A criminalidade geral no distrito de Beja baixou 7,3 por cento em 2024 em relação ao ano anterior. Quanto àquela considerada violenta, embora em menor escala, também registou uma descida de 4,7 por cento. Estes números são melhores do que os dados nacionais que apontam para um recuo da criminalidade geral de 4,6 por cento.
Texto | Aníbal FernandesFoto | Vasile Iavorovschi
Depois de quatro anos, entre 2020 e 2023, em que a criminalidade geral no distrito de Beja esteve sempre a subir, em 2024 assistiu-se a uma redução em relação ao ano anterior, de 5796 para 5371 casos. Também a criminalidade violenta registou uma evolução negativa, de 149 para 142 casos. Estes dados constam da versão provisória do Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) a que o “Diário do Alentejo” teve acesso.No conjunto do País, o número total de participações criminais foi de 354 878, menos 17 117 do que em 2023. Lisboa (-7,6 por cento) e Beja (-7,3 %) foram os distrito onde a criminalidade mais recuou. Em todos os distritos verificou-se uma descida das participações registadas, com exceção de Coimbra (+0,2%) e Évora (+0,1%), que apresentam uma ligeira subida.
Este relatório é elaborado anualmente com dados fornecidos pela GNR, PSP, PJ, ASAE, Autoridade Tributária e PJ Militar. Os dados recolhidos revelam que os crimes contra o património representam 52,4 por cento do total, enquanto os que são cometidos contra pessoas atingem os 25,9 por cento. “A violência doméstica e à integridade física são as tipologias criminais com maior número de participações”, lê-se no documento.“A criminalidade grave que tem como denominador comum a violência física ou psicológica, e que causa forte sentimento de insegurança”, registou 14 385 casos, um aumento ligeiro de 2,6 por cento. No entanto, os homicídios (89) foram menos um do que em 2023 e, dos quais, 23 foram cometidos em contexto de violência doméstica, que teve uma ligeira diminuição, mas ainda regista um número muito elevado (30 221). No que diz respeito ao crime de violação, 43,2 por cento são prepetados por alguém do círculo íntimo da vítima.
Em Beja, a criminalidade violenta registou 142 casos, menos sete (-4,7%) do que em 2023; em Évora assitiu-se a uma aumento de 131 para 156 (+25%); em Portalegre, de 112 para 146 (+30,4%). Já no que respeita à violência doméstica, em Beja o recuo foi de 419 para 409 (-2,4%); em Évora, de 415 para 407 (1,5%); em Portalegre, de 418 para 358 (-14,4%).
Imigração ilegal No caso da imigração ilegal assitiu-se a uma diminuição de 29,6 por cento, “mas com mais arguidos constituídos”. Já no que diz respeito ao tráfico de pessoas (343 no total nacional) a diminuição foi de 12 por cento e ocorreram, principalmente, em situações de exploração laboral na agricultura sazonal, restauração e turismo, construção civil e trabalho doméstico. A sua prevalência territorial ocorre nos distritos de Beja, Faro e Viana do Castelo.Nesta tipologia de crime enquadra-se a angariação de mão de obra ilegal, o auxílio à imigração ilegal, o casamento por conveniência e a violação da interdição de entrada em território nacional. No distrito de Beja a maioria dos 30 casos confirmados tem a ver com o tráfico laboral no setor da agricultura.
Crimes de furto No que diz respeito aos crimes de furto no distrito de Beja, particularmente, no setor agrícola, os números são os seguintes em comparação com o ano anterior: de animais em explorações agrícolas, 581 em 2023, 553 em 2024; de combustível em máquinas industriais ou agrícolas (426/319); de máquinas industriais ou agrícolas (272/288); de produtos agrícolas (1253/1279).Ainda no distrito de Beja, a criminalidade geral caracteriza-se por condução sob a influência do álcool (326/-36,2 por cento); violência doméstica (343/-5,2%); ofensa à integridade física violenta simples (368/-11,5%); ameça e coação (321/0,0%). Já a criminalidade violenta registou 34 casos (-1,4%) na forma de resistência e coação sobre funcionário; roubo na via pública exceto esticão (27/+11,5%); ofensa à integridade física voluntária grave (19/-5,0%); roubo por esticão (13 (+30%).
Delinquência juvenilA delinquência juvenil (atos criminosos praticados por indivíduos com idade entre os 12 e os 16 anos) registou um aumento de 12,5 por cento a nível nacional. Não existem dados em separado por distrito, mas nos “ilícitos em ambiente escolar” é o quarto com menos casos relatados, com 111. No polo oposto aparece Lisboa (2044) e Porto (1133). Na região do Alentejo, Évora registou 119 e Portalegre 113.
