Foi inaugurado, na terça-feira, o novo Centro de Coordenação Operacional Municipal de Almodôvar, que permite implementar, entre outras valências, nas zonas mais críticas do concelho, um sistema de deteção inteligente de incêndios, antecipando as necessárias medidas a tomar em caso de ignição. O secretário de Estado da Proteção Civil esteve presente na sessão de inauguração.
Texto | José SerranoFotos | Ricardo Zambujo
Localizado no quartel local dos bombeiros voluntários, decorreu na terça-feira, dia 30 de junho, a inauguração do novo Centro de Coordenação Operacional Municipal (CCOM) de Almodôvar, “um espaço estratégico” equipado com sistemas de comunicação e energia redundantes, incluindo gerador próprio, Internet e telefone via satélite, videovigilância e capacidade de deteção inteligente de incêndios, que vem “reforçar a capacidade de resposta do concelho em situações de emergência”, avançou a câmara municipal. Após a cerimónia oficial de inauguração, que contou com a presença do secretário de Estado da Proteção Civil, Rui Rocha, que referiu melhorias, neste ano, no Dispositivo Especial de Combate a Incêndios Rurais – com “mais meios aéreos” e “mais grupos de reforço em ataque ampliado” –, nomeadamente, na sua fase “Delta”, a mais musculada, que se iniciou na quarta-feira, dia 1, e se prolonga até 30 de setembro, o “Diário do Alentejo” (“DA”) falou com o presidente da Câmara Municipal de Almodôvar, que sublinhou a maior capacidade do concelho, dada por este novo centro operacional, em fazer face a um verão que se prevê exigente, no âmbito dos incêndios florestais. “Nós estamos sempre mais preparados quando conseguimos prever algumas situações e nestes últimos dois meses e meio, para além do trabalho de investimento financeiro que está a ser feito num conjunto de equipamentos com grande tecnologia, foi realizado um trabalho de planeamento muito grande para garantir a segurança das populações”, expôs José Tadeu Freitas, o autarca. Neste âmbito de previsão de situações, o sistema de deteção inteligente de incêndios, que faz parte do novo CCOM, será “implementado em duas zonas muito críticas” de “risco iminente de incêndios florestais” do concelho, particularmente, na serra do Caldeirão e em parte da área circundante à A2 (autoestrada que liga Almodôvar ao Algarve), numa zona “à entrada do próprio concelho”, de muito difícil acesso para o combate ao fogo – “ali o meio aéreo é fundamental e quanto mais rápido nós detetarmos [uma ignição], mais rápido podemos agir”, frisou o edil.
“Trabalho de antecipação” é um exemplo a seguir Também Carlos Pica, comandante sub-regional de Emergência e Proteção Civil do Baixo Alentejo, acentua a importância deste centro, considerando que “muita coisa muda quando os municípios têm um centro municipal de proteção civil onde se pode agregar o CCOM, local onde se faz a monitorização de todas as ações que estão a ser desenvolvidas no terreno” e onde se levam a cabo “as decisões, sejam elas estratégicas, operacionais ou mesmo políticas” que influenciam, direta ou indiretamente, o desenvolvimento das operações.Elogiando o investimento do município de Almodôvar “ao longo dos últimos anos” na preparação do dispositivo de combate a incêndios, Carlos Pica considera ser este “trabalho de antecipação” um exemplo a seguir por “outros municípios”, referindo, contudo, que “por muita preparação” que possa existir “há um patamar limite de capacidade de resposta de todo o dispositivo”, apontando, neste sentido, para a sensibilização desta questão. “O cidadão comum tem de ter um comportamento exemplar, de autoproteção, tem de perceber que tem de fazer parte da solução e não do problema”, frisa, uma vez que todos os anos se verifica um número relevante de fogos florestais por negligência. Nesse âmbito, Carlos Pica aconselha precauções redobradas nos trabalhos agrícolas que se desenvolvem sob temperaturas extremas – “não estou, de maneira nenhuma, a dizer que os agricultores não podem desenvolver as suas atividades, mas há timings que devem ser seguidos e cuidados que têm que ser tomados” – e a perceção dos perigos inerentes a atividades lúdicas. “Por muita vontade que se tenha de ir para o campo fazer um petisco, não é altura de acender fogueiras, porque com temperaturas na ordem dos 42 graus [centígrados], basta um ‘toquezinho de vento’ e é o princípio do fim”. Neste sentido, de consciencialização cívica de cada um, “há um investimento que tem de ser feito”, sublinha o comandante.O novo Centro de Coordenação Operacional Municipal de Almodôvar será o principal núcleo de Proteção Civil, “reunindo as principais entidades envolvidas nas operações de socorro, nomeadamente, o presidente da câmara municipal, enquanto responsável máximo da proteção civil municipal, o comandante dos Bombeiros Voluntários de Almodôvar, a Guarda Nacional Republicana, representantes da E-Redes, dos serviços de águas, da Segurança Social, entre outros agentes”, refere a autarquia.O município passa ainda a contar com uma unidade móvel com comunicações via satélite, permitindo a coordenação em qualquer ponto do concelho, mesmo sem redes tradicionais, informando, ainda, a autarquia sobre a instalação dos sapadores florestais no quartel dos bombeiros, a disponibilidade de cinco máquinas de rasto no verão e a futura instalação de uma antena do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) no pico do Mú (o ponto mais alto da serra do Caldeirão), que permitirá transmitir dados meteorológicos atualizados em tempo real.