Diário do Alentejo

Projeto de 8,2 milhões para ampliar parque de ciência

23 de janeiro 2020 - 08:15

O Parque do Alentejo de Ciência e Tecnologia (PACT), em Évora, quer arrancar este ano com a ampliação das suas instalações, num projeto de 8,2 milhões de euros, com apoios comunitários, “assinado” pelo arquiteto Carrilho da Graça.O PACT é uma das vertentes do Sistema Regional de Transferência de Tecnologia (SRTT), que envolve mais de 30 parceiros do Alentejo, como a Universidade de Évora, os politécnicos de Beja, Portalegre e Santarém, empresas e outras instituições da região.

 

Esta segunda fase do PACT “é um projeto que não nasceu de um dia para o outro, é fruto de bastante pensamento e pesquisa” e, para a concretizar, “convidámos o arquiteto Carrilho da Graça, conhecido mundialmente e que já ganhou todos os prémios que há para ganhar, e ele aceitou o desafio”, destacou à agência Lusa o presidente executivo do parque, Soumodip Sarkar.

 

Segundo o responsável, que é também vice-reitor da Universidade de Évora para as áreas da Inovação, Cooperação e Empreendedorismo, o projeto apresentado pelo arquiteto “é muito diferenciador”, apresentando “6.100 metros quadrados de área” e sendo constituído por “quatro edifícios”.

 

Estas novas instalações, cujo projeto foi alvo de candidaturas a apoios comunitários, através do POCTEP - Programa de Cooperação INTERREG V-A Espanha-Portugal 2014-2020 e do programa operacional regional Alentejo 2020, ambas aprovadas no ano passado, vão ficar localizadas num terreno contíguo ao atual edifício do PACT, inaugurado em setembro de 2015, após um investimento de 3,6 milhões de euros. “A nossa infraestrutura atual tem 14 empresas e é uma estrutura de ponta, mas não está a conseguir cumprir a visão e ambição de criar um ecossistema de inovação. Com o novo espaço, vamos contar com mais cerca de 60 empresas, algumas delas com áreas de 200 metros quadrados”.

 

Segundo Soumodip Sarkar, o Alentejo “é uma região com um potencial enorme em todos os sentidos e, sem fazer nada, o resto do mundo vai acabar por descobri-lo”, mas “o que o PACT pode fazer é acelerar esse processo”. “Não estamos só a falar da vinha e da cultura e do turismo e de todas essas qualidades que a região tem. O Alentejo tem muito conhecimento e tecnologia, que muitas vezes não sai para fora, e o papel da Universidade de Évora e dos institutos politécnicos de Beja e de Portalegre é muito importante”..

 

Segundo refere, “como Lisboa está na rota das ‘start-ups’ mundiais, mas está a ficar saturada e não tem espaço”, o PACT, com instalações que permitam criar esse ecossistema dinâmico e de inovação ligado às tecnologias, pode assumir-se como alternativa. “Temos muitas empresas interessadas em virem para cá que nos contactam. E não é uma coisa regular, mas, pontualmente, há algumas ‘start-ups’ internacionais, algumas delas americanas, que me perguntam se tenho espaço. Tenho que lhes dizer que, por enquanto, não”, afirmou, insistindo que “há uma necessidade fundamental de ampliar” as instalações.

 

No que respeita a esta segunda fase, João Assunção, gestor do PACT, um dos edifícios, aquele que é financiado pelo POCTEP, “está mais avançado”, encontrando-se em fase de elaboração dos projetos de especialidade e de execução. “O restante projeto, financiado pelo Alentejo 2020, que só foi aprovado mais tarde, tem alguns meses de diferença”, mas, segundo o PACT, “a primeira parte das obras deverá ser adjudicada ainda no início do segundo semestre” e “a outra adjudicada e eventualmente a empreitada começar até final do ano”, para que as instalações comecem a funcionar “no primeiro semestre de 2022”.

 

As novas instalações vão estar vocacionadas para empresas nas áreas da aeronáutica, devido à presença de empresas como a Embraer e a Mecachrome em Évora e o ‘cluster’ neste setor na região, tecnologias da Saúde, ambiente e economia circular e tecnologias da informação e comunicação (ou “Internet of things”).

 

“As empresas que aqui se fixarem”, que não têm necessariamente de ser ‘start-ups’, mas podem ser “as componentes de investigação e desenvolvimento de empresas nacionais ou internacionais já com alguma dimensão”, têm como obrigação estabelecer “ligação com centros de saber e conhecimento do Alentejo, da Universidade de Évora, dos politécnicos ou com centros de investigação” da região, alertou Soumodip Sarkar.

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