Diário do Alentejo

José Aguiar-Branco percorreu o distrito para aproximar o Parlamento ao interior

17 de janeiro 2026 - 08:00
Visitas a Beja, Aljustrel e Castro Verde decorreram no âmbito da iniciativa “Parlamento Próximo”
Foto | Ricardo ZambujoFoto | Ricardo Zambujo

Aproximar os decisores políticos do eleitor e conhecer as potencialidades da região foram o mote que conduziu a visita do presidente da Assembleia da República ao distrito de Beja. Acompanhado pelos deputados eleitos pelo círculo de Beja, José Aguiar--Branco reuniu-se com empresários, estudantes e autarcas e relembrou a importância da democracia no panorama atual.

 

Texto Ana Filipa Sousa de Sousa

 

O presidente da Assembleia da República visitou na segunda-feira, dia 12, os concelhos de Beja, Aljustrel e Castro Verde para “aproximar o Parlamento dos cidadãos e do território nacional”. Em Beja, José Aguiar-Branco reuniu-se com a Associação Empresarial do Baixo Alentejo e Litoral (Nerbe/Aebal), para conhecer “a realidade empresarial do território, bem como os seus desafios e potencialidades”. Em declarações ao “Diário do Alentejo” (“DA”), o presidente da Assembleia da República admitiu que o encontro “transmitiu bastante otimismo” ao nível das condições para “desenvolver a dimensão empresarial” da região e, consequentemente, “fazer a fixação de talento [e] de empresas” e, “por via disso, poder também haver mais emprego e uma dinâmica que depois beneficia o todo”.De seguida, José Aguiar--Branco visitou o Instituto Politécnico de Beja (IPBeja) e, numa sessão com alunos, relembrou a importância da democracia e do papel das instituições para a sua preservação, admitindo que “devemos ter a consciência de que aquilo que estamos a viver obriga a mobilização coletiva e individual”. “A democracia custa dinheiro, mas viver sem democracia custa muito mais”, referiu.O parlamentar afirmou, ainda, que o Parlamento e a política têm de ser vividas “sem filtros”, de forma transparente e próxima de todos “no terreno”, sendo, por isso, necessário discutir e apresentar o contraditório das ideias. “Esta é uma linha estruturante de um estado de direito. A rua serve para se manifestar e o Parlamento serve para chegar a consensos”, argumentou.Ao “DA”, José Aguiar-Branco justificou esta visita, no âmbito da iniciativa “Parlamento Próximo”, como uma forma de “fazer uma aproximação entre a dimensão institucional/parlamentar” entre “eleitor e eleito” para que “as pessoas sintam que o Parlamento, sendo a casa da democracia, é deles”. “[O Parlamento] não é uma coisa que está lá em Lisboa e que não tem uma relação direta com cada um de nós. O órgão por excelência no regime democrático é o Parlamento e nós temos de ter esse sentido de pertença e acreditarmos que é no Parlamento que é possível encontrar os consensos e a resolução dos nossos problemas”, disse. Acompanhado pelos deputados eleitos pelo círculo de Beja – António Carneiro (Chega), Pedro do Carmo (PS) e Gonçalo Valente (PSD) –, José Aguiar-Branco, antes de visitar as minas de Neves-Corvo, em Castro Verde, reuniu-se com os presidentes das câmaras municipais do distrito no Centro de Negócios de Aljustrel.Segundo o presidente da Comunidade Intermunicipal do Baixo Alentejo (Cimbal), António José Brito, o encontrou serviu para transmitir “o trabalho que está a ser desenvolvido” nos concelhos, mas, principalmente, demonstrar “as preocupações e tudo aquilo que tem sido difícil de fazer, justamente por causa de insuficiências da administração central”. “Estiveram presentes os 14 presidentes de câmara do Baixo Alentejo e, município a município, tiveram a oportunidade de apresentar um conjunto de constrangimentos, sobretudo, aqueles mais relevantes e mais importantes, transmitindo ao presidente da Assembleia da República essas questões que mais os preocupam e que carecem de maior celeridade do ponto de vista da resolução”, explicou ao “DA”.De uma forma geral, prosseguiu o edil, os autarcas mencionaram “dois aspetos” importantes, nomeadamente, a “necessidade e a urgência de haver uma revisão concreta da Lei das Finanças Locais”, e “uma alteração daquilo que é o financiamento das próprias autarquias”, e “a preocupação comum com as questões associadas à cidade de Beja”.“Beja é a única capital de distrito, ou uma das únicas, que não tem acesso por autoestrada [e] não tem ligação à rede de autoestradas. [Por sua vez], a ferrovia está em condições muito más, [ou seja] não está eletrificada”, disse António José Brito.Paralelamente, o presidente da Cimbal fez notar a preocupação dos municípios para com “o impulso” que o aeroporto de Beja precisa de ter, reafirmando “a sua preocupação e a necessidade de ser afirmado por parte do Governo um plano concreto, eficaz e rápido, porque já se perdeu muito tempo”. “Foi uma reunião positiva no sentido em que o presidente [da Assembleia da República] teve a oportunidade de anotar todas as preocupações, todos os desafios que temos pela frente, mas, sobretudo, tudo aquilo que importa de uma resolução com eficácia e há aspetos, que são muitos, que carecem dessa solução”, referiu.

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