontro do sonho de alguns desses atletas de poderem integrar as nossas seleções nacionais. Esse é o nosso objetivo principal, potenciar os nossos talentos porque, na verdade, temos talentos tal e qual as outras regiões do País”, garantiu.
Uma importante mobilização de recursos: atletas clubes, selecionadores, famílias…É sempre difícil, mas, acima de tudo, sem os pais dos atletas nada funcionaria. Os pais são os motores de tudo isto. Os clubes estão organizados, a associação também. Trabalhamos muito bem em conjunto, mas no Alentejo nada funciona sem a participação dos pais. Eles são a nossa melhor bandeira. Por isso, procuramos estar sempre juntos e em contacto. Eles partilham os treinos connosco, assistem ao que é feito neste contexto de pavilhão a acabam todos por sair satisfeitos. Temos atletas um pouco espalhados por toda esta grande região do Alentejo, fazem imensos quilómetros para estarem presentes, mas essas são as características do nossos território, já sabemos como isto funciona e não nos queixamos disso, bem pelo contrário, essa não é uma barreira, porque os atletas estão aqui com vontade e com compromisso para melhorarem, para que, como referi, alguns deles possam realmente chegar à nossa seleção nacional de seniores. Esse é o futuro que desejamos.
Mas já existem bons exemplos…Sim, a esse propósito deixe-me registar que, nos últimos anos, temos andado a trabalhar bem, porque, atualmente, temos duas jogadoras já integradas no Centro de Alto Rendimento do Jamor, a Maria Janeiro, de Reguengos, e a Maria Alegria, de Beja, portanto, estão a trabalhar bem e são as duas jogadoras que estão mais perto desse sucesso, da possibilidade de terem essa porta aberta, no entanto, continuamos a ter, sobretudo, nas camadas mais jovens, atletas com algum talento que podem aspirar a integrar as nossas seleções nacionais nos próximos anos.
Estas ainda não foram escolhas definitas, estamos num momento precoce de seleção? Neste momento todos os grupos, desde os sub/12 aos sub/16, estão a trabalhar com 15 atletas. Este foi o último treino do ano de 2025, depois reduziremos os grupos para 14 atletas, porque teremos as provas do Algarve, onde só poderão estar 12 atletas e ficam dois como suplentes. Quando regressarmos, em fevereiro, os grupos já só terão os 14 atletas que representarão o Alentejo no Festival do Basquetebol Juvenil, em Albufeira, nas férias da Páscoa, onde competiremos com as outras seleções regionais. Os objetivos estão traçados, o que queremos é que todas as seleções aspirem a chegar às finais da divisão B, para ver se conseguimos o acesso à divisão A. O festival tem duas divisões, a divisão A com oito equipas, as restantes na divisão B. Queremos estar nesses momentos decisivos, por isso, andamos a trabalhar neste ano com mais tempo e com mais calma, para que tudo possa sair como desejamos.
Podemos concluir que todo este envolvimento é também um sinal de grande dinâmica e de afirmação do basquetebol alentejano?Claramente. Estou cá há relativamente pouco tempo – acho que seis anos é pouco tempo –, mas temos vindo a procurar, em conjunto com um grupo de selecionadores que, felizmente, faz um trabalho voluntário, disponibilizando horas para trabalharem em prol das seleções, fazer um esforço de grande planeamento, tentando perceber as nossas lacunas e o que precisamos de melhorar para que depois, nos clubes, porque todos os selecionadores treinam equipas dos clubes onde estão estes miúdos e estas miúdas, para podermos conciliar e aumentar o número de treinos e, neste momento, até os próprios pais começam a estar mentalizados de que temos de treinar mais, e logo a partir dos sub/12, que terão a Festa do Minibasquete em Paços de Ferreira. Por isso, porque trabalhamos muito com os atletas desse escalão, torna-se mais fácil quando progridem para os outros escalões os pais já estarem mentalizados para esta carga de treinos, sobretudo, em alturas mais concentradas. Tivemos o nosso estágio de Natal a 20 e 21 de dezembro, tivemos este estágio muito positivo neste dia 27, treinámos no dia 1 deste mês, portanto, só no mês de dezembro tivemos quatro momentos de trabalho com as seleções, o que em passado recente nunca acontecia. Estamos satisfeitos com o trabalho que está a ser desenvolvido.
A Associação de Basquetebol do Alentejo comemorou recentemente 37 anos de existência. Foi um momento de celebração para todos os agentes da modalidade?Na verdade, no dia 23 de dezembro celebrámos 37 anos de existência. São muitas as pessoas que passaram por aqui, dando corpo e alma a esta modalidade, numa região muito dispersa, mas, nos últimos anos, felizmente, tivemos um conjunto de pessoas que dedicaram a vida a isto e temos conseguido, aos poucos, atingir o patamar que nós queremos. Ainda temos um caminho a percorrer, a grande diferença, neste momento, é que todos sabemos onde queremos chegar e o que temos de fazer. Estamos a evoluir, sobretudo, ao nível do minibasquete, em que estamos a crescer a passos largos. Sem minibasquete não existirá futuro. Temos de agradecer a quem passou por cá nestes 37 anos. Muitos diretores, muitos treinadores, muito diretores técnicos, que deram muitos anos a isto, para podermos chegar onde chegámos. Sem passado não existe presente, muito menos existirá futuro.