Diário do Alentejo

Entrevista com Teresa Pinto Correia, diretora do Icaam

12 de julho 2019 - 11:30

Texto Nélia Pedrosa

 

Os centros de investigação Icaam, da Universidade de Évora, Cebal, de Beja, polo de Évora do Cibio e MeditBio, da Universidade do Algarve, apresentaram uma candidatura à Fundação para a Ciência e Tecnologia para se tornarem “um centro único de investigação em ambiente e agricultura no mediterrâneo”. Quais as mais-valias desta fusão?
As mais-valias são, em primeiro lugar, o aumento de massa crítica, interdisciplinar, que se debruça sobre as questões da agricultura e ambiente numa perspetiva integrada, aumentando assim a capacidade de encontrar respostas que não se encontraram anteriormente. Numa sociedade sempre em mudança e com problemas cada vez mais complexos, só uma abordagem interdisciplinar e adaptativa, de trabalho com pontes entre diferentes disciplinas e abordagens, conseguirá produzir o conhecimento inovador que é necessário. E ainda, a junção, ou o cruzamento, de áreas do conhecimento e de investigadores, que anteriormente não trabalhavam juntos. Este cruzamento nem sempre é fácil, mas estarmos na mesma unidade de I&D [investigação e desenvolvimento] facilita o conhecimento mútuo e, pelo menos, a reflexão e discussão sobre o que poderia ser feito em conjunto – que esperamos virá a dar frutos, alguns que ainda nem identificámos. Somos 180 investigadores integrados em nove grupos de investigação, cada um com o seu objeto de estudo específico, mas que se complementam. E trabalhamos para objetivos definidos em oito linhas temáticas: sistemas agro-silvo-pastoris; olival e azeite; vinha e vinho; hortofruticultura; culturas irrigadas; saúde e produção animal; biodiversidade e funcionamento dos ecossistemas; dinâmicas do rural e governança. Foi-nos atribuído um financiamento base de 2,7 milhões de euros para 2020-2023 e 645 000 euros como financiamento programático, para recursos humanos jovens.

 

Quando foi aprovada e o que se seguirá?
Os resultados saíram no dia 21 de junho e a unidade entrará em funcionamento a 1 de janeiro de 2020. Até lá deveremos preparar a entrada em funcionamento em pleno e de forma eficiente, na data prevista.

 

Tiveram lugar no final da semana passada as primeiras jornadas MED. O que é que se pretendeu com a sua realização e qual o seu balanço? Estas jornadas terão continuidade?
O que pretendemos foi justamente criar um momento de encontro e de debate entre todos os investigadores do MED. Alguns investigadores, naturalmente, já se conheciam, mas nem todos. E o que pretendemos foi criar este encontro para que cada equipa, por um lado, mostre quais as suas áreas de interesse e competência, e, por outro, avalie com que outras equipas poderá vir a trabalhar de futuro e de que forma. O balanço é muito positivo. Estiveram cerca de 200 participantes no total, muitos jovens investigadores, e houve muitos momentos de discussão e de partilha. Esperamos agora que a este encontro se sigam outros, e que deem frutos, no sentido do crescente aprofundamento das questões de ligação entre agricultura, ambiente e desenvolvimento, e da crescente capacidade científica nos domínios relevantes. 

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