Diário do Alentejo

Beja recebeu gala dos “Melhores Vinhos do Alentejo” com recorde de vinhos em prova

19 de junho 2026 - 12:00
XIII edição do concurso distinguiu a Quinta do Paral Reserva branco, da Vidigueira, com o “Grande Ouro” e vários produtores do Baixo Alentejo arrecadaram vários prémios “Ouro”
Foto | Ricardo ZambujoFoto | Ricardo Zambujo

Texto Manuel Baiôa

 

Beja voltou a ocupar, na última quinta-feira à noite, dia 18, um lugar central no mapa vínico alentejano. A pousada Convento Beja recebeu a gala da XIII edição do concurso “Melhores Vinhos do Alentejo”, uma iniciativa organizada pela Confraria dos Enófilos do Alentejo em estreita colaboração com a Comissão Vitivinícola Regional Alentejana, que este ano atingiu o maior número de sempre de vinhos em prova: 146 amostras provenientes de produtores das várias sub-regiões do Alentejo.

 

Num ano particularmente simbólico para o distrito, em que o Baixo Alentejo ostenta o título de “Cidade Europeia do Vinho 2026”, a cerimónia teve também uma leitura territorial evidente: para além da afirmação global da região alentejana enquanto uma das grandes referências vitivinícolas nacionais, vários vinhos produzidos em Beja, Vidigueira, Serpa, Pias e Almodôvar estiveram entre os premiados, confirmando a vitalidade qualitativa do sul do Alentejo.

 

Os quatro prémios máximos da noite, as medalhas de “Grande Ouro”, foram atribuídos ao branco Quinta do Paral Reserva 2022, produzido pela Herdade Tinto e Branco, na Vidigueira; ao branco monovarietal Casa Relvas Vinha do Monte do Poço Rabo de Ovelha 2025; ao tinto Cardeira Reserva 2019; e ao tinto monovarietal Rovisco Alicante Bouschet 2019.

 

Entre estes, o “Grande Ouro” alcançado pelo Quinta do Paral Reserva 2022 assumiu particular significado para o Baixo Alentejo. A Vidigueira, território historicamente associado aos grandes brancos alentejanos, voltou assim a ver reconhecida a sua capacidade de produzir vinhos com estrutura, frescura e identidade, num contexto em que a casta, o clima, os solos e o trabalho enológico se cruzam numa expressão cada vez mais valorizada pelos consumidores e pela crítica especializada.

 

O concurso foi certificado e auditado pelo Instituto da Vinha e do Vinho e contou com um júri de 15 provadores, entre jornalistas, enólogos e escanções. Nos termos do regulamento, apenas poderiam ser atribuídos prémios a um máximo de 20 por cento dos vinhos concorrentes, critério que reforça a exigência das distinções. No total, foram atribuídas 27 medalhas de “Ouro”, distribuídas por vinhos brancos, brancos monovarietais, tintos, tintos monovarietais e vinho de talha, além de duas medalhas de “Prata” na categoria de rosados.

 

Na categoria de vinhos brancos, o Baixo Alentejo voltou a estar em destaque. O Margaça Reserva 2023, produzido em Pias, no concelho de Serpa, recebeu medalha de “Ouro”, tal como o Navegante Reserva 2024, da Adega Cooperativa de Vidigueira, Cuba e Alvito. Foram ainda distinguidos com “Ouro” os brancos Régia Colheita Reserva 2024, Herdade das Servas Reserva 2022 e Herdade da Candeeira Reserva 2021.

 

Nos brancos monovarietais, a Vidigueira voltou a afirmar-se através do Paço dos Infantes Antão Vaz 2024, da Enolea Sociedade Agrícola, também distinguido com medalha de “Ouro”. A mesma categoria premiou ainda o 42,5 Almudes Antão Vaz 2024. A presença do Antão Vaz entre os vinhos premiados confirma a permanência de uma casta que continua a ser um dos emblemas mais reconhecíveis da sub-região da Vidigueira e da sua tradição de brancos com volume, equilíbrio e vocação gastronómica.

