Diário do Alentejo

Marvel Lima regressam aos discos com "Mal passado"

04 de março 2020 - 14:15

“Uma boa oportunidadede juntar amigos e abanar a anca”

 

Fundada em Beja, em 2014, a banda Marvel Lima foi, dois anos depois, finalista da 20.ª edição do emblemático Festival Termómetro, que já lançou nomes como Ornatos Violeta, Capicua, Ana Bacalhau, Mazgani, Richie Campbell ou Silence4. Nesse mesmo ano editou o seu primeiro disco, homónimo, cujo single “Mi vida” ocupou, durante várias semanas, as playlists de várias rádios nacionais. Quatro anos depois prepara-se agora para publicar o seu segundo trabalho de inéditos, intitulado “Mal passado”.
Marvel Lima estão de volta com “Mal passado”, disco apresentado ao vivo no passado dia 13, no MusicBox, em Lisboa, e que, refere a banda, “assume reminiscências do lounge jazz e smooth funk, relembrando David Axelrod e Azymuth, enquanto se mantem fiel à sonoridade groovada e rockeira do seu disco antecessor”.


Texto José Serrano

 

“Amistad, eres una utopia”, diz o refrão do tema “Amistad”, segundo single deste novo trabalho e possuidor de uma forte batida de rock latino, diria. É esta frase uma metáfora para os novos contactos sociais desta era digital?


Sem dúvida que sim. Liricamente todo o disco é marcado por referências, mais ou menos evidentes, à forma e meio de comunicar e o que na realidade se perde, muitas vezes, em comunicar olhando através de um dispositivo tecnológico. “Amistad” é o tema que aborda a temática redes sociais de forma mais evidente, como forma de comunicar e como parte integrante das nossas vidas, em detrimento de um contacto mais pessoal, cara a cara, que permita uma “verdadeira ligação” como cantamos no final da música.


Uma estratégia para pensarmos no que estamos a perder, na troca do virtual pelo real, enquanto dançamos, preferencialmente, acompanhados?


Idealmente, esse é o nosso objetivo. O disco tem muito de autorreflexão. Somos de uma geração que viu nascer as redes sociais e que fomos afetados, para o bem e para o mal, por elas, tal como o público a que queremos chegar. O tema já foi tão discutido que, na generalidade, todos sabem os seus benefícios e desvantagens, cabendo a cada um gerir a balança real/virtual. Ouvir este disco é uma boa oportunidade de juntar amigos e abanar a anca, visto que tentámos criar a nível instrumental uma vibe que fizesse o pessoal, pelo menos, bater o pé de forma descomprometida.


Até que ponto pode o rock amplificar essa capacidade de nos questionarmos, de conseguirmos olhar para o mundo de ângulos diferentes?


Acho que a música, independentemente do género, tem esse poder. A partir do momento que algo cria emoções em ti, vais sempre ser levado a questionar certas coisas. Na música isso pode ser feito de forma mais direta, através de letras que abordem temáticas importantes da sociedade ou simples coisas que nos afetam a todos nós, ou indiretamente e de forma mais relaxada. É muito comum ouvirmos um instrumental e sermos levados para sítios e pensamentos que através de uma simples reflexão talvez não fossem atingíveis.

 

Sugestões para uma conveniente audição deste “Mal passado”?


Numa piscina ou terraço soalheiros, com aqueles amigos do “temos de combinar um café”, entre as cinco e as oito de uma tarde de verão e com o volume mesmo ali no meio, para aquele equilíbrio lounge entre dança e a capacidade de comunicar de forma agradável.

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