Diário do Alentejo

Sem Beja não haverá empresa pública para gerir água

27 de junho 2019 - 14:30

As assembleias municipais de Beja e de Castro Verde reprovaram a entrada destes municípios no projeto Águas Públicas do Alentejo, que ambicionava a criação de uma parceria pública para a criação de uma empresa. Presidente da Câmara Municipal de Beja, PCP e PSD já reagiram. Sem adesão de Beja não haverá empresa pública para gerir o abastecimento de água em baixa.  “Sem a entrada de Beja não existe escala para se avançar”, disse ao “Diário do Alentejo” uma fonte ligada ao processo.

 

Para o presidente da Câmara Municipal de Beja, Paulo Arsénio, “ao ser reprovada a proposta de parceria pública com o Estado para a distribuição de águas em baixa, perdeu-se a oportunidade de ter um investimento de renovação da rede do concelho de Beja de 10 milhões de euros nos próximos 10 anos e de mais de oito milhões de euros nos anos seguintes”. O autarca defende ainda que “a região deixa também de poder aproveitar 86 milhões de euros que, município a município, não poderão ser aproveitados e não existe capacidade de endividamento individual para o efeito”.


De acordo com o edil de Beja, “a proposta assentava, muito basicamente, numa parceria pública com um volume de investimento cinco vezes superior àquele que os municípios executam, sem aumento tarifário e com a garantia de integração dos trabalhadores na nova estrutura e sem perda de quaisquer direitos”.


A Direção Regional de Beja do PCP, no entanto, considera que as “assembleias municipais chumbaram uma nova tentativa do PS, e de alguns dos seus eleitos, aproveitando uma maioria conjuntural em câmaras municipais do distrito, em abandonar a gestão da água em baixa, entregando-a a uma empresa, visando a transformação da água num negócio e criando condições para a sua privatização”.


Assim, o PCP saúda a “decisão corajosa e justa das assembleias municipais de Castro Verde e Beja que rejeitaram a aprovação da criação da empresa, com uma posição isolada do PS, que não conseguiu que mais nenhum eleito, além deles próprios, votasse a favor desta proposta”. Entendem, por isso, os comunistas, que “trata-se de uma vitória das populações dos dois concelhos e de todo o distrito”.


O PSD de Beja, por sua vez, justificou por que motivo optou pela abstenção na reunião da Assembleia Municipal de Beja. Para os sociais-democratas, “a Câmara de Beja não informou os munícipes de forma segura sobre as eventuais alterações ao preço da água e não esclareceu, cabalmente, como e onde seriam integrados os atuais trabalhadores da EMAS, não se pensando num quadro para garantir os seus postos de trabalho”.


Na opinião do PSD de Beja, a Câmara de Beja “não promoveu ainda, junto dos munícipes/consumidores, os esclarecimentos necessários, nem diligenciou no sentido de se realizarem debates públicos sobre os verdadeiros objetivos da criação da referida sociedade e das consequências inerentes a todo o processo”.

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