Diário do Alentejo

Preço das casas no distrito de Beja é dos mais baixos do País

27 de maio 2019 - 09:00
Preço médio nos 467 euros/metro quadrado | Foto de José FerrolhoPreço médio nos 467 euros/metro quadrado | Foto de José Ferrolho

Texto Luís Godinho

 

Tudo depende dos acabamentos, da tipologia e, sobretudo, da localização. Mas, em média, o preço dos alojamentos familiares vendidos no distrito de Beja atinge os 467 euros por metro quadrado, o segundo valor mais baixo do País. Só no distrito de Portalegre é possível adquirir casas a preço inferior. Os dados foram calculados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) através dos registos das escrituras declarados à Autoridade Tributário e incluem transações de novas habitações e de casas usadas.

 

É no distrito de Faro que o preço médio é mais elevado: 1523 euros por metro quadrado, três vezes superior aos preços praticados no distrito de Beja. Em todo o caso, como referem agentes imobiliários contatados pelo “Diário do Alentejo”, é preciso ter em conta a disparidade de preços na região.

 

“O preço médio é esse mas, por exemplo, na cidade de Beja temos zonas onde valor pode chegar aos mil euros por metro quadrado”, diz José Heleno, responsável por uma agência imobiliária na cidade. “Os valores mais elevados são claramente no concelho de Beja e os mais baixos em Barrancos. Nestes dois concelhos, imóveis com as mesmas caraterísticas têm um valor por metro quadrado muito diferente”.

 

Outro promotor imobiliário, Francisco Manta, sublinha que os preços das habitações são comercializados a valores mais elevados nos principais centros urbanos. “Trabalhamos praticamente em todo o Baixo Alentejo e esses valores de 467 euros por metro quadrado serão corretos em freguesias rurais onde a densidade populacional é mais fraca e maioritariamente idosa. Mas nas vilas e nas cidades da região os valores [praticados] são mais elevados”.

Segundo Francisco Manta, é em Beja e em Castro Verde que os alojamentos familiares são mais caros. “As regiões mais isoladas, com menos população e com população mais envelhecida, são menos procuradas. Por outro lado, nas cidades, onde o setor terciário é mais vincado, a procura é superior e os preços sobem naturalmente”, acrescenta.

Feitas as contas, com base no preço mediano (valor que separa em duas partes iguais o conjunto ordenado de preços) divulgado pelo INE, um apartamento com 110 metros quadrados será transacionado, em média, por 51 370 euros no distrito de Beja. No Alentejo Litoral esse valor sobe para 101 200 euros, um dos montantes mais elevados do País. Em média, diz o INE, o preço do metro quadrado no Alentejo Litoral ascende a 920 euros, só ficando atrás dos valores cobrados no Algarve e nas áreas metropolitanas de Lisboa e do Porto.

 

Sem surpresa, as zonas costeiras de Porto Covo, Vila Nova de Milfontes, Zambujeira do Mar e Melides são aquelas onde quem quer comprar habitação terá de pagar um preço substancialmente mais elevado, sendo quase impossível adquiri casa a menos de 1350 euros por metro quadrado. “No passado mês de abril, por exemplo, vendemos um imóvel na zona histórica de Vila Nova de Milfontes por 3450 euros o metro quadrado”, revela Filipe Simões, proprietário de uma agência imobiliária em Milfontes.

 

A sócia, Carmen Luz, nota um aumento de preços nos últimos anos, cuja explicação se deve “à procura de casas para transformar e rentabilizar na modalidade de alojamento local” e à procura por parte de clientes estrangeiros. “Os locais isolados e mais longe de qualquer fonte de água como barragens, praias ou rios são muito depreciados pelo mercado. Amareleja, Moura ou Serpa são exemplos de locais onde temos ou já tivemos imóveis em mercado a valores mais baixos por metro quadrado. Os mais elevados são os praticados no concelho de Odemira, sobretudo nas localidades de Zambujeira do Mar, Vila Nova de Milfontes, Almograve e São Teotónio, onde as propriedades atingem preços verdadeiramente especulativos”, sublinha.

Na cidade de Beja os preços são mais elevados | Foto José FerrolhoNa cidade de Beja os preços são mais elevados | Foto José Ferrolho

José Heleno nota que a maior procura incide em dois tipos de imóveis. Por um lado, os mais caros, o denominado mercado de luxo, com propriedades facilmente transacionadas acima do meio milhão de euros. Por outro, as habitações mais baratas, que hoje em dia “têm uma procura quase diária”, muitas vezes a carecerem de obras de restauro. Neste último caso, a obtenção de crédito “é um dos maiores problemas” para quem quer comprar, constata Francisco Manta. “A obtenção do crédito é um dos maiores problemas, uma vez que as instituições bancárias apenas financiam 80 a 90 por cento do valor dos imóveis e os novos casais encontram aí um dos mais graves impedimentos para a compra de casa. Por outro lado, a queda na construção fez subir os preços, o que torna a compra ainda mais difícil. Neste momento, apenas a baixa [das taxas] de juro beneficia o mercado”, acrescenta este agente imobiliário.


No que ao Alentejo Litoral diz respeito, Filipe Simões nota uma maior procura por casas em ruína, para posterior recuperação, moradias de tipologia T3 com quintal ou pequenos apartamentos junto à costa. E concorda que o capital próprio inicial exigido pela banca é a principal dificuldade sentida pelas famílias para a aquisição de casa. “Num empréstimo de 100 mil euros dificilmente uma família conseguirá concretizar a compra sem empregar entre 20 a 27 500 euros entre despesas de processo, capital próprio e impostos, já para não contar com equipamentos e mobília que terá de adquirir”.

 

“Sem grandes projetos de novos loteamentos ou planos de alargamento dos perímetros urbanos, a procura continuará a centrar-se nos imóveis usados cuja oferta é limitada e que também já foram nos últimos anos alvo de venda e revenda”, antecipa Carmen Luz, não perspetivando uma descida de preços, pelo menos no concelho de Odemira. “Tendo em conta que a esmagadora maioria destas propriedades foi adquirida com capitais próprios, os seus proprietários não são tão vulneráveis a crises de taxas de juro ou problemas na banca”, conclui.

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