A Federação das Associações de Agricultores do Baixo Alentejo (Faaba) reuniu-se com a Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP) na quarta-feira, dia 14, para clarificar a “falta de informação” existente perante a nova reforma da Política Agrícola Comum (PAC) e o acordo Mercosul.Segundo o presidente da CAP, Álvaro Mendonça e Moura, o acordo Mercosul (criação de um mercado comum entre a União Europeia (UE) e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai), é “globalmente positivo” para Portugal, apesar de ter “riscos”. “Temos setores que serão claramente ganhadores, como o vinho, azeite, frutas e queijos. O acordo pode ter impacto negativo no setor das carnes, mas são controláveis [através das cláusulas de salvaguarda]”, assumiu ao “Diário do Alentejo”Álvaro Mendonça e Moura garantiu que a “grande insatisfação dos agricultores” diz respeito à nova reforma da PAC, que é “a pior proposta alguma vez apresentada”. O documento prevê, apesar do aumento de 40 por cento das verbas do orçamento da UE, um corte de 20 por cento no setor agrícola e, consequentemente, a sua compensação através da flexibilidade dos “governos nacionais”. “Isso não é aceitável. Cria não só uma enorme incerteza, como coloca os agricultores portugueses, gregos ou italianos em condições de enorme desvantagem em relação a países mais ricos, como a Alemanha, a França ou a Áustria”, justificou. As novas diretrizes sugerem que devem ser “os governos nacionais, [se] quiserem”, a assegurar esse investimento, o que fará com que se passe “a ter políticas agrícolas nacionais, com verbas de apoio completamente diferentes para o agricultor alemão ou para o agricultor português”.O presidente da Faaba, Rui Garrido, acrescentou que, “neste aspeto, estamos mais do que unidos”, ou seja, “somos todos contra”.
Ana Filipa Sousa de Sousa