Diário do Alentejo

Peça a peça, o puzzle das Autárquicas vai-se compondo

05 de abril 2025 - 08:00
Com eleições legislativas pelo meio, os nomes dos candidatos vão sendo revelados a conta-gotas

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A cerca de seis meses das eleições autárquicas – que deverão acontecer no final do mês de setembro, início do mês de outubro –, o puzzle dos candidatos às câmaras municipais, assembleias municipais e assembleias de freguesia (juntas e uniões de freguesia) começa a ganhar forma no distrito de Beja. O “Diário do Alentejo”, ao longo dos próximos meses, irá, regularmente, fazendo o ponto de situação no que diz respeito aos nomes que vão sendo revelados para os diferentes órgãos autárquicos.

 

Texto Marco Monteiro Cândido

 

A pouco e pouco vão sendo conhecidos os candidatos às eleições autárquicas para os diferentes órgãos municipais dos 14 concelhos do distrito de Beja. No caso das câmaras municipais, a tónica coloca-se, por agora, nas hipotéticas recandidaturas de alguns dos autarcas que se encontram em funções e que ainda não revelaram as suas intenções.

 

Os candidatos confirmados

 

Em Aljustrel, para a câmara municipal, depois da “surpresa” que foi o atual presidente, Carlos Teles (PS), não se recandidatar, dando lugar ao, ainda, deputado na Assembleia da República e antigo presidente da Câmara de Aljustrel, Nelson Brito, como cabeça de lista da candidatura socialista no concelho mineiro, ainda não surgiram quaisquer outras confirmações de candidatos. Até ao momento, independentemente do partido e do órgão municipal, as máquinas partidárias locais não tornaram públicas as suas escolhas. Sendo a grande disputa, tradicionalmente, entre PS e CDU, ainda não é uma incógnita se os comunistas repetem a escolha de 2021 para a corrida à câmara municipal, o vereador sem pelouro, Fernando Ruas.

Em Almodôvar também pouco se sabe. O que é conhecido são os candidatos dos partidos que dirigiram a câmara municipal nas últimas décadas. Pelo PS, Ana Carmo, atual vice-presidente, na linha de sucessão à autarquia depois de o atual presidente, António Bota, estar a cumprir o último de três mandatos permitidos por lei. Já do lado do PSD, Tadeu Freitas é o candidato escolhido, tentando recuperar uma das únicas autarquias do distrito que já foram lideradas pelos sociais-democratas (a par de Ourique), perdida, precisamente, há 12 anos, para os socialistas.

Alvito é outro dos concelhos liderados pelos socialistas, no caso, por José Efigénio, que se encontra a cumprir o primeiro mandato. Sobre a sua recandidatura à câmara municipal, ainda não há confirmação oficial, ao contrário dos comunistas, que apresentam David Serra na corrida.

Em Barrancos o cenário é similar a Alvito, mas os papéis invertem-se. No caso, Leonel Rodrigues (CDU), a cumprir o primeiro mandato à frente do município, ainda não revelou se repete a candidatura. O PS já anunciou que Bela Filipe é a sua escolha para a câmara municipal.

Na capital de distrito, Beja, já foram confirmadas as candidaturas de Vítor Picado (CDU) e de Nuno Palma Ferro (PSD) à câmara municipal. No entanto, o tabu mantém-se em torno da recandidatura de Paulo Arsénio (PS), que se encontra no seu segundo mandato. Quanto aos restantes órgãos autárquicos, ainda nada foi confirmado.

Em Castro Verde o cenário também ainda é de sigilo absoluto. Confirmada está apenas a recandidatura de António José Brito (PS) à câmara municipal para um eventual terceiro mandato.

O concelho de Cuba será, certamente, um dos quais onde as Autárquicas serão seguidas com especial atenção e curiosidade. O atual presidente da câmara municipal, João Português (CDU), encontra-se no último mandato. Ensinam os compêndios de estratégia eleitoral que a mudança de ciclo é, sempre, uma grande oportunidade para haver mudanças partidárias. João Português já anunciou a sua candidatura a Ferreira do Alentejo, tendo os comunistas indicado como seu candidato João Duarte Palma, atual presidente da assembleia municipal. Na semana passada a corrida à câmara ganhou um novo atrativo com a candidatura do ex-presidente socialista, Francisco Orelha, que liderou a Câmara de Cuba entre 1996 e 2013 e a perdeu há precisamente 12 anos para João Português. O PSD anunciou a candidatura de Lígia Araújo e, de resto, nada mais se sabe.

