Diário do Alentejo

Greve dos motoristas não preocupa padarias do Alentejo

12 de agosto 2019 - 16:00

O tradicional pão alentejano não deverá faltar nos próximos dias, por as empresas terem 'stocks' de farinha e de combustível, mas deixará de "enriquecer" as mesas se a greve dos motoristas se prolongar. Numa ronda feita pela agência Lusa por padarias de Évora, Beja e Portalegre, não foi demonstrada ainda preocupação com a greve, tanto quanto à produção, como à distribuição deste produto identitário do Alentejo.

 

No entanto, se a paralisação se estender no tempo, os padeiros receiam que comece mesmo a "faltar pão". A partir de Beja, a Fermentopão vende diariamente “cerca de cinco mil pães”, distribuídos sobretudo nesta cidade e em Moura, Évora, Lisboa e Algarve, tendo o dia corrido “de forma normal”. “Durante os próximos três ou quatro dias, vai estar tudo tranquilo, mas, se a greve continuar, vai ser complicado”, diz o responsável pela Produção e Qualidade da empresa, Luís Ferreira. Já “estão alguns postos de combustível encerrados” em Beja e “outros estão a trabalhar com serviços mínimos”, pelo que “pode ser complicado abastecer a frota” de distribuição, constituída por 15 carrinhas, “se a greve durar muitos dias”.

Na Padaria Seara de Pão, que produz uma média diária de cerca de 300 pães em forno de lenha em S. Miguel do Pinheiro, no concelho de Mértola (Beja), a distribuição também já foi efetuada normalmente, mas anteveem-se consequências caso a greve dos motoristas se prolongue. “Já fizemos hoje a distribuição normal no Algarve e em Beja e, agora, vou para Mértola”, refere Manuela Bonito, uma das proprietárias da empresa. Se o protesto dos camionistas “for muito prolongado e começar a faltar o gasóleo, provavelmente vai faltar pão”, admitiu, ciente de que este é um produto sem o qual o alentejano não passa: “O pão é que não convém faltar à mesa”.

 

No distrito de Évora, nas pastelarias e padarias de Viana do Alentejo, o cenário era de normalidade, com o pão nas prateleiras e sacos distribuídos pelos padeiros e os clientes a dirigirem-se aos estabelecimentos para comprarem a quantidade habitual. “O pão chegou à hora habitual, 6h30, e as pessoas têm vindo buscar aquele que normalmente levam”, disse Maria José Relvas, proprietária da Pastelaria o Cantinho, afiançando: “O pão não vai faltar, pelo menos por agora. Se a greve continuar muitos dias, logo se vê".

 

Na cidade de Évora, na Padaria Amarelo, com fábrica e loja numa das principais ruas do centro histórico, a distribuição de pão está assegurada durante o próximo mês e só vai falhar antes se o fornecedor de farinha não fizer as entregas da matéria-prima. Paulo Amarelo, sócio-gerente desta pequena padaria familiar, indica que a empresa tem “um depósito com mil litros de gasóleo”, que é suficiente para as duas carrinhas fazerem a distribuição de pão, durante um mês, na cidade e arredores. “Se não vierem trazer farinha, por faltar gasóleo [ao fornecedor], aí sim não haverá distribuição e a loja deixará de fornecer pão”, sublinhou.

 

Em Portalegre, Ricardo Lourenço, que fornece pão em vários distritos, incluindo Lisboa, garantiu à Lusa que possui 'stock' de farinha “para um período de 15 dias”. O empresário não se manifesta muito preocupado com a falta de combustíveis, uma vez que poderá abastecer as viaturas “a meia dúzia de quilómetros”, em Espanha.
Josefina Trindade, que possui uma padaria na freguesia rural de Alegrete, no concelho de Portalegre, também disse que a produção está assegurada “pelo menos por um período oito dias”. “Se faltar o combustível abasteço em Espanha, que é aqui ao lado”.

 

Os motoristas cumprem o primeiro dia de uma greve marcada por tempo indeterminado com o objetivo de reivindicar junto da Associação Nacional de Transportadores Públicos Rodoviários de Mercadorias (Antram) o cumprimento do acordo assinado em maio, que prevê uma progressão salarial. A greve foi convocada pelo Sindicato Nacional dos Motoristas de Matérias Perigosas (SNMMP) e pelo Sindicato Independente dos Motoristas de Mercadorias (SIMM), a que se associou o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Rodoviários e Urbanos do Norte (STRUN). O Governo decretou serviços mínimos entre 50 e 100 por cento e declarou crise energética, que implica “medidas excecionais” para minimizar os efeitos da paralisação e garantir o abastecimento de serviços essenciais como forças de segurança e emergência médica.

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