Diário do Alentejo

Trabalho contra alterações climáticas é “de longo prazo”

11 de setembro 2019 - 16:00

O ministro da Agricultura, Capoulas Santos, defendeu que deve ser desenvolvido um trabalho de “longo prazo” para combater os problemas causados pelas alterações climáticas, envolvendo nesta estratégia o cooperativismo, a ciência e os instrumentos políticos. “Temos que nos adaptar, temos que mitigar estas consequências e isto é um trabalho de longo prazo, de longo folgo e que tem de ser desenvolvido em diversas frentes. E para isso só a cooperação e a ciência e, naturalmente, os instrumentos de política que possam ser depois mobilizados para a resolução concreta dos problemas é que podem dar a resposta”, disse.


O ministro da Agricultura falava aos jornalistas em Elvas, no distrito de Portalegre, à margem do seminário “Alterações Climáticas: que Desafios para o Setor Agroflorestal Nacional?”, iniciativa promovida pelo Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária (INIAV), durante o qual teve lugar a cerimónia de assinatura do protocolo de constituição e funcionamento do Centro Nacional de Competências para as Alterações Climáticas do Setor Agroflorestal (CNCACSA).

 

Para Capoulas Santos, o Governo já está no terreno a combater os problemas causados pelas alterações climáticas, dando como exemplo as políticas que estão a ser desenvolvidas em redor da água e do regadio. “Nós neste momento temos aprovados e em execução mais de 320 projetos de regadio, que corresponde a um apoio público já atribuído na ordem dos 333 milhões de euros, sendo que, até 2023, iremos investir um montante global de 560 milhões de euros para mais cerca de 100 mil hectares de regadio, metade dos quais, ou cerca de metade dos quais, significa a ampliação do Alqueva”.

 

“Gostaria de lembrar que tinha sido dado concluído, em 2012, nos seus atuais 120 mil hectares, portanto há um aumento de quase um terço da área de rega do Alqueva, com a mesma água, o que significa que somos mais eficientes porque vamos regar mais com a mesma água, é porque vamos gastar menos água por hectare”, acrescentou.

 

O ministro da Agricultura sublinhou, no entanto, que há a “necessidade” de obter respostas sobre quais são as variedades e os métodos menos utilizadores de água, surgindo essa resposta através da tecnologia e da ciência. “Através da ciência e através da tecnologia encontrar soluções de forma a que, possamos a manter o nosso modelo de vida e modelo de sociedade, pese embora estarmos todos conscientes que profundas mutações no clima ocorrerão nas próximas décadas no mundo inteiro, mas com particular incidência na zona geográfica onde Portugal está inserido”.

 

O CNCACSA vai ficar instalado na Estação Nacional de Melhoramento de Plantas, em Elvas, tendo o mesmo mais de uma dezena de entidades gestoras, como a Associação Nacional dos Produtores de Milho e Sorgo (ANPROMIS), a Agência Portuguesa do Ambiente (APA) ou a Direção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural (DGADR). Este projeto conta ainda com 40 parceiros, destacando-se a participação de várias universidades e institutos politécnicos.

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