Diário do Alentejo

Mértola: Quatro candidatos concorrem a Mértola, “Capital da Caça”

07 de outubro 2025 - 08:00
CDU, PS, AD (PSD/CDS) e Chega são as candidaturas à câmara municipal
Foto | Ricardo ZambujoFoto | Ricardo Zambujo

Com um património vastíssimo, natural e cultural, Mértola assume-se hoje como “Vila Museu” e “Capital da Caça”, desempenhando o turismo um papel preponderante na dinâmica daquele concelho. É nesse contexto que Mário Tomé (PS) assume a recandidatura a um segundo mandato, a CDU aposta no antigo presidente de câmara, Paulo Neto, a AD apresenta Maria José Henrique e o Chega, Rita Soares Cordeiro.

 

No final de 2024, o concelho de Mértola contava 6066 residentes, menos 2,9 por cento face a 2021. A tendência contrasta com o cenário nacional, que registou um aumento de 3,2%. Com apenas 4,7 habitantes por quilómetro quadrado, Mértola surge como o segundo município menos povoado do País. Já no que diz respeito aos cadernos eleitorais para as próximas eleições autárquicas, estes contam com 5508 eleitores, ou seja, 5478 cidadãos nacionais, 20 cidadãos da União Europeia não nacionais e 10 outros cidadãos estrangeiros. Em relação à estrutura etária deste território, a população distribui-se da seguinte forma: 514 crianças e jovens até aos 14 anos (menos 27 do que em 2021); 3338 pessoas entre os 15 e os 64 anos (menos 10); 2214 idosos com 65 ou mais anos (menos 52).

No setor da Educação, no ano letivo 2023/24 estavam matriculados 665 alunos no concelho de Mértola, refere a Pordata, portal estatístico da Fundação Francisco Manuel dos Santos, com 102 na educação pré-escolar, 408 no ensino básico e 155 no ensino secundário. Comparando com 2021, Mértola perdeu 34 alunos, com menos 17 na pré-escolar e menos 35 no secundário, embora tenha registado mais 18 no básico.Os Censos de 2021, no campo da Habitação, apontavam para 2883 alojamentos de residência habitual no concelho. Havia ainda 3911 de uso secundário, 942 vagos para arrendamento e 928 vagos por outros motivos. Refere ainda que, entre 2022 e 2024, foram construídos 18 novos fogos para habitação familiar, menos cinco do que no triénio anterior (2018-2020).

No que diz respeito ao rendimento, o ganho médio mensal em 2023 foi de 1038,60 euros, bem abaixo da média nacional (1460,80€). Entre os cinco municípios vizinhos, Mértola apresentou o valor mais baixo. Vejamos: Alcoutim, 1145,80€; Castro Marim, 1088,50€; Castro Verde, 2479,10€; Tavira, 1125€; Beja, 1298,90€.

Mértola integra ainda o grupo dos 33 municípios portugueses onde a superfície agrícola utilizada representa mais de 75 por cento do território.

5508 eleitores recenseados nos cadernos eleitorais para as Autárquicas de dia 12 no concelho de Mértola, respeitantes às freguesias de Alcaria Ruiva, Corte do Pinto, Espírito Santo, Mértola, Santana de Cambas, São João dos Caldeireiros e São Miguel do Pinheiro/São Pedro de Sólis/São Sebastião dos Carros.

 

27,37 foi a taxa de abstenção no concelho, nas últimas eleições autárquicas, em 2021, em que num universo de 5853 inscritos houve 4251 votantes.

Candidatos e propostas

 

A candidatura da CDU, liderada por Paulo Neto, propõe um programa assente em maior proximidade e transparência. As suas principais medidas incluem os eixos de Governança (a publicação das contas municipais, a modernização dos serviços de atendimento, a criação de um “gabinete do munícipe” com atendimento descentralizado nas freguesias e o estímulo a orçamentos participativos), de Desenvolvimento Económico (construção de um novo parque industrial e logístico, criação de um fundo de apoio a empresários, redução de impostos municipais para empresas locais e valorização das atividades ligadas ao setor primário), de Habitação e Urbanismo (criação de programas de “Renda apoiada” e de “Apoio à Reabilitação Urbana”, o aumento do parque habitacional municipal e a criação de novos loteamentos para autoconstrução) e de Cultura e Património (formalização da candidatura de Mértola a património da humanidade, revitalização do centro histórico e criação da Escola do Cante Alentejano).

O programa eleitoral do PS, cuja candidatura é liderada por Mário Tomé, centra-se num conjunto de projetos estruturantes que visam impulsionar o desenvolvimento e a competitividade do concelho, nomeadamente, a construção da estrada transfronteiriça Mértola-Pomarão para “conectar territórios” e a criação de uma nova zona empresarial para atrair investimento e gerar emprego. Pretende também, no campo da habitação, materializar o projeto “Mértola + Habitação”, que prevê a criação de casas acessíveis no centro histórico, novos lotes para autoconstrução nas freguesias e incentivos específicos para a habitação jovem. No que diz respeito à Cultura e Ambiente, avançar com a criação do novo “Núcleo Romano do Museu Cláudio Torres”, com a requalificação de espaços públicos como a praça Luís de Camões, a implementação de uma «cintura verde” em Mértola, o desassoreamento do rio Guadiana para melhorar a sua navegabilidade e a construção de um novo ecocentro em Mértola, “para gestão de resíduos de construção e volumosos”.

Com o lema “Mértola para Todos”, a AD, sob a gestão de Maria José Henrique, propõe uma “mudança urgente” para problemas graves, como a falta de habitação, emprego e a perda de população. As suas propostas centrais são: habitação acessível (construir moradias de baixo custo em terrenos municipais para arrendamento e venda a jovens e famílias e apoiar a reabilitação de edifícios existentes para fomentar o regresso de reformados e emigrantes), Economia e Emprego (elaborar um plano estratégico para atrair investimento privado, com foco na agricultura como pilar do concelho, e criar uma rede de espaços de coworking e laboratórios de inovação para jovens), governança e cidadania (criar um gabinete de apoio ao munícipe para facilitar a resolução de burocracias e um “Fórum de Participação Pública” para aumentar a transparência e a proximidade com os cidadãos), Património (modernizar o Museu de Mértola e concluir a candidatura a Património da Humanidade da Unesco, propondo também a candidatura da Mina de São Domingos à lista nacional da Unesco).

A candidatura do Chega, encabeçada por Rita Soares Cordeiro, apresenta-se com o objetivo de “romper com a estagnação” e as “décadas de promessas não cumpridas”. As prioridades do programa focam-se nas áreas da Mobilidade (requalificação urgente da estrada que liga o Pomarão a Mértola e a elaboração de um plano municipal para recuperar as vias mais degradadas), Habitação (criação de um programa de habitação jovem com rendas acessíveis e a proposta de isenção de IMI durante cinco anos para jovens e famílias que adquiram ou reabilitem casa no concelho), combate à desertificação (criação de zonas industriais e logísticas em todas as freguesias e a concessão de benefícios fiscais para atrair e fixar novas famílias), Saúde (implementação de um plano de emergência local para garantir médicos de família em todas as freguesias) e Juventude (estágios locais remunerados e apoio ao primeiro emprego).

 

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