Com o objetivo de atualizar os dados recolhidos em 2023, a Câmara de Beja está a levar a efeito um novo levantamento do bairro das Pedreiras, com destaque para as construções ilegais. É ainda intenção da autarquia atualizar os agregados familiares e criar uma empresa destinada a gerir todo o património municipal social edificado. Recorde-se que o bairro, inaugurado em 2006, foi construído para realojar 50 famílias de etnia cigana que viviam em barracas num outro bairro da cidade.
Texto Nélia Pedrosa
A Câmara Municipal de Beja está a proceder a um novo levantamento do bairro das Pedreiras, com o objetivo de atualizar os dados recolhidos em 2023 pela autarquia. “Temos uma equipa camarária a trabalhar na georreferenciação do bairro, com fotografia de drone [aérea], para perceber quais são as barracas, o que é que foi construído a mais [desde esse levantamento de 2023]”, revela, ao “Diário do Alentejo”, a vice-presidente da câmara, adiantando que se pretende, igualmente, “atualizar os agregados familiares” que residem no referido bairro, acrescentando, eventualmente, “outros dados” considerados relevantes. “Só com base nesta informação [dos edifícios e dos agregados] é que nós podemos desenhar um plano de ação com a intervenção de várias entidades, no sentido de reabilitar as casas que fazem parte do edificado da câmara municipal e dar condições dignas às pessoas que lá habitam”, sublinha Liliana Cabecinha, acrescentando que também está a ser preparada uma plataforma que permita reunir toda a informação socioeconómica das famílias atualizada e sincronizada. Segundo a autarca, é também intenção da câmara criar uma empresa municipal destinada a gerir não só o bairro das Pedreiras, mas todo o património municipal social edificado. “[Através da ação dessa empresa] haverá contratos, fiscalização, monitorização, aplicação de multas. Se não há água, se não há luz [no bairro das Pedreiras], por exemplo, temos de perceber porquê. E isso exige uma grande responsabilidade e um controlo permanente, que é impossível fazer com a equipa que existe neste momento afeta à habitação social”, justifica.Entretanto, no que às construções ilegais diz respeito, as denominadas barracas, a autarca já encetou diligências junto de alguns ministérios, com o objetivo de “se definir uma estratégia”, mas “uma estratégia a médio ou longo prazo, que se mantenha”, independentemente de quem integre o executivo, diz Liliana Cabecinha. “Tem de haver um compromisso das pessoas, de todos os partidos, para arranjar soluções para estas barracas que não têm condições de habitabilidade. Isto é um problema social, é um problema de saúde pública, é um problema, ponto final”, considera.Paralelamente, irão ter início, ao que tudo indica ainda nesta semana ou nos próximos dias, ações de limpeza do bairro efetuadas pela comunidade residente – “estamos à espera que sejam colocados os contentores do lixo”, refere a autarca –, o corte de vegetação pelos serviços da câmara e ainda a identificação dos animais de companhia, com a aplicação de um microchip, processo obrigatório por lei. Recorde-se que o bairro das Pedreiras, inaugurado em janeiro de 2006, foi construído pela câmara municipal para realojar 50 famílias – que correspondiam a cerca de duas centenas de pessoas – que viviam em barracas no bairro da Esperança. Na ocasião, a autarquia sublinhava que, “construídas de raiz para dar resposta às carências habitacionais da comunidade cigana sedentária no concelho, as novas habitações revelam a preocupação de ir ao encontro da maneira de viver desta etnia”.