Diário do Alentejo

“É com espírito de missão que este ‘testemunho’ foi recebido por outros, que o carregaram antes, e será entregue a outros, que o levarão depois”

29 de novembro 2025 - 08:00
Três Perguntas a Teresa Tavares de Almeida, presidente da Cáritas Diocesana de Beja

A propósito da recente nomeação da nova direção da Cáritas Diocesana de Beja para o mandato 2025/2029 o “Diário do Alentejo” conversou com a atual presidente da instituição, Teresa Tavares de Almeida, sobre os seus principais objetivos para o próximo quadriénio, a passagem de “testemunho” com “sentido de missão” que recebeu do bispo de Beja, D. Fernando Paiva, e a sua perspetiva quanto à intervenção da Cáritas de Beja nos dias de hoje.

 

Texto José Serrano

 

Foi nomeada, recentemente, como nova presidente da Cáritas Diocesana de Beja, para o mandato 2025/29. Quais os principais objetivos para o próximo quadriénio?

A Cáritas Diocesana de Beja tem variadas valências que foram criadas a partir das necessidades concretas das pessoas e das comunidades. Todas essas valências vão sendo avaliadas ao longo do tempo, reequacionadas as respostas e contextualizadas de acordo com as necessidades. A direção, nomeada pelo bispo de Beja, D. Fernando Paiva, tudo fará para dar continuidade às práticas que se revelaram positivas e sempre em diálogo com os técnicos das várias respostas sociais e com os parceiros com quem a Cáritas estabelece acordos, tendo como base a premissa de que tudo o que se projeta e realiza envolve as populações, as suas realidades e expectativas, a defesa dos seus direitos e o suporte na construção dos seus deveres.

É imprescindível, para desenvolver proficuamente este trabalho de liderança de ação social da Igreja, receber este “testemunho” com “sentido de missão?

A coerência deverá sempre nortear a nossa vida. Se a Cáritas é a expressão do amor da Igreja pelo “outro” que sofre (com as variadas formas que o sofrimento pode tomar), pelos pobres (com a multiplicidade de formas que a pobreza pode tomar), como podemos renunciar a origem desse amor? Como podemos esquecer ou colocar em segundo plano a essência do amor cristão? Ao Homem, que ousou chamar irmão ao escravo, que ousou defender pessoas perseguidas e maltratadas chamamos Cristo e é com o Seu olhar que queremos olhar, com o Seu sorriso que queremos sorrir e com os Seus braços e mãos que queremos abraçar e ajudar. Sim, é com espírito de missão que este “testemunho” foi recebido por outros, que o carregaram antes, e será entregue a outros, que o levarão depois.

 

Observa que, na região, nos últimos anos, o paradigma de situações que podem levar a uma intervenção da Cáritas Diocesana de Beja se mantém ou as circunstâncias são hoje outras?

Há situações que são e serão sempre as mesmas, pois dizem respeito à nossa natureza humana. No entanto, fruto de condições que estão para além dessa natureza, enfrentamos grandes desafios nos tempos que correm, a exemplo de calamidades ambientais (umas fruto da natural evolução do planeta, outras consequentes da negativa ação do ser humano), de guerras, de perseguições, de jogos do poder económico. Tudo isso tem originado movimentos migratórios, transtornos de saúde mental, desemprego… Será sempre um desafio para a Cáritas ter o “termómetro operacional” perante as crises com que se vai deparando. Tal como a medicina aplica medicamentos, tendo vacinas para prevenção, sabendo que para haver saúde tem de haver alimentação equilibrada, cuidados de higiene, segurança do nosso corpo e mente, atividade física, também nós, juntamente com todos os que, em rede, nos derem as mãos, teremos de trabalhar para construir um mundo melhor. 

Comentários