Os três deputados eleitos pelo círculo de Beja têm visões diferentes quanto ao desenrolar do ano que agora iniciou para a região baixo-alentejana. António Carneiro (Chega) acredita que se terá de “trabalhar muito” ao nível da Habitação, do emprego e do apoio social, enquanto Pedro do Carmo (PS) teme que “nada” do que foi anunciado pelo Governo “se concretize”. Por sua vez, Gonçalo Valente (PSD) garante que 2026 será um ano de “oportunidades como há muito tempo não tínhamos” e que dará “pujança” ao território.
Texto | Ana Filipa Sousa de SousaFoto | Ricardo Zambujo
Uma “voz firme” e que leva “os verdadeiros problemas dos alentejanos” até à Assembleia da República é o que António Carneiro, deputado do Chega pelo círculo de Beja, promete para este ano. Em declarações ao “Diário do Alentejo” (“DA”) o político, que assumiu funções há cerca de quatro meses depois de Rui Cristina ter sido eleito para a Câmara de Albufeira, afirma que “temos de trabalhar muito em relação àquilo que temos de fazer em 2026”, nomeadamente, no âmbito da Habitação, do apoio às famílias carenciadas, do emprego, da qualificação e integração no mercado de trabalho, da Saúde e da inclusão social.Por um lado, António Carneiro garante ser necessário encontrar soluções habitacionais “para o pessoal carenciado” que “muitas vezes vive em situações degradantes” e “dar-lhe dignidade para que consigam entrar no mercado de trabalho”, inclusive as comunidades migrantes. “O Alentejo é feito de pessoas que são muito orgulhosas do seu trabalho e, por isso, é importante que trabalhem com dignidade para que, depois, saibam viver também com dignidade. Precisamos de emprego para qualificar [e] integrar as pessoas para que se sintam importantes no desenvolvimento da sua terra, do seu concelho e do seu Alentejo”, refere. Por outro, o político assegura que é cada vez mais urgente fixar a população para que “haja desenvolvimento económico, de infraestruturas e de inovação técnica [e] tecnológica” através das escolas profissionais, do ensino superior e de novas empresas especializadas. António Carneiro está ainda expectante quanto à área da Saúde, ou seja, como fazer com que “o hospital e os centros de saúde trabalhem em sistema” e “de maneira a que a população se sinta segura”, assim como atento aos acessos, nomeadamente, a conclusão da Autoestrada 26 (A26) até Beja e a eletrificação da linha ferroviária. “O Alentejo está um bocadinho esquecido, principalmente o Baixo Alentejo que é de baixa densidade populacional, e é preciso relembrar os nossos políticos e levar a minha voz até à Assembleia da República para que seja a voz dos baixo-alentejanos e trazer [para a região] aquilo que mais necessitamos”, assegura.
Pedro do Carmo preocupado com investimentos “nada animadores” Por seu turno, o deputado do PS, Pedro do Carmo, afirma que o “Governo criou expectativas na nossa região” para este ano que agora iniciou, mas que “os investimentos” e o Orçamento do Estado (OE) “não são nada animadores”. “A questão da ferrovia é uma vergonha. Há desinvestimento, atrasos no lançamento dos concursos e agora, mais uma vez, foram anunciados novos prazos e o encerramento da via-férrea”, elucida. Para Pedro do Carmo, esta questão e o “desinvestimento no hospital” são “pequenos sinais” que o deixam “preocupado” quanto à região e a temer que “nada se concretize” dos projetos que estão em andamento.Outro dos assuntos que inquieta o deputado é a ameaça do distrito ficar sem a distribuição de jornais, resultado de um possível ajuste na entrega diária por parte da empresa Vasp, o que seria “gravíssimo” e mais “uma machadada para quem vive no interior e não o abandona”. “Este e muitos outros casos continuam a deixar-nos cada vez mais isolados e mais preocupados”, assegura. Ainda assim, o político chama a atenção para “um conjunto de obras que estão quase a chegar à fase de conclusão”, nomeadamente, as obras no Itinerário Principal 8 (IP8) e, consequentemente, as variantes de Beringel e de Figueira dos Cavaleiros, nos concelhos de Beja e Ferreira do Alentejo. “Nós, no interior, somos poucos, mas temos de ter acesso às mesmas condições, à mesma eficácia e às mesmas possibilidades e no interior do País a questão essencial é a mobilidade e a garantia de qualidade de vida”, disse ao “DA”.Pedro do Carmo realça, também, como “positivo para 2026” a isenção de portagens para pessoas e empresas no troço da Autoestrada 2 (A2) que liga Marateca e Almodôvar, “uma medida proposta pelo PS”. Para o deputado, esta é uma decisão que “significa coesão territorial e social” e que se apresenta como uma “discriminação positiva” e uma “vitória de justiça e de igualdade”.
Gonçalo Valente confiante de que será “um excelente ano” Questionado quando às expectativas sobre o território para 2026 o deputado do PSD eleito pelo círculo de Beja assume que este vai ser “um excelente ano” com “o início do caminho de vários projetos que são completamente estruturais para a nossa região”, desde logo a proposta de ampliação e requalificação do Hospital José Joaquim Fernandes, em Beja. “A expectativa é que se consiga apresentar o projeto de arquitetura [neste ano] para que depois, no ano seguinte, se consiga começar a obra. Portanto, na fase em que estamos é isso que temos de concretizar [e] no primeiro trimestre de 2026 acho que podemos ter já várias novidades no que diz respeito a esse projeto”, afirma ao “DA” Gonçalo Valente.Para o parlamentar, também a conclusão da A26 e o apurar de “culpas” relativamente às verbas para a eletrificação da linha ferroviária do Alentejo são assuntos em cima da mesa e, no caso deste último, para “esclarecer”.“O Governo assume os 60 milhões de euros que foram reprogramados para outras rubricas pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR) do Alentejo [e] daí ter, também, uma confiança muito grande em como este projeto irá, uma vez por todas, para a frente. Já está bastante atrasado e face àquilo que é a nossa cidade é muito urgente”, recorda.Segundo Gonçalo Valente “as pessoas estão muito desacreditadas” quanto ao desenvolvimento da região, pois “ao longo dos anos tem havido um conjunto de promessas que não foram cumpridas”, mas a sua perspetiva é que “neste momento as coisas estão muito mais adiantadas”.“Também sou baixo-alentejano e também sofro do mesmo mal, mas acredito em quem tem poder de decisão, na vontade política que o Governo demonstra e acho mesmo que podemos ficar todos certos e com uma esperança grande em como 2026 vai ser um ano de várias novidades”, garante.Interpelado quanto à possível entrada em funcionamento de um novo centro de emergência social (CAES) em Beja – como tinha adiantado ao “DA” em setembro último – Gonçalo Valente refere apenas que “já há um espaço definido” e “uma instituição disponível e interessada em gerir esse projeto” e que “brevemente podemos estar em condições de fazer um anúncio”. “Vejo que há outra visão completamente diferente, um compromisso que não tem nada a ver com aquilo a que estamos habituados. Acredito que em dezembro deste ano vamos esboçar um sorriso e perceber que realmente alguma coisa de diferente está a acontecer na nossa região e está a transformá-la, a impulsioná-la e a torná-la mais competitiva e em um lugar de maiores oportunidades para nos dar aquela pujança que nós todos queremos”, conclui.