 

Nos tintos, a lista de medalhas de “Ouro” voltou a mostrar a diversidade do Alentejo, mas também o peso crescente dos produtores do distrito de Beja. Entre os premiados do Baixo Alentejo estiveram o Paço dos Infantes Reserva 2020, da Enolea, na Vidigueira; o PIRR Reserva 2022, da Herdade dos Toucinhos, em Almodôvar; o Santa Vitória Grande Reserva 2019, da Casa de Santa Vitória, em Beja; o Encostas de Serpa Reserva 2023, da Monge e Filhas, Vinhos de Serpa; e o Herdade Paço do Conde Reserva 2020, da Sociedade Agrícola Encostas do Guadiana, em Beja.

 

Receberam igualmente medalha de “Ouro”, na categoria de tintos, os vinhos Pêra-Grave 2022, Artesano by Helena Reserva 2022, Poliphonia Signature 2022, Esporão Private Selection Garrafeira 2019, Quinta do Carmo Reserva 2017, Quinta do Carmo 2022, Herdade de São Miguel Reserva 2023 e Herdade da Candeeira Reserva 2019.

 

Nos tintos monovarietais, o Baixo Alentejo voltou a subir ao palco com o Encostas de Serpa Syrah 2023, também da Monge e Filhas, distinguido com medalha de “Ouro”. Na mesma categoria foi ainda premiado o Dona Beatriz – Rovisco Cabernet Sauvignon 2021. Já na categoria de vinho de talha, a medalha de “Ouro” foi atribuída ao Altas Quintas Vinho de Talha Tinto 2023, sinalizando a presença, neste concurso, de uma tipologia que tem vindo a ganhar renovada atenção patrimonial, técnica e comercial no Alentejo.

 

Durante a cerimónia, Francisco Pimenta, escanção-mor da Confraria dos Enófilos do Alentejo e diretor do concurso, sublinhou que a iniciativa pretende “premiar, não só a qualidade do vinho produzido no Alentejo, mas também dar a conhecer aos consumidores uma nova geração de enólogos e produtores”. A ideia foi reforçada por Pedro Luiz de Castro, presidente da direção da Confraria dos Enófilos do Alentejo, para quem a instituição continua empenhada em defender “a pureza e extraordinária qualidade” dos vinhos alentejanos.

 

Também Luís Sequeira, presidente da Comissão Vitivinícola Regional Alentejana (CVRA), destacou o papel do concurso na valorização do trabalho dos produtores. Para o responsável da CVRA, apoiar a confraria nesta iniciativa é contribuir para dignificar “os produtores alentejanos e naturalmente os seus vinhos”, numa região que continua a ter forte reconhecimento junto dos consumidores portugueses.

 

A Confraria dos Enófilos do Alentejo, que assinala neste ano o seu 35.º aniversário, tem desenvolvido um papel persistente na promoção da vinha e do vinho da região, não apenas enquanto produto económico, mas também enquanto realidade cultural, histórica e social. A realização da gala em Beja, no contexto do “Baixo Alentejo – Cidade Europeia do Vinho 2026”, reforçou essa dimensão: o vinho apareceu não só como resultado de prova e classificação, mas como expressão de território, de paisagem agrícola, de saber técnico e de identidade coletiva.

 

Num concurso em que o número de amostras atingiu um máximo histórico, o balanço para o Baixo Alentejo é particularmente expressivo. A região viu reconhecidos brancos da Vidigueira e de Pias, tintos de Beja, Serpa, Almodôvar e Vidigueira, monovarietais de identidade marcada e um “Grande Ouro” que recoloca a Vidigueira no centro da excelência dos brancos alentejanos. Num ano marcado pela afirmação do Baixo Alentejo como “Cidade Europeia do Vinho”, a gala de Beja deixou claro que o distrito não é apenas palco desta celebração: é também território produtor, competitivo e reconhecido no conjunto dos vinhos do Alentejo.

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