O antigo líder do PSD, Luís Marques Mendes, visitou a Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Alentejo e o Instituto Politécnico de Beja para reafirmar a colocação do “interior do País” no “centro das atenções” e das decisões do Governo. Por sua vez, Humberto Correia esteve em Beja para falar sobre habitação e acessos, enquanto Jorge Pinto deu ênfase à importância de apoiar a cultura e a produção literária, em específico, a banda desenhada, nas instalações do futuro Museu de Banda Desenhada de Beja.
Texto | Ana Filipa Sousa de Sousa*
O candidato presidencial Luís Marques Mendes deu início ao seu périplo pelo Baixo Alentejo, no passado dia 8, com uma visita à Santa Casa da Misericórdia de Ferreira do Alentejo, onde afirmou ser necessário “colocar o interior do País, onde está o Alentejo, no centro das atenções, do ponto de vista do desenvolvimento”.O antigo líder do Partido Social Democrata (PSD) admitiu que, caso seja eleito no próximo dia 18, se dedicará “ao desenvolvimento do interior”, especificamente, no que diz respeito ao “investimento e emprego”, uma vez que estas regiões precisam de um maior “favorecimento em matéria de fundos estruturais e em matéria de incentivos fiscais no Orçamento do Estado”.Luís Marques Mendes defendeu, por isso, que é da responsabilidade do Governo atribuir esses incentivos e discriminar positivamente estas zonas do País, como é o caso do Baixo Alentejo.O candidato lembrou, ainda, o trabalho desenvolvido por estas entidades sociais que “ajudam muito as pessoas e têm uma importância fundamental no desígnio decisivo para o futuro do País”, isto é, o “combate à pobreza”.“Temos ainda um problema seríssimo de combate à pobreza, apesar de algumas melhorias. E estas instituições não são únicas, mas são decisivas nesse domínio”, argumentou.Ainda durante a visita, o candidato presidencial anunciou, também, que, enquanto Presidente da República, vai promover um fórum anual de combate à pobreza, envolvendo o Governo, os partidos, os autarcas e as instituições de solidariedade social.Mais tarde, Luís Marques Mendes almoçou na cantina do Instituto Politécnico de Beja (IPBeja), onde assistiu a uma apresentação de uma tuna universitária e teve um “momento de diálogo e contacto com a comunidade académica”. À mesma hora, o também candidato Humberto Correia estava no centro da cidade, mais precisamente nas “portas de Mértola”, numa ação de campanha e contacto com a população. Envergando um traje semelhante ao de D. Afonso Henriques, primeiro rei de Portugal, o também pintor assumiu-se “republicano” e justificou que a sua indumentária serve para “dar impacto”.“Se eu viesse para aqui como os outros [candidatos] de fato e gravata não dava impacto. Assim destaco-me dos outros”, afirmou.Outra das questões que diferencia Humberto Correia, segundo o próprio, dos seus adversários à Presidência da República, é o facto de estar a utilizar apenas transportes públicos na sua campanha eleitoral.“Comecei em Guimarães, na ‘cidade berço’. Este é o 16.º distrito, só me falta Setúbal e depois Portalegre. Em Beja venho fazer aquilo que fiz nos outros distritos, [ou seja] andar assim vestido, abordar as pessoas com o meu cartão [e passar a mensagem de] aproximação com as pessoas e com o povo português”, disse ao “Diário do Alentejo” (“DA”).Sem entrar em pormenores quanto ao assunto dos acessos rodoviários, Humberto Correia limitou-se a afirmar que, no geral, ficou “surpreso” por Portugal estar “muito bem servido” a esse nível, admitindo apenas que as linhas férreas podiam “melhorar um pouco”.O candidato presidencial reafirmou, ainda, a sua intenção, caso seja eleito, em solicitar ao Governo a construção de “100 mil habitações sociais por ano” destinadas a jovens, mães solteiras, vítimas de violência doméstica e idosos “que têm pensões muito baixas em relação ao preço da habitação”.“Quando o jovem atinge os 18 anos, automaticamente, tem direito a uma habitação de 30 metros quadrados com um aluguer de 90 euros por mês”, referiu, adiantando que as moradias com 50 e 80 metros quadrados teriam um preço de arrendamento de 150 e 240 euros, respetivamente. Na terça-feira, dia 13, foi a vez de Jorge Pinto visitar as instalações do futuro Museu de Banda Desenha de Beja. Numa ação de campanha dedicada à cultura, o candidato presidencial afirmou que, caso seja eleito, vai dar continuidade à Festa do Livro em Belém, iniciada por Marcelo Rebelo de Sousa, e deixou o desejo de trazer até Beja “este tipo de festas”.“E por que não trazer uma dessas festas, um ano, aqui, ao Festival de Banda Desenhada em Beja? Era um sinal muito forte que dava a Presidência da República não só de apoio à cultura e à produção literária, no caso da banda desenhada, no interior, mas também de apoio a uma forma de arte”, afirmou.Jorge Pinto falou, também, sobre o pacote laboral e pediu aos seus adversários que não tenham “medo de dar a sua opinião em relação àquilo que já é conhecido” e relembrou que “não é saudável para a nossa democracia ter na Presidência da República alguém que é demasiado próximo do Governo”.O candidato apoiado pelo Livre visitou, ainda, o Centro de Agroecologia Regeneração para o Semiárido (Cares) e jantou com apoiantes em Mértola.Até ao fecho da presente edição, dia 14, foram nove os candidatos à Presidência da República que passaram pelo distrito de Beja nas últimas semanas, nomeadamente, André Ventura, António Filipe, António José Seguro, Catarina Martins, João Cotrim de Figueiredo, Jorge Pinto, Humberto Correia e Luís Marques Mendes. Dos 11 a votos no próximo domingo, apenas André Pestana e Manuel João Vieira não visitaram o Baixo Alentejo. *“Lusa”