Diário do Alentejo

Empresa ultima proposta para escola de pilotos

23 de julho 2019 - 11:00

Texto Luís Godinho

Fotos José Ferrolho


João Gomes Cravinho diz estar “otimista” quanto à instalação em Beja de uma escola de pilotos especialmente vocacionada para a Força Aérea. O projeto está a ser desenvolvido por uma empresa canadiana e permitiria trazer para Portugal a formação dos pilotos dos F-16 que atualmente frequentam cursos nos Estados Unidos. Em declarações ao “Diário do Alentejo”, o ministro da Defesa revela que nos últimos meses têm existido diversos encontros entre representantes do Estado português e responsáveis da Canadian Aviation Electronics (CAE), uma multinacional canadiana ligada à modelagem, simulação e formação para os setores da aviação civil e da defesa, interessada em instalar na Base Aérea de Beja uma escola de formação de pilotos de aviões a jato. “Estou bastante otimista [quanto à possibilidade de concretização do projeto]”, diz João Gomes Cravinho, revelando que a empresa deverá apresentar em setembro uma “proposta bastante estruturada” no que diz respeito às intenções de investimento.

 

“Não estão, para já, a pedir financiamento ao Governo português. A seu tempo veremos se se justifica qualquer tipo de financiamento ou candidatura a fundos europeus, mas a proposta é, comercialmente, válida por si só”, sublinha João Gomes Cravinho, revelando que o objetivo é a abertura de uma escola com capacidade para formar cerca de 25 pilotos por ano. “O que nos irão pedir é o compromisso quanto à formação dos pilotos da Força Aérea Portuguesa (FAP) e temos todo o interesse nisso e também em mobilizar pilotos de outros países”.

 

Liderado pela CAE, o projeto poderá passar pela criação de um consórcio “com vários investidores” e visando a formação de pilotos oriundos de países como a Bélgica, Holanda e Dinamarca. “São países que têm uma força aérea muito semelhante à nossa em termos do número de pilotos e, juntos, damos dimensão suficiente à [sustentabilidade] da escola”.

Apresentando-se como “líder global em treinos para os mercados de aviação civil, defesa e segurança”, a CAE diz estar presente em cerca de 35 países, apresentando “soluções de treino virtual para tornar os voos mais seguros” e “manter a prontidão das forças de defesa”.

 

Segundo João Gomes Cravinho, a opção dos canadianos pelo Baixo Alentejo prende-se com a existência de “boas condições logísticas e de voo”. Um dos fatores decisivos é a existência de “muitas horas anuais de céu azul”, condição essencial para a formação dos pilotos. Outro é a disponibilidade de espaço aéreo. “Com o congestionamento do tráfego aéreo que existe no continente europeu é difícil encontrar uma área, como a de Beja”, onde esse problema não existe. “São dois critérios muito importantes que colocam Beja na primeira linha de prioridades”.

 

O ministro da Defesa diz que, a concretizar-se, a instalação da escola significaria a deslocação para a cidade de cerca de meia centena de pessoas. A que se somam mais 100, que integram a Esquadra de Voo 101 que será transferida da Base Aérea n.º1, em Sintra, para a Base de Beja, processo que estará concluído até 22 de abril do próximo ano. A medida é justificada pela necessidade de “libertar espaço aéreo de Sintra devido à intensidade de fluxo para o aeroporto Humberto Delgado”.

 

A missão desta esquadra é a formação em exclusivo de pilotos para a FAP, sendo daqui que saem os pilotos de todas as outras esquadras, nomeadamente, para os aviões de carga e transporte, caças ou helicópteros. Para além desta tarefa, os instrutores da 101 ainda participam em ações de cooperação técnica militar nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (Palop), mais concretamente, em Angola e Moçambique, contribuindo com a sua experiência para a formação de instrutores naquelas nações.

 

Deslocalização da Esquadra 502 permanece “em aberto”

O ministro da Defesa, João Gomes Cravinho, diz que ainda não existem decisões tomadas relativamente à possível deslocalização para Beja da Esquadra 505, atualmente estacionada no Montijo. A decisão está dependente do estudo de viabilidade ambiental que permitirá, ou não, construir um novo aeroporto complementar ao de Lisboa na Base Aérea do Montijo. Em termos de efetivos, a esquadra 502 conta com 40 pilotos, cinco oficiais de manutenção, sete navegadores, 80 sargentos (operadores de cabine, operadores de vigilância, mecânicos) e 12 praças mecânicos que executam missões de vigilância, transporte aéreo e busca e salvamento, entre outras.

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