Diário do Alentejo

Etson Barros (SL Benfica) e Emília Pisoeiro (CD Espite) repetiram triunfos na Corrida de São Silvestre em Beja

02 de janeiro 2026 - 08:00
Não há duas sem três…
Foto | Firmino PaixãoFoto | Firmino Paixão

Quatro edições na nova era das corridas de São Silvestre na cidade de Beja – outras aconteceram no passado – e a prova afirma-se e caminha para a sua consolidação. Os mais de 1200 participantes são a garantia do sucesso de uma competição que ainda carece de algumas afinações.

 

Texto Firmino Paixão

 

O algarvio Etson Barros, de 25 anos, fez-se atleta no Clube Oriental de Pechão, pela mão de Paulo Murta (ainda seu treinador), antes de ingressar no Sport Lisboa e Benfica. O seu mais recente feito, em alta competição, foi bater o recorde nacional dos 3000 metros obstáculos que, desde 2004, era pertença do atleta Manuel Silva. Vem há três anos consecutivos à Corrida de São Silvestre de Beja, venceu as três edições e promete voltar no próximo ano. Seja bem-vindo quem vier por bem, sobretudo, porque prestigia a corrida. Emília Pisoeiro, de 39 anos, polaca de nascimento, já com nacionalidade portuguesa, vive em Leiria e conquistou a segunda vitória na Corrida de São Silvestre de Beja. Bem conhecida pelos seus sucessos nas grandes provas disputadas na região, saiu de Beja para, no dia seguinte, vencer a São Silvestre de Avis, mas é na Escalada do Mendro em que mais a temos visto brilhar. Professora no Agrupamento de Escolas de Maceira (Leiria), fundou a sua própria escola de atletismo mas, atualmente, representa o Clube Desportivo de Espite (Ourém), emblema sob o qual vai enriquecendo o seu já muito prestigiado palmarés. Uma atleta que é também uma grande mais-valia para a prova bejense. São os grandes atletas que acrescentam prestígio às provas, porém, não devemos esquecer os anónimos que formaram uma multidão de 1262 participantes nas diferentes vertentes, corridas jovens, caminhada (cinco quilómetros), Mini São Silvestre (6,6 quilómetros) e a São Silvestre propriamente dita (10 quilómetros). “As comunidades vivem destas coisas”, garantiu Nuno Palma Ferro, presidente do município de Beja, salientando: “Este tipo de eventos proporciona que as pessoas se juntem, sobretudo, numa época tão especial como é a quadra natalícia. É uma aposta que a Câmara Municipal de Beja já faz há algum tempo e que, tanto quanto possível, continuará a fazer, até para acrescentar algumas coisas que ainda poderão não estar a cem por cento”. “Mas é, de facto, uma aposta ganha”, reforçou o autarca, até porque, lembrou: “Permite o convívio das pessoas na rua e nesta altura do ano também vêm bejenses de fora que aproveitam para estar com as famílias e ficam mais um ou dois dias para fazerem a São Silvestre, por isso estamos muito satisfeitos. É, de facto, um evento interessante, para continuar e dar alento para o futuro, porque este tipo de eventos fazem-nos falta”. Quanto aos vencedores, Etson Barros confessou: “Vim para Beja com a intenção de conseguir a terceira vitória. Foi uma prova interessante, esta alteração das quatro para as três voltas é mais benéfica para os atletas. Terminei mais forte e sinto que estou muito melhor do que no ano passado, por isso pretendo participar mais vezes nesta São Silvestre. Quem sabe se, no próximo ano, conseguirei o quarto triunfo. Durante a primeira volta senti que os adversários não quiseram arriscar muito, na segunda volta forcei um pouco, isolei-me e fiz o resto da prova sozinho”. Emília Pisoeiro não destoou: “Vinha com a ideia de vencer, não esperava ter uma concorrência tão forte como veio a acontecer, mas também estava confiante no meu bom momento e na capacidade para ultrapassar eventuais dificuldades que as outras atletas me pudessem criar. Acabei por vencer a prova, é a minha segunda vitória aqui em Beja, o percurso é um bocadinho ao meu jeito e isso já foi uma grande vantagem para que eu pudesse ter sucesso”. A concluir, admitiu: “Gosto deste percurso porque durante as três voltas conseguimos controlar melhor o nosso esforço, é melhor do que uma prova em linha, porque torna-se mais cansativo e não controlamos tão bem o nosso andamento. Teve uma ou outra subida, mas a pior dificuldade é o piso em calçada, isso é que torna esta prova mais exigente”.

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