Diário do Alentejo

Olival é das culturas "que menos água gasta”

25 de junho 2019 - 09:00
Rui Garrido | Foto: José FerrolhoRui Garrido | Foto: José Ferrolho

Texto Luís Godinho

 

“Se não estivéssemos a regar estaríamos a ser acusados de não utilizar a água”. A frase dita pelo presidente da ACOS – Associação de Agricultores do Sul, Rui Garrido, num debate organizado pela Assembleia Municipal de Beja (AMB) sobre a intensificação da agricultura, resume a posição dos agricultores: havendo disponibilidade de água é preciso utilizá-la e fazê-lo em culturas que garantam uma maior rentabilidade, como o olival ou o amendoal. “É ser preso por ter cão e por não ter”.


Rui Garrido refere que uma cultura de regadio “é sempre mais intensiva do que a de sequeiro”. O importante, refere, é que os impactos negativos sejam minimizados. “Qualquer cultura às portas de uma povoação é um problema que se resolve com facilidade”. Lembrando as posições públicas da Olivum – Associação de Olivicultores do Sul, entidade que se preparada para apresentar um estudo sobre os impactos da olivicultura intensiva e superintensiva, o presidente da ACOS diz que se trata de uma das culturas “que menos água gasta”, sendo irrigada por gota-a-gota.

 

“Apenas os cereais e a vinha consomem menos água do que o olival. E é só por se gastar tão pouca água que foi possível o ministro da Agricultura anunciar a ampliação em 50 mil hectares do perímetro de rega do Alqueva”, acrescentou. Além disse, refere ainda Rui Garrido, outro dos impactos positivos do olival é a nível ambiental, designadamente, no “sequestro” de carbono: “Um quilo de azeite, dependendo do modo de produção, fixa entre 3,6 e 10,6 quilos de CO2”.

 

Até 4 de julho a AMB está a organizar um ciclo de quatro conferências destinadas a recolher contributos de técnicos, instituições, empresários, associações e cidadãos sobre a intensificação da agricultura. “O desenvolvimento que Alqueva trouxe ao Alentejo tem de ser compatível com a sustentabilidade ambiental e o bem-estar de todos”, diz a presidente da assembleia, Conceição Casa Nova. “Além de promovermos a reflexão sobre estas questões, queremos ouvir e contribuir para a formação de uma opinião pública mais informada a esclarecida”.

 

Outro dos intervenientes no debate foi o arqueólogo Samuel Melro, em representação da Direção Regional de Cultura do Alentejo, que lamentou não terem sido previstas medidas de impacto ambiental depois de ultrapassada a fase de obra no empreendimento de Alqueva. “A escala de destruição de património arqueológico neste cenário pós-Alqueva, com os blocos de rega a funcionarem, é preocupante”, sublinhou.

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