Em Ferreira do Alentejo, Luís Pita Ameixa (PS) quer continuar à frente dos destinos da câmara municipal, tendo anunciado a recandidatura a mais um mandato, o terceiro. João Português, vindo do concelho ao lado, Cuba, é a escolha dos comunistas para as Autárquicas. O Chega anunciou Octávio Costa como candidato à câmara municipal. Por agora, é o que se conhece.

Mértola é um dos concelhos de que menos se sabe. Nem sequer está confirmada a recandidatura do atual presidente da câmara municipal, para um segundo mandato, Mário Tomé (PS).

Moura é um dos concelhos em que a definição de candidatos está mais adiantada. Álvaro Azedo (PS) anunciou a recandidatura à câmara municipal para um terceiro mandato, André Linhas Roxas (CDU), Rui Sousa (PSD) e Rui Rodrigues (Chega) são também candidatos à autarquia. No que diz respeito à assembleia municipal, apenas está confirmado David Pires pelo Chega. Por fim, quanto às juntas de freguesia, apenas a CDU já confirmou grande parte dos seus candidatos. Assim, Tiago Batista (38 anos, técnico de Gestão do Ambiente na Escola Profissional de Moura) é o candidato à Amareleja, Fábio Caçador (37 anos, profissional do setor imobiliário) a Safara e Santo Aleixo da Restauração, Rui Pinto (66 anos, técnico profissional de Animação Cultural aposentado) a Moura (Santo Agostinho e são João Baptista) e Santo Amador e Hélder Raposo (42 anos, professor na Escola Profissional de Moura) a Sobral da Adiça.

Em Odemira ainda não se sabe se o atual presidente de câmara, Hélder Guerreiro (PS), se vai recandidatar. Confirmados estão os nomes de Ana Cortes (PSD) e Rui Campos Silva (Chega).

Quanto ao concelho de Ourique, Marcelo Guerreiro (PS), atual presidente de câmara a cumprir o segundo mandato (eleito em 2013 como vereador, com funções de vice-presidente, assumiu a autarquia em 2015, em substituição do presidente da altura, Pedro do Carmo, que foi eleito para a Assembleia da República (AR), não contando, no entanto, esses dois anos para a limitação de mandatos), ainda não revelou a intenção de se recandidatar. Apesar de a regra, no PS, ser a recandidatura de autarcas em exercício, Marcelo Guerreiro ainda não o confirmou. Tal como a hipotética candidatura de Gonçalo Valente (PSD), como há quatro anos, eleito, entretanto, deputado à AR e novamente candidato a deputado nas Legislativas de 18 de maio. Confirmada apenas está Idalete Brito (Chega).

A par de Moura, Serpa é o outro dos concelhos em que a definição de nomes está mais adiantada. O atual presidente da câmara municipal, João Efigénio Palma (CDU), não se recandidata para um segundo mandato. Assim, os comunistas avançaram com o nome de João Dias, antigo deputado. O PS avança com Francisco Picareta, o PSD com Ana Moisão e o Chega com Mário Cavaco. Para baralhar as contas, João Rocha, como independente, também anunciou a sua candidatura à câmara municipal. Nos restantes órgãos autárquicos, o PS avançou com os nomes de Ricardo Mestre para a assembleia municipal e de Ivo Garcias para a União das Freguesias de Serpa (Salvador e Santa Maria).

Por fim, porque a ordem alfabética assim o dita, em Vidigueira também há já uma série de candidatos escolhidos. Rui Raposo (CDU), no segundo mandato, já anunciou a sua recandidatura. Do lado do PS, Ricardo Bonito é o nome escolhido. Já o PSD escolheu António Maldonado. No que diz respeito às juntas de freguesia, apenas o PS revelou já alguns nomes: Rui Batuca (37 anos, assistente técnico na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados de Vidigueira) para Pedrogão, David Martins (38 anos, talhante) para Selmes, Verónica Galvão (32 anos, licenciada em Desporto e funcionária da Câmara de Vidigueira) para Vidigueira e Diogo Conqueiro (32 anos, trabalha no setor do enoturismo e é o atual presidente da junta de freguesia a que se recandidata) para Vila de Frades.

A pouco e pouco, peça a peça, o puzzle das Autárquicas vai-se compondo.

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